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22.10.17

Biomedicina e Bioinformática

Biomedicina e Bioinformática

A Bioinformática, também conhecida como informática em saúde ou biologia computacional, envolve áreas da informática, biologia e estatística em uma especialidade capaz de gerenciar grandes bancos de dados biológicos.

A disciplina, que aborda a necessidade de gerir e interpretar os dados, representa a convergência da genômica, biotecnologia e tecnologia da informação. Assim abrange a análise e interpretação de dados, modelagem de fenômenos biológicos e desenvolvimento de algoritmos e métodos estatísticos.


De natureza interdisciplinar, esse campo teve início na década de 1960, com os esforços dos pesquisadores Margaret Dayhoff, Walter Fitch, Russell Doolittle, entre outros. Caracterizada por ser uma ciência computacional aplicada a um sistema biológico, a bioinformática tem um grande investimento atual na aquisição, transferência e exploração de dados.

Com a evolução dos computadores, os seres humanos tornaram-se coletores de dados, mensurando todos os aspectos da vida com informações resultantes de suas atividades diárias. Nessa nova cultura tudo se torna dado, pode ser medido (pixels, Hertz, bases de nucleotídeos, etc.) e pode ser armazenado em grandes coleções dentro de computadores.

A segmentação dos dados, aliada a um software capaz de interpretá-los, auxilia na compreensão de químicos, biológicos e processos vitais. Portanto, a Bioinformática não só permite a mineração de dados, como facilita a compreensão do mundo molecular que alimenta a vida evolutiva. Está em constante mudança, seguindo a biotecnologia e a genômica.

A utilização dos computadores para solucionar questões em biologia, genética humana e medicina envolve a construção e projeção de softwares, assim como avaliação e organização de dados a fim de mantê-los atualizados e em pleno funcionamento.

Teoria

O curso de Bioinformática oferece alternativas para o profissional seguir carreira tanto na pesquisa quanto em desenvolvimento e inovação, em situações que demandem conhecimento especializado em biologia e métodos computacionais.

Por ser uma especialidade buscada por estudantes da área de exatas e biológicas, deve haver um nivelamento educacional para que nenhuma das duas partes seja prejudicada por conteúdo desconhecido. As disciplinas são baseadas em bioquímica, genômica, biologia molecular e estatística aplicadas à bioinformática.

Resoluções

Para habilitação em Bioinformática, os biomédicos devem realizar cursos de pós-graduação lato sensu ou strictu sensu, reconhecidos pelo MEC.

Assim, para inclusão da habilitação conforme o Conselho Regional de Biomedicina, o profissional biomédico deverá obter sua experiência comprovada das seguintes maneiras: pelos cursos de pós-graduação, na conclusão da graduação (via estágio supervisionado de 500 horas) e nas residências multi-profissionais ou biomédicas, mediante comprovação de tempo de atuação ou residência.


Prática

Os bioinformatas atuam em diferentes campos da ciência médica e da saúde, incluindo biologia, genética, proteômica e produtos farmacêuticos. Alguns profissionais têm preferência pelas pesquisas biomédicas, enquanto outros se especializam em ferramentas computacionais.

Algumas das funções de um bioinformata incluem o desenvolvimento de métodos para analisar os dados biológicos e a criação de bases de dados com essas informações. Trabalham com uma abordagem interdisciplinar utilizando a coleta e modelagem de dados biológicos. Desenvolvem simulações dinâmicas e realizam padrões de análise dos sistemas biológicos. Como a análise de dados é muito importante na pesquisa, os cientistas precisam constantemente de métodos inovadores para a interpretação dos dados de seus experimentos por programas de computador.


Criar algoritmos de software específicos para identificar e classificar os componentes de um sistema biológico, DNA e proteínas é muito útil nas grandes pesquisas. No Projeto Genoma Humano, por exemplo, a análise dos dados por uma equipe multidisciplinar é fundamental para os resultados da investigação.

A modelação de programas de gerenciamento laboratorial e hospitalar também é muito comum na especialidade. Empresas de biotecnologia oferecem soluções de personalização de sistemas, integrando os serviços prestados pela instituição de saúde. Para isso, os biomédicos trabalham em conjunto com profissionais de tecnologia de informações.

