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11.8.17

Luz e saúde II: alternativa aos tratamentos da depressão

Luz e saúde II: alternativa aos tratamentos da depressão

Os potenciais da luz como alternativa na terapia da depressão e suas consequências.

A depressão possui incidência cada vez maior na sociedade e vários métodos estão em desenvolvimento para complementar seu tratamento. A luz se faz essencial ao organismo e tem sido utilizada para o tratamento da depressão, mas quais seriam seus efeitos no tratamento?

Vimos no texto anterior como a luz é importante para o nosso organismo através do ciclo circadiano – nosso ‘relógio biológico’ – e como nossos hábitos podem interferir nele. Baseando-se neste princípio, algumas estratégias de tratamento para a depressão têm sido desenvolvidas como alternativa a farmacoterapia – antidepressivos – utilizada atualmente e têm mostrado bons resultados.

Em rápidas palavras, a depressão é considerada uma doença psiquiátrica crônica que desencadeia alterações de humor, gerando um sentimento de tristeza profunda por longos períodos, sendo associado a outros sentimentos relacionados à dor, angústia ou culpa. Além disso, desencadeia no organismo vários sintomas como a perda de peso, distúrbios de sono, fadiga ou problemas psicomotores. Atualmente a principal linha de tratamento compreende na utilização de farmacoterapia acompanhada das atividades da psicologia, entretanto, outras estratégias estão em desenvolvimento.

Alguns estudos publicados mostram a utilização da luz sozinha ou então, combinada com antidepressivos, benéfica aos pacientes desta patologia. Neste estudo (Link), alguns pacientes foram tratados com a exposição a luz brilhante por 30 minutos logo após acordar, outros passaram pelo tratamento com a combinação com antidepressivos, neste caso, a fluoxetina.

Os resultados desta pesquisa mostraram que 76% dos pacientes que receberam a combinação mostraram melhoras nos sintomas. Já no caso do grupo que recebeu apenas a luz, a porcentagem de pacientes foi de 50%. Já a remissão dos sintomas ao final do tratamento foi observada em 59% e 44% dos pacientes que receberam a combinação de ambas as metodologias ou somente a luz brilhante. Desta forma, os potenciais desta metodologia começam a aparecer e outros estudos seriam necessários para explorá-los melhor.

Vale lembrar que toda metodologia de tratamento requer muitos estudos e testes para sua validação. Isto porque os mecanismos de ação da luz brilhante ainda não estão totalmente entendidos, principalmente na utilização para o tratamento da depressão.

Outros estudos já testaram a luz brilhante no tratamento do transtorno afetivo sazonal (TAS), muito incidente em países onde o inverno possui dias curtos e com pouco tempo de luz solar. A premissa destes estudos é baseada no efeito terapêutico da correção do ciclo circadiano. Além disso, os pesquisadores sugerem que a luz poderia modular a produção de neurotransmissores envolvidos na patogênese da depressão – serotonina, noradrenalina e dopamina.

Mesmo que os antidepressivos, como a fluoxetina ou a paroxetina, sejam eficazes, a luz brilhante se mostra uma alternativa mais barata. Nos países onde o TAS é muito incidente, a luz brilhante já é recomendada como alternativa da linha de tratamento, sem efeitos colaterais significativos. Outros estudos trazem eficácia da luz brilhante também no tratamento da depressão pós-parto.

Estudos mais antigos (Link) mostraram que os sintomas da depressão, como distúrbios do sono e também decorrências do ciclo circadiano abalado – sintomas no trato gastrointestinal – foram amortecidos a partir da exposição a luz brilhante durante três semanas. Neste mesmo estudo, também foram avaliados hormônios relacionados ao estresse, os quais apresentaram níveis mais baixos após o tratamento. Assim, a luz brilhante, ao alterar o ciclo circadiano, promove efeitos benéficos a pacientes de vários tipos de depressão, diminuindo ainda o estresse.

Mas como?

Um estudo (Link) foi conduzido para que se obtivesse esta resposta. Utilizando a exposição a luz brilhante no período da manhã por uma hora e meia durante quatro semanas, monitorando a temperatura corporal (um dos marcadores do ciclo circadiano) de pacientes de TAS, foi possível identificar as mudanças no ciclo circadiano ao decorrer do tratamento.

