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Como funcionam as Vacinas?


Seja em gotas ou injeção, a vacinação é muito importante para a saúde. O objetivo principal da imunização é estimular o organismo a produzir anticorpos contra antígenos, principalmente bactérias e vírus. A estratégia da vacinação é estimular o organismo a produzir anticorpos sem que ele fique doente. A maior parte das vacinas é direcionada a um único agente infeccioso, porém existem também vacinas conjuntas, as quais são na verdade duas ou mais vacinas em uma única administração, como a tríplice viral, imunizando de uma vez só contra o sarampo, rubéola e caxumba.

A grande dificuldade na hora de desenvolver uma vacina é criá-la de modo que consiga estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos, mas que não provoque efetivamente a doença. Dessa maneira, a maturidade do sistema imunológico também se mostra importante. O sistema imunológico estar desenvolvido e ser capaz de gerar anticorpos quando estimulado pela vacinação. Este é um dos motivos pelos quais não se dá todas as vacinas a recém-nascidos de uma vez só.

As vacinação é o meio mais seguro e eficaz de proteção contra doenças infecciosas, podendo ser obtidas a partir de partículas do próprio agente agressor na forma atenuada ou inativada. Quando uma infecção ocorre, a defesa é reativada por meio da memória do sistema imunológico. É isso que vai fazer com que a ação do antígeno sobre o organismo seja muito limitada ou, como acontece na maioria das vezes, totalmente eliminada, antes que a doença se instale.

Histórico

A primeira vacina foi desenvolvida por Edward Jenner (1749-1823), um médico inglês. Jenner observou que trabalhadoras leiteiras raramente contraíam varíola, responsável por aproximadamente um terço das mortes de crianças na época, assim como pela infecção de um terço dos adultos. Jenner suspeitou que as trabalhadoras estariam protegidas pela sua exposição constante a varíola bovina, a qual não é perigosa para os seres humanos. Em 1796, Jenner começou seus experimentos, retirando o líquido de vesícula da varíola bovina na mão de uma trabalhadora leiteira e o esfregou em escoriações no braço de um rapaz, o qual nunca foi infectado por varíola bovina ou humana. Seis semanas mais tarde, Jenner injetou, no mesmo rapaz, líquido de vesícula de varíola humana. Como esperado pelo médico, o rapaz não ficou doente. A descoberta de Jenner significou muito para a vacinação: um organismo inofensivo poderia proporcionar proteção contra um organismo infeccioso aos humanos.

Devido à associação com a vaca ― vaccinus em latim refere-se a “das vacas”, derivado de vacca – o experimento de Jenner passou a ser conhecido por vacinação, um termo subsequentemente aplicado a outros tipos de inoculações, relacionadas ou não com as vacas. A segunda geração de vacinas foi introduzida na década de 1880 por Louis Pasteur. Pasteur desenvolveu vacinas contra o cólera e o antraz. As vacinas do final do século 19 eram consideradas uma questão de prestígio nacional, inclusive com leis de vacinação obrigatória na Europa. 

Durante o século 20, foram introduzidas várias vacinas bem sucedidas. Maurice Hilleman foi um dos principais desenvolvedores das vacinas no século XX, responsável por cerca de 40 como as contra a meningite, sarampo e caxumba. Outros pontos de destaque incluem o desenvolvimento da vacina contra a pólio na década de 1950 e a erradicação da varíola durante os anos 1960 e 1970. À medida que as vacinas se tornaram mais comuns, muitas pessoas começaram a tomá-las como garantias, porém, sabe-se que as vacinas são, historicamente, o meio mais efetivo e seguro para se combater doenças infecciosas.

Edward Jenner durante os experimentos da vacinação contra a varíola.


Como se dá a produção de anticorpos?

O conceito da vacinação está envolvido com a formação da memória imunológica. O sistema imunológico “lembra-se” de um antígeno de que já foi exposto antes e reage a uma segunda exposição do antígeno de maneira mais eficiente em relação a primeira exposição. Devemos nos lembrar também da especificidade da memória imunológica, isto é, a resposta a um antígeno em particular é específica para aquele antígeno ou para alguns antígenos relacionados.

Quando entramos em contato com o antígeno pela primeira vez, no caso da vacinação, o antígeno é processado pelo sistema imunológico, produzindo a memória imunológica utilizada no caso de um segundo contato. A produção dos anticorpos é responsabilidade dos plasmócitos, células B diferenciadas a partir de estímulos gerados pela interação entre o sistema imunológico e os antígenos.