$ Salário $

Os ganhos de profissional da bioinformática dependem muito da continuidade da carreira. Além da área acadêmica, que remunera segundo a carga horária e qualificação profissional, o bioinformata pode trabalhar em indústrias, centros de pesquisa, laboratórios clínicos, hospitais e laboratórios farmacêuticos, onde a estabilidade é maior.

Há também a opção de se tornar um empreendedor, criando o próprio sistema para análise de dados específicos. Com exclusividade no mercado científico, o profissional pode estabelecer um preço adequado ao seu serviço e conquistar um alto número de clientes.

Opinião profissional

Nesta seção, entrevistamos uma bioinformata para que você possa conhecer um pouco mais sobre a habilitação.

Vanessa Galdeno Freitas - graduação em Biomedicina pela FMU, Especialização completa em Bioinformática em Neurologia pela Faculdade de Medicina da USP e Hospital das Clínicas, Mestrado em andamento pelo Programa de Interunidades em Bioinformática da Universidade de São Paulo (USP) no Centro de Oncologia Molecular do Hospital Sírio-Libanês sob orientação do Prof. Dr. Pedro Alexandre Favoretto Galante.
Contatos → E-mail: vgaldeno@mochsl.org.br | LinkedIn | Site.

Entrevista

1 - Por que escolheu a Bioinformática?
Vanessa Galdeno - Desde a graduação, em minhas iniciações científicas, eu tive o primeiro contato com a área da Bioinformática, onde utilizava Bancos de Dados Públicos, em específico aqueles voltados a sequências de proteínas, para explorar e validar meu dados obtidos em experimentos laboratoriais. Assim, comecei a pesquisar mais sobre o assunto, e como me especializar na área sendo Biomédica. A escolha por se aventurar em uma área tão diferente da rotina clínica, veio da curiosidade de como combinar ciências tão diferentes como a saúde e exatas, e assim acelerar o conhecimento produzido e gerar resultados realmente eficientes e mais rápidos. Além disso, o profissional bioinformata não pode se intimidar com aquelas matérias de estatística e programação que tendemos a “fugir” na graduação, já que isso faz parte da rotina tanto quanto o conhecimento biológico, ambos caminham absolutamente juntos, portanto gostar e se dedicar a ambos os lados é essencial. Por esses motivos, escolhi a Bioinformática, além de amar o que faço, sei que posso fazer a diferença assim.

2 - Qual é a sua avaliação para o mercado de trabalho nessa área?
Vanessa Galdeno - O mercado para Bioinformatas está se expandindo constantemente no Brasil e no mundo, pelo motivo do Next Generation Sequencing ser uma tecnologia nova e capaz de produzir grandes quantidades de dados, precisamos de profissionais qualificados para analisar e extrair toda essa informação obtida, além de interpreta-la e transforma-la em benefícios a sociedade. Assim o Bioinformata tem um amplo mercado para atuar, principalmente no nosso país, que não temos muitos profissionais na área, e o advento da Bioinformática foi mais tardio que em países mais desenvolvidos. Como dizem, é provavelmente a profissão do futuro.

3 - Na sua opinião, quais as vantagens e desvantagens da Bioinformática?
Vanessa Galdeno - As vantagens da Bioinformática são inúmeras, difícil listar todas, mas os pontos principais e mais notáveis são o avanço nas pesquisas clínicas de patologias mais graves e sem cura, como o câncer, doenças crônicas ou auto-imunes por exemplo. Com o sequenciamento desses casos é possível desvendar novos biomarcadores para tratamentos dessas doenças, assim como diagnostica-las precocemente através de algoritmos que predizem e classificam os sintomas ou sinais e determinam em que estágio o paciente se encontra, se o tumor é benigno ou maligno, ou se ele tem predisposição a desenvolver algo. Está amplamente envolvida na Medicina de precisão, um método que vem sendo empregado no Brasil, e que vem ganhando espaço, já que a eficiência no tratamento de pacientes que tem seu material submetido a sequenciamento ajuda a elucidar questões que apenas com a clínica não é possível, evitando tratamentos ineficazes ou procedimentos invasivos desnecessários. A aplicação da Bioinformática vai muito além disso, ela está presente na área industrial, em melhoramento genético de plantas, até em estudos de microambientes de regiões geográficas específicas.