A exposição a luz brilhante avançou o ciclo circadiano em cerca de 1 hora e aumentou a proporção entre sono-vigília, assim, os pacientes passaram a dormir mais. Tais mudanças não apresentaram muitos indícios de efeitos antidepressivos, entretanto, os pesquisadores indicaram que 75% dos pacientes mostraram melhoras mais expressivas de seus quadros de depressão justamente por possuir o ciclo circadiano mais próximo do ideal após o tratamento.

O tratamento da depressão utilizando a luz brilhante é capaz de alterar os padrões do ciclo circadiano até assumindo propriedades terapêuticas.

Os mecanismos de ação da luz no tratamento da depressão podem ser resumidos assim pela diminuição dos níveis circulantes da melatonina durante o dia. Desta maneira, o relógio biológico do organismo regula consequentemente o funcionamento do organismo, como o ritmo gastrointestinal, secreção hormonal, temperatura corporal e padrões de sono – promovendo um mecanismo de terapia apenas pela modulação dos ciclos fisiológicos.

Entretanto, no mesmo período de desenvolvimento da terapia da luz brilhante para o tratamento da depressão, outra tecnologia também foi desenvolvida utilizando a luz como agente auxiliar ao processo de cicatrização; neste caso, a luz possui outro mecanismo de ação e exige um texto a parte para sua explicação. Assim, no próximo texto veremos como a luz atua no processo de cicatrização e como essa tecnologia tem sido utilizada.

2.8.17

Luz e saúde I: o ciclo circadiano e suas peculiaridades

Luz e saúde I: o ciclo circadiano e suas peculiaridades

O que é o ciclo circadiano, qual a ação dos aparelhos eletrônicos sobre ele e novas metodologias no tratamento de algumas doenças utilizando a luz.

A luz é mais importante para nós do que imaginamos: é essencial para o nosso relógio biológico, mas como os nossos hábitos com os aparelhos eletrônicos podem alterar o nosso relógio biológico? Além disso, novos estudos indicam a luz como ferramenta no tratamento de algumas doenças, mas como a luz pode adotar papel benéfico ou ruim para a nossa saúde?

Cada vez mais nos vemos dependentes da ‘era digital’. Os aparelhos eletrônicos, como computadores e celulares, se tornaram ferramentas essenciais, como a que você está utilizando neste momento, e conhecemos muito bem suas funcionalidades: mandar mensagens, tirar fotos, acessar a internet e redes sociais, assim, nos comunicar. A cada dia fica mais difícil ficar sem utilizá-los, seja por trabalho, estudo ou diversão.

Entretanto, os problemas da utilização excessiva se mostram por exemplo, a partir de estudos publicados mostrando o uso excessivo do celular desencadeando síndromes psicológicas ligadas a ansiedade, principalmente – a chamada nomofobia (Link). Outros ainda indicam lesões nos membros relacionadas a utilização prolongada dos celulares (Link). Além disso, há relatos de distúrbios causados principalmente pelo desbalanço do nosso ciclo circadiano (Link).

Mas o que seria o ciclo circadiano? 

A partir da etimologia da palavra (do latim circa diem - que pode ser entendido como “cerca de um dia”) indica-se o ciclo circadiano como todas as alterações fisiológicas que decorrem do controle do hipotálamo sobre nossas atividades diárias, como o sono e a alimentação. Assim, o nosso ‘relógio biológico’ responde a variações no ambiente, como a intensidade da luz, regulando o ciclo sono-vigília, indicando a necessidade de dormir, ou então, acordarmos, por exemplo.

Baseando-nos então nos princípios do ciclo circadiano, fica mais fácil entender como a utilização excessiva dos aparelhos eletrônicos pode nos trazer problemas. Veja, não apenas os celulares, mas todo equipamento que emite luz, principalmente azul, interfere na nossa percepção de claridade e assim, na regulação do ciclo circadiano. A medida que o dia acaba, a menor intensidade de luz desencadeia a liberação de melatonina, hormônio o qual é frequentemente associado ao sono e a interpretação da noite pelo organismo. Utilizar os equipamentos no período da noite desregula nossa percepção do horário, podendo gerar incômodos como a insônia (Link).

