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Trabalho premiado pelo IgNobel sugere uma volta em montanha-russa para o tratamento de pedras nos rins



O IgNobel é uma premiação anual a trabalhos científicos considerados mais estranhos e curiosos, porém muitos realmente apresentam bases sólidas científicas. Muitos estudos premiados são inclusive publicado em revistas científicas conceituadas. 

Por mais estranho que pareça, o resultado do trabalho vencedor do prêmio na categoria medicina deste ano sugere que montanhas-russas são capazes de eliminar pedras nos rins. Os autores do trabalho também sugerem que pacientes com cálculos renais menores frequentem montanhas-russas.

O professor David Wartinger, associado a faculdade de medicina osteopática da universidade do estado de Michigan, nos Estados Unidos, começou a investigar casos de pacientes com cálculos renais supostamente expelidos após uma volta em uma montanha-russa do parque de diversões da Disney, inclusive com um caso em que o paciente expelia uma cálculo renal a cada volta no brinquedo.

O estudo do professor Wartinger começou com a modelagem em silicone do sistema renal, a partir de modelos já validados para o ensino, assim como para a prática da cirurgia renal. Adicionaram também a urina e as pedras nos rins, de diferentes tamanhos. Em seguida, levou-se estes modelos a três brinquedos diferentes de parques de diversões, amostrando-se várias vezes em cada um.

O professor David Wartinger demonstra o modelo em silicone utilizado no estudo
em um vídeo que pode ser acessado neste link

Aparentemente há uma montanha-russa específica a qual parece ser mais eficiente nesta questão. O brinquedo “Big Thunder Mountain”, ou grande montanha do trovão, localizada em um dos parques de diversões da Disney desbancou inclusive atrações consideradas mais intensas, como montanhas-russas mais rápidas (oferecendo grandes acelerações) ou então, com “loops”, onde se fica de cabeça para baixo.

O estudo ainda mostra que dependendo da posição em que se senta no carrinho da atração, há maiores chances de sucesso. Ao sentar-se no primeiro carrinho, observou-se 16% de eficiência, ao passo que ao sentar no último carrinho, aumenta-se a 64% de eficiência. Verificou-se também que se os cálculos renais estiverem nas porções medial e inferior dos cálices demonstram eficiência de 55% e 40%, respectivamente. Porém, o resultado mais interessante se dá com os cálculos localizados na porção superior dos cálices renais, uma vez que técnica mostrou a eficiência de 100% em expeli-los.

Os cálices renais
 A conclusão do trabalho mostra que as características da montanha-russa, com muitas subidas e descidas além de ziguezagues acabam por sacudir o corpo de maneira que os cálculos renais acabam expelidos. O estudo piloto – o qual validou o modelo em silicone – pode ser acessado neste link. Mesmo que não se trate de uma prescrição médica, o professor Wartinger sugere que pacientes com pedras nos rins menores ou aqueles que já passaram por litotripsia (quebra das pedras nos rins) deveriam tentar a técnica para auxiliar no tratamento do cálculo renal.

"O prêmio Ignobel honra pesquisas que primeiramente fazem as pessoas rirem, mas depois as fazem pensar"

O IgNobel premia trabalhos científicos considerados estranhos, o que leva as pessoas considerar os trabalhos primeiramente curiosos ou cômicos, mas ao mesmo tempo, que podem nos fazer pensar. O nome IgNobel refere-se a um trocadilho entre as palavras “Ignoble – desprezível e “Nobel” – referente ao sobrenome de Alfred Nobel, precursor da mais importante premiação científica. Prêmios como esse também auxiliam na divulgação científica, uma vez que também aproximam a ciência da população de maneira mais descontraída. A lista de premiados em todas as categorias pode ser acessado neste link (inglês)/ link (português).