4 - Considerações finais.
Vanessa Galdeno - Considerando todo o conhecimento obtido com a Bioinformática, hoje ela é uma área indispensável. Para nós profissionais da saúde, é imprescindível que nos familiarizemos com essas novas tecnologias, a fim de produzir conhecimento e aplica-lo da melhor forma possível. Minha sugestão para aqueles que querem seguir na carreira na Bioinformática é primeiramente focar em fazer uma boa graduação, uma excelente Pós-graduação (Especialização, Mestrado, Doutorado, entre outros), assim você irá aprimorar seu conhecimento e técnica assimilados durante a graduação e sobretudo, ser treinado(a) em um bom laboratório de pesquisa na área de Bioinformática, assim você irá adquirir uma ótima e ampla experiência, necessária para enfrentar os desafios e se destacar ao longo da sua carreira.

20.10.17

Leucemia Mieloide Crônica e cromossomo Philadelphia

Leucemia Mieloide Crônica e cromossomo Philadelphia

A Leucemia Mieloide Crônica (LMC) é um câncer não hereditário que afeta as células sanguíneas e a medula óssea. Seus sintomas tendem a aparecer gradualmente e caracteriza-se por ser uma doença mieloproliferativa.

Diagnosticada por exames hematológicos e mielograma, os resultados clínicos da LMC normalmente apresentam leucocitose, com presença de formas celulares jovens, intermediárias e maduras, além de dosagem baixa de hemoglobina. No mielograma, há hipercelularidade com granulócitos em diferentes estágios de maturação e número de megacariócitos aumentado.


Em adição aos exames de rotina, o médico pode solicitar o exame citogenético. Um indivíduo portador de LMC possui o oncogene quimérico bcr-abl, que resulta da fusão do gene abl do cromossomo 9 com o gene bcr do cromossomo 22. A detecção da translocação dos cromossomos 9 e 22, também chamada de cromossomo Philadelphia, é uma evidência importante para o diagnóstico da doença.

Dentre os métodos moleculares mais utilizados, estão a PCR em Tempo Real (RT-PCR) e a Hibridização in situ por Fluorescência (FISH). Ambos permitem o acompanhamento dos níveis de transcrição do oncogene, para que sejam realizadas intervenções periódicas adequadas no tratamento da LMC.


Durante o desenvolvimento da doença, há um aumento da proliferação da linhagem celular granulocítica sem capacidade para se diferenciar. As células podem amadurecer em parte, mas não completamente. Geralmente, essas novas células sobrevivem mais tempo, se acumulam no organismo, e eliminam as células normais da medula óssea.

A fase crônica da LMC é difícil de ser detectada, pois o organismo ainda não apresenta um número elevado de leucócitos anormais, sendo ainda capazes de combater infecções. Na forma acelerada da doença, o número de células sanguíneas anormais começa a aumentar e o indivíduo pode relatar sintomas como cansaço, perda de peso e febre.

Na última forma clínica (terminal ou blástica), a linhagem granulocítica indiferenciada é predominante no organismo. O sistema imunológico perde a capacidade de combater infecções mais simples e outras desordens como anemia e sangramentos podem aparecer mais frequentemente.

A escolha do tratamento depende da forma clínica, da resposta do organismo e da progressão da LMC.  Ainda não há uma terapia universal, pois determinados medicamentos apresentam reações e efeitos colaterais diferentes para cada pessoa. As principais opções são quimioterapia, alfa-interferon e o transplante de medula óssea, que é curativo.

17.10.17

Estágio no Instituto Butantan em 2018

Estágio no Instituto Butantan em 2018

Foram abertas as inscrições para o programa de estágio curricular obrigatório do Instituto Butantan, referente ao primeiro semestre de 2018. O Instituto Butantan é o principal produtor de imunobiológicos do Brasil, responsável por grande porcentagem da produção nacional de soros hiperimunes e grande volume da produção nacional de antígenos vacinais, que compõem as vacinas utilizadas no Programa Nacional de Imunizações – PNI, do Ministério da Saúde.


O processo seletivo visa preencher 104 vagas de estágio, para alunos regularmente matriculados em unidades de ensino públicas ou privadas, com carga horária de 30 horas semanais. As áreas incluem biotério, laboratórios de farmacologia, biologia molecular, parasitologia, genética, bacteriologia, entre muitas outras disponíveis no edital.

Independente de sua modalidade, o estágio não será remunerado e não implica em vínculo empregatício de qualquer natureza entre a Secretaria de Estado da Saúde/Instituto Butantan e os estagiários do programa.