Isto porque, alguns neurônios na nossa retina são especializados na percepção da luz, sem a finalidade de necessariamente formar imagem. No caso, tais neurônios expressam a substância fotoreceptora melanopsina, sendo fotossensível ao comprimento de onda de 480 nanômetros (nm), dentro do espectro azul da luz visível. Estes neurônios se comunicam com muitas áreas do encéfalo, justamente a fim de modular a atividade de diversas funções do organismo, uma das funções do ciclo circadiano.


Os LEDs utilizados na maioria dos equipamentos eletrônicos (televisões, monitores, celulares, tablets e outros) utilizam o comprimento de onda de 460 nm para gerar a luz branca, o que dá o seu aspecto azulado. Desta maneira, não é de se surpreender que a utilização prolongada destes equipamentos interfira na interpretação do horário, afinal uma fonte de luz de alta intensidade em uma distância muito pequena, justamente emitindo um comprimento de onda muito próximo ao pico de fotosensibilidade dos neurônios responsáveis pela modulação do ciclo circadiano não ajuda muito nosso organismo a entender quando é dia ou noite, ainda mais quando estes efeitos são levados ao longo prazo.

Mesmo que a exposição excessiva à luz azul esteja relacionada a muitos problemas citados, a luz também tem sido testada para o tratamento de algumas doenças, como a depressão, além de aliviar sintomas da doença de Parkinson. Claro que os mecanismos por trás destes achados ainda estão em estudo e muitos outros devem ser feitos até que se entenda como a luz pode nos ajudar a tratar doenças.

Justamente por interferir em um sistema que pode controlar muitas funções do nosso organismo, a luz se mostra um importante método alternativo de terapia. No caso da doença de Parkinson, o estudo utilizando a luz dividiu os pacientes em dois grupos: o primeiro grupo foi formado por pacientes expostos a uma caixa de luz brilhante por duas vezes ao dia, durante duas semanas e o segundo grupo foi composto de pacientes que foram expostos a uma caixa com luz vermelha, como controle. Ao final do teste, os pacientes do primeiro grupo se apresentaram mais ativos durante o dia e ainda, sinais de melhora nos sintomas relacionados à movimentação característica da doença, quando comparados ao grupo controle (Link).

O grande potencial destas metodologias envolve muitas questões que ainda precisarão ser melhor estudadas. Isto porque todas as terapias apresentam limitações, e neste caso, a luz é frequentemente associada a outros distúrbios, como os relacionados nesta matéria. Desta forma, tal metodologia, a partir de outros estudos futuros, poderia diminuir a utilização de medicamentos e seus efeitos adversos.

No próximo texto, veremos como a luz pode ser utilizada também como artifício na cicatrização de feridas, assim como na resolução de outras doenças, como a depressão. Se você tem alguma colocação, comentário ou sugestão para os próximos textos, fique à vontade, ok?

Oportunidade de Iniciação Científica na UFMG

Oportunidade de Iniciação Científica na UFMG

O Birbrair Lab (Laboratório de Microambiente Tecidual no Departamento de Patologia da UFMG) está recrutando estudantes para uma vaga de Iniciação Científica. Para a candidatura, é desejável ter alta motivação e potencial para seguir carreira na área de pesquisa acadêmica, ser capaz de fazer parte de uma equipe multidisciplinar, pensar criticamente e de forma independente.


Os principais temas estudados no laboratório são:

➥ Microambiente celular do tumor, especialmente em tumores de mama e próstata;
➥ Papel do Sistema Nervoso Periférico (autônomo e sensorial) na regulação das células-tronco, bem como de outros tipos de células;
➥ Papel dos pericitos e células-tronco na fisiopatologia de doenças tropicais, como Doença de Chagas, Leishmaniose, entre outras;
➥ Biologia das células-tronco de vários tecidos, incluindo o Sistema Nervoso Central;
➥ Transplante de células, tecidos e órgãos.

As pessoas interessadas em fazer parte da equipe devem enviar o Currículo Lattes para o e-mail do professor Alexander Birbrair (birbrairlab@gmail.com) com uma carta, descrevendo os objetivos da carreira.

