Bolsas de Estudo


*Texto disponibilizado pelo www.biomedicinatotal.com.br

Acaba de ser descrita pela primeira vez por pesquisadores brasileiros uma doença emergente com sintomas semelhantes aos da Leishmaniose visceral. O parasita até então desconhecido foi responsável por pelo menos duas mortes e cerca de 150 pessoas infectadas. A doença apresenta-se mais grave e resistente a tratamentos.

O primeiro caso foi relatado em 2011, em Aracaju, Sergipe. Um homem de 60 anos deu entrada no hospital já em estado grave, com sintomas de leishmaniose visceral. Segundo o pesquisador Dr. Roque Pacheco Almeida, imunologista da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e chefe do Laboratório de Biologia Molecular do HU, o paciente não respondeu à terapia convencional, que se comportou com quatro recidivas das quais resultaram em novas internações. Ele ainda relata que "Em mais de 30 anos trabalhando com leishmaniose, com mais de 11 mil indivíduos diagnosticados, nunca tinha visto nada parecido". O caso foi relatado em artigo cientifico no periódico Emerging Infectious Disease.

(Foto: Adilson Andrade/AscomUFS)
"Talvez estejamos diante de um grande problema decorrente da presença de um novo agente infeccioso e não dispomos ainda de terapêutica adequada", alerta Roque Pacheco Almeida, pesquisador da UFS.

O caso chamou atenção dos pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos, da Universidade de São Paulo e da UFS. A partir disso, o parasita causador da doença foi isolado e o enviado para análises do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID), em São Paulo. Os resultados da pesquisa evidenciaram que trata-se de uma nova espécie, que infecta mamíferos e pode se tornar uma ameaça a saúde.

Inicialmente os pesquisadores realizaram o sequenciamento de DNA do microrganismo na tentativa de identificar e comparar com demais protozoários. Até então, o que se sabe do parasita sem nome é que apresenta características similares a espécie Crithidia fasciculata, protozoário que infecta insetos, porém não causa infecções em mamíferos.

Segundo Dr. Roque, o agente infeccioso descoberto tem o potencial de gerar problemas de saúde pública e enfatiza que estudos devem ser realizados para a compreensão da biologia do hospedeiro, infecção, fisiopatologia e tratamento. 

Referências/fonte

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