Os candidatos devem se inscrever pelo site do Instituto Butantan até o dia 26 de outubro de 2017, às 17h. É necessário apresentar uma cópia legível e atualizada do histórico escolar e uma declaração da coordenação do curso afirmando que o aluno encontra-se no período adequado para o estágio. Posteriormente, o candidato será convocado para uma entrevista a partir do dia 23 de novembro.


12.10.17

Novo valor de referência para a Vitamina D

Novo valor de referência para a Vitamina D

A Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / Medicina Laboratorial (SBPC/ML), por meio de seu diretor de ensino e médico patologista clínico Carlos Eduardo dos Santos Ferreira, recentemente anunciou uma mudança no valor de referência para a Vitamina D.


O comunicado foi feito ao público durante o 51º CBPC/ML, em 2017. O valor normal, que era de 30 ng/mL, agora passa a ser aceito a partir de 20 ng/mL. Tal alteração ocorre porque de acordo com resultados de estudos recentes, pessoas que apresentam dosagens de 20-30 ng/mL não necessitam de reposição da vitamina.

Essa modificação do valor referencial também já era discutida há algum tempo pelo Departamento de Metabolismo Ósseo e Mineral da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - SBEM. Segundo o departamento, pessoas com dosagens inferiores a 10 ng/mL podem evoluir para osteomalácia e raquitismo. As que apresentam dosagens entre 10 e 20 ng/mL têm baixo risco de perda de massa óssea. Para pessoas saudáveis, é recomendado que esteja acima de 20 ng/mL, e valores entre 30 e 60 ng/mL são aceitáveis para grupos como idosos, gestantes e demais pacientes.

É importante destacar que a reposição da vitamina deve ser feita exclusivamente com acompanhamento médico. Quando os valores ultrapassam 100 ng/mL, a vitamina se torna tóxica ao organismo e também pode elevar o risco de hipercalcemia. Sintetizada a partir da exposição da pele aos raios ultravioletas B (UVB), a Vitamina D também pode ser encontrada em alimentos ou na forma comercial, em cápsulas e comprimidos.

5.10.17

V Simpósio Acadêmico de Biomedicina da UFMG

V Simpósio Acadêmico de Biomedicina da UFMG

Chegando à sua quinta edição, o Simpósio Acadêmico de Biomedicina da UFMG visa promover uma discussão sobre as principais tendências do universo biomédico. Serão discutidos temas sobre o mercado de trabalho, inovações tecnológicas e áreas de atuação na Biomedicina.


Durante os três dias, pretende-se favorecer a troca de experiências com profissionais que são referência em suas áreas, além de descobrir novidades sobre pesquisa e desenvolvimento. O simpósio possibilita obter o aprendizado com pessoas de diferentes cursos e instituições de ensino, assim como conhecer profissionais já inseridos no mercado de trabalho. Abaixo, alguns dos minicursos oferecidos nessa edição:

Nutracêuticos e Dermoformulações no auxílio de procedimentos estéticos
Dr. Philippe Saldanha (NEPUGA)

Medicina Nuclear e aplicações
Livia Pedrosa Moura e Thalison Costa Neves (UNA, PUC e Nuclear Medcenter)

Perícia Criminal: aspectos gerais do dia a dia no IML
Hudson da Silva Lima (Polícia Civil - MG)

Gestão Laboratorial
Denise Sousa (Hospital Risoleta Tolentino Neves)

O evento será realizado de 08 a 10 de novembro de 2017, na Faculdade de Farmácia da UFMG, localizada na rua Professor Moacir Gomes de Freitas, 305, Pampulha - Belo Horizonte, MG. Os interessados devem se inscrever pelo site do simpósio, que também descreve a programação completa.


2.10.17

A importância da pesquisa clínica

A importância da pesquisa clínica

A população e muitos profissionais ainda não conhecem a importância, os riscos, benefícios, deveres e direitos de quem participa de uma pesquisa clínica. Esses estudos envolvem uma grande equipe e visam testar diferentes opções de tratamento para uma determinada condição ou doença. Algumas pesquisas incluem membros saudáveis da população, enquanto outras possuem pacientes que recebem cuidados da equipe envolvida durante a pesquisa.


Todos os procedimentos são executados com o máximo de respeito, ética e responsabilidade. Antes de incluir uma pessoa no estudo, os membros da equipe questionam o candidato para saber a sua real intenção de participar dos ensaios e testes. A ideia de cobaia humana, que muitas vezes afasta candidatos e profissionais da pesquisa clínica, é um pensamento que precisa ser desmistificado.