Site do laboratório: www.icb.ufmg.br/birbrair

14.7.17

XXV Congresso Brasileiro de Parasitologia

XXV Congresso Brasileiro de Parasitologia

Com o tema "Evolução e diversidade dos parasitos", a Sociedade Brasileira de Parasitologia organiza o XXV Congresso Brasileiro de Patologia, que acontecerá entre os dias 3 e 6 de setembro de 2017, na cidade de Búzios - RJ.


Principal evento da especialidade no Brasil, o congresso tem frequência bienal há pelo menos 50 anos. Nele, são discutidos temas como meio ambiente, modificações ambientais, movimento populacional, proteômica, biodiversidade, diagnóstico molecular e estrutural, epidemiologia molecular, genômica, taxonomia, vacinas, vetores e muitos outros.

Os quatro minicursos serão disponibilizados no primeiro dia do congresso: exame parasitológico de fezes, proteômica aplicada a Parasitologia, diagnóstico molecular de protozoários entéricos e sistemática molecular (Bioinformática). Na sequência do evento, mais de 80 palestrantes (nacionais e internacionais) abordarão os temas mais relevantes da especialidade e avaliarão os trabalhos apresentados.

A edição deste ano será no Centro de Convenções do Hotel Atlântico Búzios, situado à frente da Baía da Armação de Búzios e a duas horas da capital Rio de Janeiro. Os interessados deverão se inscrever exclusivamente pelo site do evento, que contém a ficha de inscrição e os valores para cada categoria.

6.7.17

Conteúdo científico: acesso aberto ou pago?

Conteúdo científico: acesso aberto ou pago?

Você já deve ter se perguntado por que o acesso a alguns artigos científicos é aberto e a outros é pago. Atualmente, qualquer pessoa que queira ler artigos deve acessá-los por meio da internet, pagando ou não o seu custo. Geralmente, a maioria das editoras têm direitos sobre os artigos em suas revistas e o autor é quem decide como será essa disponibilidade.


De modo geral, os artigos são a moeda pela qual uma pesquisa é avaliada. Os diversos tipos de periódicos alteram o valor agregado ao trabalho e o perfil dos leitores. Essencialmente, o artigo é um produto qualquer antes de ser divulgado, e sua publicação marca e comercializa esse produto.

Muitas instituições possuem licenças que possibilitam aos usuários acessarem conteúdos restritos gratuitamente. Mas estes acordos envolvem longas negociações para a utilização anual do conteúdo, que por vezes é limitado e custa caro, muito caro.

Pagar o acesso a artigos de revistas faz todo o sentido no mundo da publicação impressa, que requer a produção de cópias físicas dos textos. Mas no mundo da internet, com uma distribuição tão ampla, faz menos sentido.

No entanto, executar a manutenção de um periódico ainda tem custos reais. As margens de lucro mais altas são menores de 40% em grandes editoras. O acesso aberto é um modelo de negócio onde o custo total é bancado pelo autor, e por isso é gratuito.

Além disso, com o desenvolvimento da internet, não é mais necessário passar a maior parte do dia em bibliotecas com pilhas de periódicos e as últimas cópias impressas de artigos científicos. Uma enorme variedade de conteúdo está disponível na rede e pode ser acessada de nossos próprios computadores.

Na hora de publicar um artigo, o pesquisador leva em conta alguns fatores que podem determinar se o periódico terá acesso aberto ou conteúdo pago. A visibilidade do trabalho, os custos envolvidos, o fator de impacto da revista e a facilidade de aceitação do artigo científico ajudam-no a tomar essa decisão.

Quanto maior for o número de pessoas que acessa o artigo, maiores as chances de downloads e leitura. Apesar de não haver relação direta entre o aumento do número de acessos e o aumento de citações, o acesso aberto tem impacto positivo para os artigos científicos, pois permite que a publicação atinja educadores, estudantes e outros pesquisadores com mais facilidade.

Tanto os periódicos tradicionais quanto os de acesso aberto geralmente cobram taxas de publicação, para cobrir gastos com revisões editoriais. O que varia é o valor pago às editoras para o processamento dos artigos pós-aceitação. A quantia cobrada pelos periódicos tradicionais geralmente é por página e/ou quantidade de figuras. Nos jornais de acesso aberto, a taxa pode ser fixa, mas possui um grande intervalo de valores.