O contato com o antígeno e o sistema imunológico é dividido em fases, de acordo com as interações entre ambos. A primeira fase deste processamento é denominada de fase de equilíbrio. Nesta fase, ocorre a difusão do antígeno pelo organismo. A segunda fase do processamento é caracterizada pelo decaimento catabólico do antígeno, a partir da atividade das células hospedeiras e enzimas que metabolizam o antígeno. A maioria dos antígenos é englobada por macrófagos e outras células que exercem “fagocitose”. A duração desta fase depende tanto do antígeno, quanto da própria resposta do hospedeiro.

A última fase é chamada de eliminação. Os anticorpos recém sintetizados se combinam com o antígeno, produzindo os chamados complexos antígeno/anticorpo, os quais são fagocitados e degradados. Os anticorpos livres são encontrados na circulação somente após o término da fase de eliminação. Ao final do processo, a maior parte células envolvidas na degradação do complexo antígeno/anticorpo são induzidas a apoptose.

Os anticorpos presentes na circulação permitem a eliminação de um antígeno “conhecido” muito mais rapidamente. Caso não haja anticorpos circulando, o contato com o antígeno leva novamente a produção destes, entretanto, a fase de eliminação se mostra mais acelerada. Normalmente a produção de anticorpos neste caso também se mostra acelerada.

Cada anticorpo é específico para a resposta a um antígeno específico, embora possa também fazer reação cruzada com outros antígenos que sejam estruturalmente semelhantes ao antígeno que o originou (como no caso da varíola bovina e humana), porém, estes casos são mais raros. Durante o primeiro contato, a classe principal de anticorpos produzidos é a IgM, enquanto que os anticorpos que persistem na resposta secundária são os anticorpos IgG.

Nem todas as células que se proliferaram e diferenciaram são induzidas a apoptose após a resolução do primeiro contato. Algumas células persistem, com o papel de células de memória. Tanto células T quanto B formam o chamado “pool” de células, o qual é ativado em conjunto com o restante do sistema imunológico em um contato secundário com o antígeno. Este mecanismo explica a menor latência de resposta no segundo contato com o antígeno. E como decorrência deste “pool” de células formado, observa-se o início mais cedo, assim como maior produção de anticorpos. Entretanto, as vacinas mostram algumas limitações.

Em alguns pacientes, a vacinação falha pelo fato de que o sistema imunológico não consegue responder adequadamente a ela ou até mesmo não responde, como nos casos de diabetes ou HIV. Mesmo que o organismo desenvolva os anticorpos, a proteção ainda pode não ser adequada, devido a diferenças na produção dos anticorpos, sendo muito devagar para ser efetiva a tempo ou ainda, o antígeno pode apresentar muitas cepas diferentes, nem todas suscetíveis a uma resposta imunológica.

Formação da memória imunológica – A resposta do segundo contato a um antígeno e formação de anticorpos se mostra mais rápida e eficiente devido a criação da memória imunológica.

Controvérsias

Alguns grupos sempre se opuseram a vacinação, isto é, desde as primeiras campanhas de vacinação. Embora cada vez mais os benefícios conhecidos da prevenção superem, com grande margem, os riscos dos raros efeitos adversos da imunização, questões sobre a moralidade, ética, eficácia e segurança da vacinação surgiram para exercer uma força contra a vacinação.

Há críticos da vacinação afirmando que vacinas são ineficazes ou que os estudos de segurança são inadequados. Inclusive há alguns grupos religiosos os quais não permitem a vacinação. A comunidade científica tem trabalhado para combater a divulgação de informações errôneas sobre os riscos das vacinas. Isto por que há casos em que se acredita que as vacinas causam autismo, embora não existam evidências científicas claras sustentem estes casos. Ainda, nos Estados Unidos, pessoas que recusaram vacinas por razões não médicas constituíram uma grande porcentagem dos casos de sarampo e subsequente perda auditiva permanente e até mesmo morte causada pela doença nos últimos anos.