Realizadas em vários estágios, essas pesquisas envolvem um grande número de participantes e são geralmente ensaios randomizados, já que as pessoas são divididas aleatoriamente nos grupos de tratamento, normalmente com o auxílio de um software. Isso é feito para que cada grupo tenha uma mistura semelhante de pessoas de diferentes idades, sexo e condições de saúde.

Ensaios controlados são projetados para comparar diferentes tratamentos, na maioria das vezes novos com os já habituais. Um grupo conhecido como o grupo de teste recebe o novo tratamento enquanto um outro (grupo controle) recebe o tratamento padrão, placebo ou nenhum tratamento.

Em um ensaio cego, os participantes não são informados a qual grupo pertencem porque pode influenciar nos relatos de seus sintomas, por exemplo. Na modalidade de ensaio duplo-cego, nenhum dos dois grupos (participantes e médicos) sabe quais pessoas estão recebendo tratamento. Essa medida evita qualquer tipo de influência nos resultados do estudo.

Os ensaios clínicos abrangem diferentes tipos de pesquisa. Frequentemente criados para testar novos medicamentos ou vacinas, também podem ser usados para testar novas combinações de medicamentos já existentes, verificar se um modo de tratamento diferente se tornará mais eficaz, reduzirá efeitos colaterais e para experimentar maneiras de prevenir a manifestação de uma doença. Os tratamentos testados nesses tipos de estudos podem incluir vacinas, drogas ou suplementos como vitaminas e minerais.

A pesquisa clínica é fundamental para a produção de novos medicamentos, produtos cosméticos, alimentos ou quaisquer outros produtos. É a melhor maneira de comparar diferentes abordagens para prevenir e tratar doenças. Profissionais e pacientes precisam da evidência dos ensaios clínicos para saber quais tratamentos funcionam melhor. Muitos tratamentos que agora são de uso comum na medicina já foram testados em ensaios clínicos no passado.

1.10.17

Entendendo o câncer de mama

Entendendo o câncer de mama

O câncer de mama é o câncer mais comum nas mulheres em todo o mundo. Em 2012, por exemplo, cerca de 1,7 milhão de novos casos foram diagnosticados (segundo câncer mais comum). Isto representa aproximadamente 12% de todos os novos casos e 25% de todos os casos de câncer nas mulheres.


O termo "câncer da mama" refere-se a um tumor maligno que se desenvolve a partir de células da mama. Normalmente começa nas células dos lóbulos, que são as glândulas produtoras de leite, ou nos ductos, que são as passagens que drenam o leite dos lóbulos ao mamilo. Menos frequentemente, o câncer da mama pode começar nos tecidos estromais, que incluem os tecidos conjuntivos fibrosos da mama.

Um tumor pode ser benigno ou maligno. Os tumores benignos não são considerados cancerígenos, suas células têm aparência similar às normais, crescem lentamente e não invadem tecidos vizinhos. Os tumores malignos são potencialmente perigosos, pois podem se espalhar além do tumor original para outras partes do corpo.

Imagem: Patrick J. Lynch.

Fatores de risco e diagnóstico

Ser mulher é o maior fator de risco para desenvolver câncer de mama. As razões para a diferença nas taxas de câncer de mama entre homens e mulheres são, principalmente:

o desenvolvimento das mamas nas mulheres leva de 3 a 4 anos e é geralmente completo aos 14 anos de idade. Nos homens, o que vemos é gordura e glândulas não formadas.
→ depois de completamente formada, as células da mama feminina são imaturas e altamente ativas até a primeira gravidez. Por isso são sensíveis ao estrogênio e outros hormônios, incluindo desreguladores hormonais do ambiente.
→ células mamárias masculinas são inativas e a maioria dos homens tem níveis extremamente baixos de estrogênio.

Toda mulher deseja saber o que pode fazer para reduzir seu risco de câncer de mama. Alguns dos fatores associados ao câncer de mama são idade e genética, dos quais não há nenhuma possibilidade de alterá-los. Porém, outros fatores como excesso de peso, falta de exercícios físicos, fumo e dietas pouco saudáveis podem ser mudados. Ao escolher um estilo de vida mais saudável, o risco de câncer de mama será proporcionalmente menor.