A principal preocupação de alguns pesquisadores em publicar artigos em revistas de acesso aberto está na qualidade e no fator de impacto. Muitas delas são novas e não tão bem estabelecidas em áreas comuns do conhecimento científico. Portanto, ter um trabalho publicado em revistas tradicionais e reconhecidas pode aumentar as chances de promoção da pesquisa e obtenção de financiamentos para futuros projetos.

Fatores como a facilidade e o tempo de aceitação também têm relação direta na decisão de publicar. Em áreas que envolvem dados clínicos, o atraso na divulgação de dados pode acarretar consequências negativas a pacientes que esperam por novos métodos terapêuticos. O tempo é ligeiramente menor em revistas de acesso aberto, mas a espera chega a durar vários meses. E isso se agrava nos casos de jornais impressos, quando é necessário agrupar os artigos por assunto, há limitação de espaço e leva um certo tempo para produzir e distribuir as cópias.

Resumidamente, o aumento das publicações de acesso aberto estão alterando o modo com que revistas consideradas tradicionais se definem. Muitas já permitem ser chamadas de híbridas, pois ao publicar o artigo, o autor pode pagar uma taxa adicional para que o público tenha acesso gratuito ao conteúdo. Essa condição facilita a escolha do melhor periódico, pois fornece aos pesquisadores uma publicação com alto fator de impacto, alto prestígio e grande visibilidade.

Leia mais sobre o tema no artigo "Open access: The true cost of science publishing", da revista Nature.

5.7.17

Ideia legislativa para a criação do piso salarial biomédico

Ideia legislativa para a criação do piso salarial biomédico

De acordo com a legislação trabalhista, o empregador não pode pagar um salário inferior ao piso nacional de uma categoria. O piso salarial é o menor salário da categoria profissional estabelecido por sindicatos, sempre superior ao salário mínimo nacional ou estadual, se houver.

O processo, chamado de negociação coletiva, estabelece normas e compromissos entre as partes envolvidas e deve ser respeitado durante sua vigência. O valor do piso salarial pode variar conforme o estado, cidade ou empresa, pois tem validade somente para os trabalhadores abrangidos no documento.

A grande vantagem de uma categoria possuir piso salarial é a possibilidade de ter um valor salarial mínimo para o exercício da atividade profissional. Também diminui a rotatividade da mão de obra, porque desestimula dispensas do empregador para substituição por trabalhadores com salários menores na mesma categoria.


Baseando-se nesses conceitos, o biomédico Francis Dias (Salvador - BA) criou a ideia legislativa que possibilita o debate sobre a criação de um piso salarial para os biomédicos. A classe biomédica sempre esteve na luta por um valor justo e condizente com suas atividades, mas as conversas nunca avançaram.

Se o projeto receber o apoio mínimo de 20 mil pessoas até o dia 2 de agosto de 2017, será encaminhado aos senadores para uma discussão mais aprofundada. No documento, o autor propõe o valor de R$ 4.800,00 por uma jornada de trabalho de 30 horas semanais, destacando a qualidade profissional e a importância de biomédicos nos serviços de saúde. Para apoiar a ideia, acesse o link, vote e compartilhe!


3.7.17

XVII Semana de Biomedicina da UFRJ

XVII Semana de Biomedicina da UFRJ

A XVII Semana de Biomedicina da UFRJ já tem data para acontecer: 7 a 11 de agosto de 2017. O evento é organizado por alunos de graduação do curso Ciências Biológicas - Modalidade Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). As inscrições terão início a partir do dia 4 de julho (terça-feira) às 10 horas da manhã e se encerram no dia 19 de julho (quarta-feira) às 22 horas.

Criada em 1999, a Semana de Biomedicina é um evento idealizado e realizado a partir da livre articulação de alunos do curso de Ciências Biológicas: Modalidade Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro e tem por objetivo a integração entre os estudantes de graduação das ciências biomédicas e demais entusiastas da área a fim de proporcionar um intercâmbio cultural e científico.
Neste ano de 2017, o evento contará com pacotes de palestras, minicursos, profissão biomédico (contato com profissionais de diferentes áreas), mesa redonda e apresentações de trabalhos, com preços acessíveis e variados. É importante ressaltar que não serão aceitas inscrições para dois minicursos que estejam ocorrendo simultaneamente.