Produção de Vacinas

As vacinas inativadas são aquelas feitas com partes ou então, com o antígeno morto. As vacinas com antígenos mortos são consideradas ainda mais seguras, porém costumam apresentar uma capacidade de imunização mais baixa, sendo necessárias normalmente mais de uma dose para criar uma proteção prolongada O antígeno cultivado em laboratório normalmente é diferente do encontrado no ambiente, entretanto, devido ao fato de que uma única proteína do antígeno é tão diferente das nossas proteínas, já se faz suficiente para o sistema imunológico reconhecê-la como algo estranho, produzindo anticorpos eficientes contra o invasor. Neste caso estão as vacinas contra a pólio, cólera, a raiva, influenza (gripe) e hepatite A.

Algumas doenças não são causadas por uma bactéria, mas sim pelas toxinas que a mesma produz. Nestes casos, a vacina não é direcionada contra fragmentos do agente infeccioso, porém contra as toxinas deste, como no caso do tétano ou difteria. Há outros casos em que não conseguimos induzir a produção de anticorpos pelo sistema imunológico a não ser que o mesmo seja exposto ao antígeno vivo. Neste caso, mantém-se o organismo vivo, porém em uma forma atenuada. Em seu estado atenuado, os antígenos estão fracos o suficiente para não conseguirem causar a doença efetivamente.

Como as vacinas com antígenos vivos simulam melhor uma infecção real, elas costumam ser as mais imunogênicas, isto é, induzem de maneira mais eficiente a produção de anticorpos e memória imunológica. Este tipo de vacina costuma utilizar apenas uma ou duas doses e produz uma imunização por muitos anos, às vezes para o resto da vida, como no caso da catapora, rubéola, caxumba ou varíola. Nem sempre conseguimos manipular o nosso sistema imunológico adequadamente. Há vários germes que naturalmente são menos estimulantes ao nosso sistema imunológico.


No caso da vacina contra o HIV há alguns pontos importantes. O vírus morto não parece ser capaz de estimular o sistema imunológico. O modo que o vírus HIV age também dificulta a produção de vacinas. O vírus se esconde dentro das próprias células do sistema imunológico, tornando difícil o processo de produção de anticorpos pelo organismo. Além disso, o HIV sofre mutação muito rapidamente, podendo assim o vírus ter proteínas diferentes entre duas pessoas infectadas.

Para a produção de vacinas, primeiro, o antígeno precisa ser produzido. Vírus são cultivados em células primárias, como em ovos de galinhas ou em linhagens contínuas de células em cultura. Bactérias são cultivadas em biorreator. Igualmente, uma proteína recombinante derivada dos vírus ou bactérias pode ser gerada a partir de culturas de leveduras, bactérias ou outro tipo celular. Após a geração do antígeno, ele é isolado: um vírus pode ser inativado, as proteínas recombinantes passam por vários processos de filtração, inclusive por cromatografia. Por último, a vacina é formulada pela adição de adjuvante, estabilizantes e conservantes, conforme necessário. O adjuvante aumenta a resposta imunológica ao antígeno, os estabilizadores aumentam a validade em armazenamento e os conservantes permitem a utilização de frascos para administração de várias doses.

Vacinação em Farmácias

Desde dezembro de 2017, uma resolução aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permite a vacinação em farmácias no território brasileiro. Antes desta resolução, mesmo que as pessoas pudessem comprar as vacinas nas farmácias, as aplicações deveriam ser feitas exclusivamente em clínicas ou hospitais. A resolução prevê que apenas os farmacêuticos podem fazer a administração de medicamentos injetáveis. Porém, se houver muita demanda ou interesse da drogaria, pode-se contratar um enfermeiro ou técnico de enfermagem, somente para essa finalidade. Também na resolução, prevê-se que a farmácia faça algumas adaptações para realizar vacinações: uma sala privativa, contendo maca ou cadeira, além de sanitários para uso dos pacientes.

Vacina da Dengue no Brasil

Uma doença muito prevalente no Brasil, a dengue sempre apresentou grandes números de mortalidade no país. Alguns estudos a respeito da implementação da vacinação contra a dengue no Brasil mostraram resultados muito interessantes para saúde pública no Brasil, porém, por ora, os resultados da eficiência da vacinação mostram impactos positivos sobre a população.

A vacina contra a dengue foi desenvolvida pela empresa Sanofi Pasteur, que utiliza o vírus atenuado da dengue para combater os quatro tipos existentes. A recomendação dos pesquisadores é de que a vacina contra a dengue seja ministrada em três doses, e intervalos de seis meses. Atualmente, a vacina contra a dengue é indicada apenas para pessoas entre 9 e 45 anos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que apenas quem já teve algum caso de dengue receba a vacina.


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