Bolsas de Estudo
Os medicamentos representam um dos avanços mais importantes da medicina moderna. Mas podemos considerar todo medicamento como um remédio? Qual é a diferença entre as diferentes formas dos medicamentos? Neste Droplet Biomedicina Brasil, abordaremos alguns conceitos relacionados aos medicamentos e algumas possíveis dúvidas relacionadas ao nosso cotidiano.


Alguns chás são recomendados para dores de estômago (hortelã, gengibre e alecrim, etc). O consumo de chá seria considerado um remédio? Sim. Para finalidades acadêmicas, definimos remédio como qualquer método terapêutico que aliviam incômodos. Desta maneira, o exercício físico, a meditação, a massagem e o próprio chá podem ser considerados remédios, inclusive os medicamentos.

Entretanto, nem todo remédio é de fato um medicamento. A definição de medicamento é, em linhas gerais, um produto terapêutico desenvolvido baseado em achados científicos que responde à exigências sanitárias e fiscais. Assim, se fossemos muito criteriosos com os conceitos a todo tempo, quando oferecemos ajuda a um amigo, o correto a falar seria: “buscarei um medicamento para você”. Evidentemente não é este o caso e deixaremos as discussões conceituais de lado. As diferentes formas dos medicamentos são denominadas formas farmacêuticas. Embora todas sejam basicamente uma apresentação do composto ativo – fármaco – possuem sim suas diferenças.

A forma farmacêutica está relacionada com o processo de absorção do fármaco. Isto é, cada medicamento possui uma forma farmacêutica mais apropriada de acordo com a substância a ser administrada, assim como a dose necessária para um determinada tratamento. Desta maneira, substâncias podem não ser absorvidas em uma região do organismo, então devem ser administradas através de formas farmacêuticas que facilitem sua absorção pelo organismo. Em outro caso, a administração na pele costuma localizar mais o medicamento naquela região (embora haja sim uma pequena parcela que é absorvida e passa a circular no organismo).

Comprimido

A forma farmacêutica talvez mais conhecida é o comprimido. Na sua confecção, é feita a compressão dos ingredientes do medicamento, misturando o princípio ativo (fármaco) e os excipientes (estabilizadores – dióxido de titânio – e substâncias estruturais, como o amido). A fórmula de cada comprimido é baseada na absorção do princípio ativo, que varia para cada tratamento, assim como pela motilidade gastrointestinal (condições como a diarreia ou a constipação afetam diretamente a absorção de comprimidos) e fatores físico-químicos da molécula.

Além disso, dependendo do tratamento necessário, os comprimidos podem ser feitos de maneira que se aumente o período de absorção de um determinado medicamento simplesmente mudando a composição química do revestimento. Outras informações relevantes a respeito dos comprimidos em especial foram discutidas neste outro Droplet.

Alguns comprimidos são necessariamente sublinguais. Isto que dizer que seu desenvolvimento leva em consideração outra via de absorção, diferente da via enteral (através dos intestinos). Neste caso, utiliza-se esta via contando com a metabolização do princípio ativo caso fosse administrado através de um comprimido convencional. O ‘metabolismo de primeira passagem’ é um processo que ocorre no fígado, metabolizando diversas substâncias antes de atingirem a circulação sistêmica. Sua função é essencial na proteção do organismo contra diversas substâncias tóxicas, entretanto, pode diminuir a função farmacológica dos medicamentos.

Desta maneira, os comprimidos sublinguais não devem ser ingeridos. Devem ser acomodados abaixo da língua, para absorção denominada sublingual. Nesta região, a grande quantidade de vasos sanguíneos absorvem o princípio ativo e os direcionam a circulação sistêmica, desta maneira, sem o efeito do metabolismo de primeira passagem.

Comprimidos efervescentes

Comprimidos efervescentes são formas farmacêuticas ainda mais simples do ponto de vista do paciente, uma vez que para a sua ingestão, basta a dissolução em água, sem a necessidade de engolir o comprimido intacto. O único cuidado específico é que se garanta que todo o conteúdo esteja solubilizado, não perdendo conteúdo do comprimido. Exemplos desta classe são os antiácidos, utilizados para azia e os suplementos de vitamina C.

Preparados de maneira semelhante aos comprimidos convencionais, na sua composição há a adição de ácidos fracos, como ácido cítrico ou tartárico. Em contato com a água, o ácido fraco é dissociado e forma-se ácido carbônico, um ácido muito instável. Assim, as bolhas que se formam nada mais são do que o gás carbônico.

Cápsulas

A diferença entre o comprimido e a cápsula é quanto a composição do envoltório, aumentando o tempo de liberação do medicamento no organismo, uma vez que por serem de material gelatinoso (com algumas diferenças quanto as proporções, de cada medicamento em questão). Ajuda também a evitar que o composto entre em contato direto com a mucosa do trato gastrointestinal, que pode ser irritante (o que poderia incomodar a região da boca) ou possuir sabor desagradável.

Drágeas

Por último, a drágea é uma forma farmacêutica muito semelhante aos comprimidos, sendo o material que a reveste mais resistente, impedindo a degradação do princípio ativo em estágios iniciais do trato digestório, normalmente de composição glicídica.


Embora os comprimidos, cápsulas e drágeas sejam relativamente simples de serem administrados, é comum ocorrerem dúvidas quanto à suas respectivas utilizações. Desta maneira, foram compiladas algumas questões quanto ao funcionamento destas.

É correto mastigar comprimidos?

Não! A não ser que o comprimido seja mastigável, mastigar os comprimidos altera totalmente a liberação do princípio ativo (além de diminuir a quantidade ingerida), que por sua vez diminui consideravelmente a sua eficácia. No caso dos comprimidos revestidos, ocorre a inativação do princípio ativo no estômago e ainda, no caso dos comprimidos de liberação lenta, pode ocorrer uma intoxicação.

Posso abrir as cápsulas?

Não! Além de garantir a melhor absorção do princípio ativo do medicamento, a cápsula também protege a mucosa do trato gastrointestinal de possíveis interações com o princípio ativo, que pode gerar reações inflamatórias, a depender de sua natureza.

Tomar comprimidos com outros líquidos além de água?

Não é recomendado. Em caso de alguns antibióticos, por exemplo, se ingeridos junto ao leite, há uma diminuição do efeito do antibiótico por conta da interação com o cálcio presente no leite, inviabilizando sua atividade no organismo.

Devo engolir um comprimido efervescente?

Não é recomendado. O preparo destes medicamentos deve ser preferencialmente em água, e somente o ingerir após todo o comprimido estiver dissolvido. Do contrário, a reação de dissolução ocorrerá com a própria água do trato gastrointestinal, o que pode ser no mínimo incômodo, e, em casos mais graves provocando pequenos ferimentos na mucosa do trato gastroinstetinal.

Nesse texto, compilamos algumas das formas farmacêuticas mais comuns, diferenciando-as e ainda, respondendo a algumas dúvidas recorrentes quanto a sua utilização. De toda forma, é sempre recomendado que se siga rigorosamente as recomendações do seu médico, assim como que se leia a bula de cada medicamento, seguindo as instruções de preparo e consumo de cada medicamento.

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