O local de realização da Semana de Biomedicina será o Auditório Rodolpho Paulo Rocco (Quinhentão), no Centro de Ciências da Saúde da UFRJ. Para maiores informações e inscrição no evento, acesse e acompanhe as redes sociais:





29.6.17

Meio de identificação IAL / Rugai

Meio de identificação IAL / Rugai

Conhecida como meio IAL (Instituto Adolfo Lutz),  a série bioquímica composta por nove provas foi inicialmente desenvolvida em 1972, por Pessoa & Silva, na qual um meio possibilitava a pesquisa da motilidade e da descarboxilação da lisina. Em 1986, tais provas foram testadas em uma segunda adaptação, com mais reações obtidas no meio clássico de Rugai & Araújo.

Este meio de identificação possibilita todas as reações em um único tubo, verificando basicamente a presença de enzimas, emissão de gás e motilidade. As provas bioquímicas são motilidade da bactéria pela turvação da lisina, lisina descarboxilase, fermentação da glicose, fermentação da sacarose, produção de gás sulfídrico (H₂S), produção de gás, utilização do aminoácido L-triptofano (desaminação), hidrólise da ureia e formação de indol. Em adição, realiza-se a verificação da fermentação de lactose em ágar MacConkey e o teste de citrato, não inclusos no meio.

Elaborado para a triagem de enterobactérias, vibrios e não-fermentadores, o meio IAL permite a identificação dos principais gêneros e espécies de bactérias Gram-negativas: Escherichia coli, Shigella spp., Enterobacter spp., Klebsiella spp., Providencia spp., Morganella morganii, Proteus spp., Salmonella spp., Citrobacter spp., Serratia spp., Vibrio spp. e não-fermentadores.

Pela elevado número de provas bioquímicas em apenas um tubo, é necessário ter prévio conhecimento durante a interpretação do teste. A dificuldade para diferenciar gêneros com resultados de provas bioquímicas similares exige a realização de provas adicionais, como a enzima ornitina por exemplo.


A inoculação é feita com o auxílio de um fio de platina, no qual o microbiologista coleta a amostra da colônia bacteriana, inocula com uma picada até o fundo do tubo e realiza estrias na superfície do meio. Em seguida, o meio é incubado em estufa a 37°C por 18-24 horas.

Realiza-se a leitura das provas comparando-as a uma tabela padronizada, na qual são exibidos os perfis bioquímicos das principais espécies bacterianas pesquisadas. É importante salientar que a caracterização correta de espécies de Enterobacter spp.Serratia spp. Pseudomonas deve ser feita com provas complementares.

TABELA DE INTERPRETAÇÃO DAS PROVAS

7.6.17

Cabines de segurança biológica

Cabines de segurança biológica

O termo cabine de segurança biológica é amplamente utilizado para descrever uma variedade de dispositivos de contenção equipados com filtros, projetados para fornecer proteção pessoal e ao ambiente pela manipulação de materiais biológicos perigosos. Os termo deve ser aplicado aos dispositivos que atendem aos requisitos das especificações de Classe I, II ou III, com base em sua construção, sistemas de exaustão, velocidade e padrões de fluxo de ar.


No início do século 20, o cientista alemão Robert Koch construiu a primeira cabine de bio contenção, após descobrir que micro-organismos poderiam se dispersar no ar. Apesar de vários vazamentos e falhas no modelo, o sistema permitiu que Koch trabalhasse com antraz, tuberculose e cólera.

Com uma estrutura simplificada das cabines, os cientistas da época continuaram a morrer por infecções adquiridas em laboratório. Em crescimento alarmante, o número de infecções disparou e as causas mais comuns eram tuberculose, febre Q e peste bubônica.