Apesar de não poder ser prevenido, o câncer de mama pode ser detectado pela mamografia anual. O exame pode salvar vidas porque permite detectar o câncer antes que os sintomas se desenvolvam, facilitando o tratamento. Além disso reduz significantemente o risco de morte em mulheres com idade superior a 40 anos. É importante perguntar ao médico sobre quais testes de detecção são ideais e quando realizá-los.


Estágios do câncer de mama

O estágio do câncer indica se o tumor está limitado a uma área na mama, espalhou-se para os tecidos saudáveis no interior da mama ou para outras partes do corpo. Para isso, são consideradas quatro características:

→ tamanho;
→ se é invasivo ou não invasivo;
→ se atingiu os gânglios linfáticos;
→ se o câncer se espalhou para outras partes do corpo.

● Estágio 0: as células cancerosas permanecem dentro do ducto mamário, sem invasão para os tecidos mamários adjacentes.

● Estágio IA: as medidas do tumor são de até 2cm. O câncer não se espalhou para fora da mama. Não há nódulos linfáticos envolvidos.

● Estágio IB: não há nenhum tumor na mama. Em vez disso, pequenos grupos de células cancerosas (0,2mm - 2mm) são encontrados nos gânglios linfáticos.
ou
Há um tumor na mama, que não é maior do que 2cm, e existem pequenos grupos de células cancerosas (0,2mm - 2mm) nos nódulos linfáticos.

● Estágio IIA: nenhum tumor pode ser encontrado na mama, mas as células cancerosas são encontradas nos gânglios linfáticos axilares.
ou
O tumor mede até 2cm e se espalhou para os linfonodos axilares.
ou
O tumor tem entre 2cm e 5cm e não se espalhou para os linfonodos axilares.

● Estágio IIB: o tumor é maior do que 2cm, mas não maior do que 5 cm e se espalhou para os linfonodos axilares.
ou
O tumor é maior do que 5cm, mas não se espalhou para os gânglios linfáticos axilares.

● Estágio IIIA: nenhum tumor é encontrado na mama. O câncer é encontrado em nódulos linfáticos axilares que estão ligados a outras estruturas, O tumor pode ser encontrado em gânglios linfáticos perto do esterno.
ou
O tumor pode ser de qualquer tamanho. O câncer se espalhou para os linfonodos axilares, ligados a outras estruturas. O tumor pode ser encontrado em gânglios linfáticos perto do esterno.

● Estágio IIIB: o tumor pode ser de qualquer tamanho e se espalhou para a parede do peito ou pele da mama. Pode ter se espalhado para os linfonodos axilares ou invadir outras estruturas. O tumor pode se espalhar para os gânglios linfáticos perto do esterno.
O câncer de mama inflamatório é considerado de estágio IIIB.

● Estágio IIIC: pode não haver nenhum sinal de câncer na mama ou o tumor pode ser de qualquer tamanho e ter se espalhado para a parede torácica ou pele da mama. O câncer se espalhou para os linfonodos acima ou abaixo da clavícula, para os linfonodos axilares ou para os gânglios linfáticos perto do esterno.

● Estágio IV: o tumor se espalhou (metástase) para outras partes do corpo.

Tratamento

A cirurgia (mastectomia) é geralmente a primeira opção contra o câncer de mama e dependerá de muitos fatores. O médico irá determinar o tipo de cirurgia que é mais adequado para o paciente com base no estágio do câncer (tamanho, tipo, evolução). Os gânglios linfáticos axilares também podem ser avaliados e removidos durante a cirurgia.

Imagem: National Cancer Institute.

Outras formas de terapias complementares são:

Radioterapia: altamente eficaz para destruir células cancerígenas na mama que permanecem após a cirurgia. A radiação pode reduzir o risco de recorrência do câncer de mama em até 70%.

Quimioterapia: utilizada para tratar pacientes em estágios iniciais de câncer de mama invasivo e em estágios avançados de câncer de mama para destruir ou danificar o máximo de células cancerígenas.

Terapia hormonal: redução da quantidade de estrogênio no organismo ou bloqueio da ação do estrogênio sobre as células de câncer de mama.

Terapia-alvo: tratamento que visa características específicas de células tumorais, como proteínas de crescimento. Em alguns casos são utilizados anticorpos que funcionam como os que são naturalmente produzidos pelo nosso sistema imunológico.

