Bolsas de Estudo

Os antibióticos são um dos tipos de medicamentos mais utilizados. Entretanto, há grande preocupação relacionada ao uso destes, dado o crescente número de casos de bactérias super-resistentes. Isto se deve, dentre outros fatores, ao uso incorreto dos antibióticos. Neste sentido, várias estratégias são empregadas no combate às bactérias super-resistentes. No Brasil, por exemplo, a retenção da receita para antibióticos nas farmácias é obrigatória desde 2011.

Somente em 2015, foram comercializadas 73 milhões de embalagens de antibióticos, de acordo com dados do Sistema de Acompanhamento do Mercado de Medicamentos (Sammed). Os antibióticos representam grande parte das receitas também em ambiente hospitalar. Assim, o ambiente hospitalar também merece atenção ao aparecimento de bactérias super-resistentes, justamente pela grande concentração de pacientes e da circulação destes.

A resistência e o tratamento com antibióticos
A resistência acontece quando bactérias são expostas repetidas vezes a um ou mais antibióticos, adquirindo sua resistência a partir de diferentes mecanismos: mutações e troca de plasmídeos, por exemplo. Deste modo, os antibióticos deixam de ser eficazes no tratamento. Estudos recentes no Brasil identificaram a presença de bactérias resistentes circulando inclusive em ambiente extra hospitalar. Ainda, a resistência bacteriana prejudica o tratamento de diversas doenças muito prevalentes e importantes na saúde pública, como as infecções do trato urinário.

Desta forma, o tratamento com antibióticos requer cuidados, dada a facilidade de seleção dos microrganismos mais resistentes quando o tratamento não ocorre da maneira adequada. É importante notar que cada antibiótico possui um determinado espectro, o qual define sua eficácia quanto aos diferentes tipos de bactérias. Assim como foi visto em um texto anterior aqui do Biomedicina Brasil, os antibióticos possuem diferentes mecanismos de ação. Além disso, é importante ressaltar que os antibióticos são eficazes apenas contra bactérias, sendo inúteis no tratamento de infecções fúngicas e virais.

Recomenda-se que não se faça a automedicação e que se consulte um médico a partir do aparecimento dos primeiros sinais de infecção. É de grande importância a difusão desta medida, dado que os sintomas de diferentes infecções podem ser semelhantes e que o tratamento das infecções apresenta menores complicações quando rapidamente iniciado.

Além da automedicação, outro fator responsável pelo aumento dos casos de bactérias super-resistentes a antibióticos é justamente seu extenso uso nas UTIs. Os pacientes internados nas UTIs são medicados com grande quantidade de antibióticos. Justamente os hospitais representam um ambiente de grande circulação de bactérias e consequentemente aumentam as chances de se desenvolver um microrganismo super-resistente.

Algumas estratégias por parte de instituições de saúde para reduzir a possível seleção de bactérias resistentes foi reduzir o tempo de internação dos pacientes os quais estavam internados somente pela medicação e alterando para a aplicação domiciliar quando possível. Entretanto, nem sempre a mesma estratégia pode ser eficaz hospitais diferentes, dado que os microrganismos presentes em cada hospital, assim como o perfil de resistência destes, difere-se entre as próprias instituições.

Cuidados no tratamento
Além de não se automedicar, é expressamente recomendado seguir rigorosamente as instruções da prescrição médica (a dose, o intervalo e duração do tratamento) a fim de que se evite a reincidência da infecção e seleção de bactérias resistentes. Outra medida muito importante no tratamento de infecções bacterianas é evitar o consumo de bebidas alcóolicas, dada a sobrecarga ao metabolismo hepático que ocorreria.

É importante também notar que possam haver possíveis interações com outros medicamentos, por exemplo as pílulas anticoncepcionais. Neste caso, ocorre a diminuição do efeito dos anticoncepcionais pelos antibióticos devido a redução da microbiota intestinal. A microbiota intestinal é responsável por parte da absorção dos anticoncepcionais pelo organismo. Além deste efeito, uma possível interação entre os medicamentos pode acelerar o metabolismo dos anticoncepcionais. Nestas duas interações, o efeito dos anticoncepcionais diminui de maneira muito importante, exigindo atenção do paciente e da equipe de saúde envolvida.

Este estudo aponta que o mal-uso de antibióticos pode aumentar a suscetibilidade a infecções devido as alterações que provocam na microbiota intestinal, que altera a resposta imunológica do organismo. O controle de infecções bacterianas também passa pela correta higienização das mãos sempre que possível. Em alguns locais públicos, como shoppings ou aeroportos, são oferecidas toalhas de papel descartáveis, ou então secadores de ar quente. Em um estudo, foi verificado que o uso dos sopradores poderia facilitar a dispersão das bactérias no ambiente. Somado a má higienização das mãos, o ar quente passa a espalhar as bactérias em uma espécie de aerossol. Desta maneira, o uso destes equipamentos, segundo o estudo, deveria ser evitado.

A correta higienização das mãos é feita com sabão e água, aliado ao uso do álcool 70%, como foi visto neste droplet anterior. Esta medida é essencial tanto para profissionais da saúde, em contato com pacientes e/ou suas amostras, quanto para a população geral. Uma das principais vias de contaminação é justamente através do contato direto entre superfícies contaminadas e outras mucosas.

O combate ao aparecimento das bactérias super-resistentes deve ser feito através do correto uso de antibióticos, mas também através da correta higiene pessoal, de locais e superfícies de uso comum (corrimãos, botões de elevador, maçanetas, por exemplo), em especial em ambientes hospitalares. Adotando-se medidas sanitárias de prevenção e a correta utilização dos antibióticos, reduz-se as chances do aparecimento de microrganismos super-resistentes.

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