Somente em 1943, van den Ende publicou a primeira descrição formal de uma cabine de segurança biológica. O sistema era composto por um fluxo de ar interno com um forno, que também era usado para incinerar o ar de exaustão. Durante o mesmo ano, o primeiro protótipo de uma cabine de segurança biológica de Classe III foi criado por Hubert Kaempf Jr., soldado do exército norte americano. Durante os anos de guerra, o filtro HEPA (High Efficiency Particulate Air) foi desenvolvido pela equipe que mais tarde se tornaria a Comissão de Energia Atômica. O desenvolvimento do filtro HEPA teve um efeito crucial na eficácia das cabines de segurança biológica, proporcionando uma maior proteção aos usuários.

Classe I


A cabine de Classe I possui o design mais básico de todos os equipamentos de segurança biológica disponíveis atualmente. Um fluxo de ar que contém aerossóis gerados durante manipulações microbiológicas se move no interior da cabine. Em seguida, passa por um sistema de filtração que aprisiona todas as partículas e contaminantes no ar. Finalmente, o ar limpo e descontaminado é liberado. O sistema de filtração geralmente é composto por um pré-filtro e um filtro HEPA.

Embora a cabine de Classe I proteja o operador e o ambiente da exposição a riscos biológicos, não impede que as amostras manipuladas entrem em contato com contaminantes que podem estar presentes no ar do ambiente. Como existe a possibilidade de contaminação cruzada e interferência nos procedimentos, a aplicação destes dispositivos é bem limitada. Todas as cabines de segurança biológica de Classe I são adequadas para o trabalho com agentes microbiológicos atribuídos aos níveis de biossegurança 1, 2 e 3.

Classe II


Como as cabines de segurança de Classe I, as de Classe II têm um fluxo de ar interno que se desloca no equipamento, evitando que o aerossol gerado durante manipulações microbiológicas escape pela abertura frontal. No entanto, a entrada do ar flui através da grade dianteira, perto do operador.

A corrente de ar não filtrada não entra na zona de trabalho da cabine, logo o material manipulado não é contaminado pelo ar externo. Uma característica exclusiva das cabines de Classe II é o fluxo de ar filtrado unidirecionalmente, que passa pelo interior da cabine. Isso permite que o ar seja renovado continuamente e protege as amostras manipuladas da contaminação.

As diferenças entre as várias cabines de Classe II disponíveis são, principalmente, na porcentagem de ar exaurido em comparação com o ar recirculado. Além disso, os diferentes tipos têm diferentes meios de exaustão. Alguns armários podem devolver o ar diretamente ao laboratório enquanto outros podem liberar o ar através de um duto para o ambiente externo.

Apesar das diferenças, todos as cabines de Classe II protegem o operador e o ambiente da exposição a riscos biológicos, assim como as amostras durante manipulações. São adequadas para trabalhar com agentes atribuídos aos níveis de biossegurança 1, 2 e 3.

Classe II Tipo A (A1/A2)

A cabine de Classe II tipo A é mais comum entre todos os diferentes tipos disponíveis. Neste tipo, aproximadamente 30% do ar é exaurido e 70% volta a circular na área de trabalho da cabine.

O tipo A1 mantém os contaminantes pressurizado positivamente e, portanto, é menos seguro do que o tipo A2, que tem uma pressão negativa em torno do contaminante pressurizado positivamente. Em caso de vazamento, o aerossol será puxado de volta pela pressão negativa e não irá escapar. Por causa da questão de segurança, o design de tipo A1 é considerado obsoleto.

Classe II Tipo B (B1/B2)

A principal diferença é que as cabines do tipo B liberam o ar para o ambiente externo através de um duto. Sem esse sistema, o ar e os contaminantes seriam enviados para dentro da zona de trabalho através da abertura frontal, criando uma situação de risco ao operador.

No tipo B1, 70% do ar é exaurido e 30% volta a circular na área de trabalho da cabine. Na cabine de tipo B2, todo o fluxo de ar é exaurido após a filtração HEPA para o ambiente externo sem recirculação da zona de trabalho. O tipo B2 é adequado para manipulações de produtos químicos tóxicos em adição a operações microbiológicas, considerando que não ocorre uma nova circulação de ar.