25.9.17

A pesquisa em anticorpos monoclonais no Brasil

A pesquisa em anticorpos monoclonais no Brasil

No dia 27 de setembro de 2017, das 9h00 às 12h00, o especialista em P&D de biofármacos Renan Leonel discutirá o esforço brasileiro para desenvolver uma grande promessa da biomedicina contemporânea: os anticorpos monoclonais (mAbs).


Organizado pelo Grupo de Pesquisa Observatório da Inovação e Competitividade/NAP do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP) e coordenado pelo professor Mario Salerno, o seminário abordará a importância dos mAbs em terapias, assim como os desafios para o seu desenvolvimento devido à necessidade de altos investimentos públicos e privados.

Atualmente, o mercado brasileiro é o terceiro maior do mundo para esse medicamento e cerca de 60% dos recursos utilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são gastos na compra desses imunobiológicos. Isso demonstra a necessidade de pesquisadores brasileiros refletirem sobre o caráter transnacional e transversal das políticas de Ciência, Tecnologia & Inovação em saúde.

O evento será gratuito, aberto ao público e sediado na Sala de Eventos do IEA-USP, localizada na rua Praça do Relógio, 109, bloco K, 5°andar, Butantã - São Paulo (SP). Para acompanhar a apresentação no local, é necessário realizar a inscrição prévia preenchendo um formulário.

Participantes de outros locais que não conseguirem comparecer no dia do evento também poderão assistir à apresentação pela transmissão na web (http://www.iea.usp.br/aovivo), dispensando a inscrição.

Todos os dados apresentados pelo especialista Renan Leonel terão como referência informações colhidas de um projeto de pós-doutorado na Faculdade de Medicina da USP. Para mais informações sobre o tema e o seminário, acesse a página do evento.

11.9.17

Luz e Saúde III: Cicatrização

Luz e Saúde III: Cicatrização

As aplicações da luz no metabolismo da cicatrização.

A luz possui papel fundamental no funcionamento do organismo e novas tecnologias mostram seu potencial frente a diversos processos terapêuticos, mas como o processo de cicatrização pode se beneficiar da luz? Quais são estes benefícios desta tecnologia e quem pode aproveitá-la?

Nos últimos dois textos, vimos o papel da luz como reguladora de processos fisiológicos (Link) e também como alternativa para o tratamento de alguns transtornos do humor como a depressão (Link). Assim, podemos considerar, direta ou indiretamente, a luz como fator essencial da manutenção do funcionamento normal do organismo – também conhecido por homeostase.

Entretanto, novas tecnologias utilizam a luz como ferramenta sobre outros tratamentos. Um exemplo disto é a fototerapia, a qual compreende todas as metodologias que utilizem a luz de fonte artificial, em potências mais altas e determinados comprimentos de onda como ferramenta. Como o título desta matéria indica, iremos abordar a luz como artifício benéfico ao processo de cicatrização, entretanto, dentro da fototerapia são observadas aplicações também para o tratamento da psoríase ou então, do vitiligo, por exemplo.

De maneira geral, os benefícios associados a fototerapia sobre o processo de cicatrização podem ser resumidos pela diminuição da inflamação, da dor, e pela melhora da circulação sanguínea no local em cicatrização. Os detalhes destes mecanismos podem ser consultados nesta excelente revisão (Link) sobre o assunto.


Atualmente os equipamentos mais utilizados pela fototerapia empregam o LED ou o LASER, conhecidos por suas outras aplicações no nosso cotidiano (televisões e leitores de código de barra, por exemplo). Entretanto, na fototerapia suas aplicações se mostram interessantes considerando a capacidade de induzirem melhor qualidade à cicatrização. Por definição, ambas as tecnologias emitem a radiação eletromagnética não ionizante, monocromática (um espectro pequeno de comprimentos de onda) ou então, em combinação com vários comprimentos de onda.

Neste contexto, o LASER e o LED promovem efeitos distintos de acordo com o comprimento de onda e potência utilizada. Cada um destes possuem características específicas recomendadas para uma determinada finalidade dentro da fototerapia. São considerados uma excelente ferramenta terapêutica justamente pela baixíssima incidência de neoplasias no tecido irradiado, tornando-se assim uma estratégia confiável e ampliando a lista de possíveis pacientes a serem tratados.

A profundidade de infiltração da luz varia conforme o comprimento de onda utilizado. Desta maneira, a resposta induzida pela fototerapia também varia de acordo com o equipamento, intensidade e comprimento de onda, permitindo uma ampla gama de tratamentos.

Também utilizado na odontologia e fisioterapia, a fototerapia possui ampla utilização na cicatrização não somente da pele, mas também em outros tecidos como a gengiva e os músculos. Os conceitos moleculares da fototerapia envolvem várias interações intracelulares entre a luz e células (sobretudo fibroblastos) do tecido, promovendo alterações benéficas no metabolismo da cicatrização – redução da inflamação, da dor e melhora da circulação – recursos interessantes para a cicatrização mais rápida e de melhor qualidade, inclusive dentro da fisioterapia e a pacientes odontológicos.

Existe também um outro nicho dentro da fototerapia a partir dos efeitos estéticos que a fototerapia é capaz de proporcionar. São exemplos desta aplicação o clareamento de manchas na pele, alterações no metabolismo do colágeno, além do efeito microbicida, contribuindo juntos para os efeitos estéticos desejados.

Desta forma, a fototerapia se mostra uma metodologia interessante pelos efeitos benéficos citados, aumentando a qualidade e a eficiência do processo de cicatrização, e assim aumentando a qualidade de vida da sociedade. Os estudos da fototerapia são relativamente recentes dentro da medicina, e assim, ainda apresenta-se como uma metodologia de baixa escala, porém, enxerga-se nela grande potencial e a tendência é que esteja cada vez mais presente no nosso cotidiano.

5.9.17

Nova resolução para as atribuições do biomédico no magistério acadêmico

Nova resolução para as atribuições do biomédico no magistério acadêmico

No dia 1º de setembro, foi publicada no Diário Oficial da União a Resolução nº 278 do Conselho Federal de Biomedicina, que estabelece novas atribuições ao profissional biomédico no magistério acadêmico.


Considerando que o magistério acadêmico contribui para a formação do aluno nas habilitações que a biomedicina proporciona e a necessidade de articulação entre a teoria e a prática na atividade de formação do aluno nas habilitações previstas na Resolução CFBM 78/2002, o CFBM prevê que o professor docente envolvido na difusão do conhecimento tenha amplo domínio sobre os aspectos técnicos, científicos e práticos da biomédica.

Assim, fica resolvido que compete privativamente ao profissional biomédico com titulação acadêmica compatível, a atuação nas seguintes searas da graduação em biomedicina:

I - Disciplinas de introdução às ciências biomédicas;

II - Disciplinas relacionadas à deontologia da profissão biomédica;

III - Coordenação de curso de biomedicina;

IV - Coordenação de estágios voltados às habilitações profissionais previstas na Resolução CFBM 78/2002.

As instituições que oferecem o curso de Biomedicina têm o prazo de 1 ano para a adequação às condições da nova resolução. Caso não sejam cumpridas, o biomédico recém-formado ficará impedido de inscrever sua habilitação profissional junto aos Conselhos Regionais de Biomedicina.

Leia o texto completo da nova resolução clicando aqui.

4.9.17

Workshop: células-tronco e suas aplicabilidades

Workshop: células-tronco e suas aplicabilidades

No dia 21 de outubro de 2017, acontecerá o workshop sobre células-tronco na cidade do Rio de Janeiro. Destinado a profissionais graduados em biomedicina, farmácia, medicina, enfermagem, biologia e áreas correlatas, o evento terá pouco mais de 4 horas de duração e abordará vários temas envolvendo terapia celular e aplicabilidade das células-tronco.


O cronograma terá apresentações de profissionais renomados da área das 8h00 às 12h30, no cinema Kinoplex. O valor das inscrições é de R$100,00 e estudantes pagam meia entrada (R$50,00). Confira a programação abaixo:


Panorama Mundial do uso de Células-Tronco em day-clinic.

Dra. Karla Rodrigues (UNIRIO).


Células-Tronco: Da obtenção ao uso clínico.

Prof. MSc. Isalira Peroba Ramos (CENABIO - UFRJ).


Rastreamento de Células-Tronco in vivo e a experiência do HUCFF em humanos.

MSc. Thiago Barboza (LMCM/HUCFF - UFRJ).


Reprogramação Celular e Medicina Personalizada

Dr. Eduardo Ribeiro Paradela (UNIRIO).


Terapia Celular em Cardiopatias

MSc. Priscylla da Costa Medeiros (LMCM/HUCFF - UFRJ).

Acesse a página do evento para mais informações, inscreva-se no link e confirme a sua presença.