Por isso, teoricamente, as cabines do tipo B2 podem ser consideradas as mais seguras entre os dispositivos de Classe II, já que a exaustão completa de ar atua como um sistema de segurança caso os sistemas de filtragem parem de funcionar corretamente. Entretanto, são difíceis de instalar, serem configuradas e mantidas.

Classe III


A cabine de segurança biológica de Classe III fornece um nível absoluto de segurança, que não pode ser oferecido pelas Classes I e II. São geralmente produzidas com metal soldado e projetadas com sistema de estanqueidade de gases. O trabalho é realizado com luvas na frente da cabine, que criam uma barreira física entre a amostra e o operador. Durante a rotina, a pressão negativa em relação ao ambiente é mantida dentro da cabine, fornecendo um mecanismo adicional de proteção contra falhas, caso a contenção física seja comprometida. Os materiais são transferidos para o interior da cabine por uma unidade de passagem instalada na parte lateral.

Em todas as cabines de Classe III, o ar filtrado HEPA fornece proteção ao produto e evita a contaminação cruzada de amostras. Alternativamente, pode-se utilizar uma filtração HEPA dupla em série. Devolvido ao ambiente do laboratório ou exaurido para o exterior, o ar é geralmente filtrado ou incinerado antes do processo.

Todas as cabines de segurança biológica de Classe III são adequadas para o trabalho com agentes microbiológicos atribuídos aos níveis de biossegurança 1, 2, 3 e 4. Elas são frequentemente empregadas em trabalhos envolvendo os perigos biológicos mais letais.

6.6.17

Concurso público para o CRBM 3ª Região

Concurso público para o CRBM 3ª Região

O Conselho Regional de Biomedicina - 3ª Região, que compreende os estados de Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso, Minas Gerais e Tocantins, está promovendo um concurso para a contratação de cargos de nível médio e superior.


A realização do concurso será feita pelo Instituto Quadrix, instituição de direito privado com experiência comprovada em processos de seleção de profissional por meio de concursos públicos e processos seletivos.

As inscrições devem ser realizadas pelo site http://www.quadrix.org.br/ no período de 6 de junho a 12 de julho de 2017, com o pagamento da taxa de R$ 49,00 e R$ 59,00 de acordo com o cargo escolhido.

Conforme o edital, as provas objetivas serão aplicadas no dia 06 de agosto de 2017 e a divulgação do resultado final do concurso, considerando a prova de título para os cargos de nível superior, está programada para o dia 01 de novembro de 2017.

NÍVEL MÉDIO

Auxiliar administrativo - vagas e cadastro reserva para Brasília/DF, Goiânia/GO, Belo Horizonte/MG, Divinópolis/MG, Montes Claros/MG, Uberaba/MG e Cuiabá/MT.
Salário: R$ 1.566,67 mais benefícios.

NÍVEL SUPERIOR

Fiscal biomédico - vagas e cadastro reserva para Brasília/DF, Goiânia/GO, Belo Horizonte/MG, Cuiabá/MT e Palmas/TO.
Salário: R$ 3.256,87 mais benefícios.

Jornalista - vagas para Goiânia/GO.
Salário: R$ 2.167,05 mais benefícios.

4.6.17

Concurso público para o CRBM 2ª Região

Concurso público para o CRBM 2ª Região

O Conselho Regional de Biomedicina - 2ª Região, que compreende os estados de Pernambuco, Bahia, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão, em conjunto com a empresa EPL Concursos, está promovendo um concurso público para a contratação de cargos de nível médio e superior.


As inscrições devem ser realizadas pelo site www.eplconcursos.com.br no período de 5 de junho a 5 de julho de 2017, com o pagamento da taxa de R$ 19,00 para todos os cargos.

Considerando o cronograma do edital, as provas objetivas serão aplicadas no dia 27 de agosto de 2017 e a divulgação do resultado final do concurso, considerando prova de títulos e recursos, está programada para o dia 26 de setembro de 2017.

NÍVEL MÉDIO

Agente administrativo - vagas e cadastro reserva para Recife/PE, Fortaleza/CE e Salvador/BA.
Salário: R$ 2.000,00.

NÍVEL SUPERIOR

Fiscal biomédico - vagas e cadastro reserva para Recife/PE, Fortaleza/CE e Salvador/BA.
Salário: R$ 4.300,00.