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Entrevista com o biomédico imunologista Átila Granados

Átila Granados Afonso de Faria é biomédico imunologista formado pela Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina (UNIFESP-EPM). Mestre e Doutor em Ciências da Saúde pelo Programa de Pós-Graduação em Reumatologia (UNIFESP-EPM), atualmente é consultor de saúde, palestrante de educação e promoção a saúde em empresas (autônomo), docente voluntário de Logosofia e professor assistente no Centro Universitário São Camilo, ministrando disciplinas de Fisiologia, Bromatologia, Interpretação de Exames Laboratoriais e Imunologia Clínica.
Contato  E-mail: atilagranados@yahoo.com.br


Entrevista

Quais os motivos que o fizeram escolher a Imunologia?
Átila Granados - Escolhi a biomedicina porque sempre fui fascinado pelo corpo humano, seus mecanismos, seus sistemas e no curso de ciências biomédicas poderia aprender e conhecer mais sobre o assunto. Cheguei a pensar na medicina, mas gostaria mais do que aplicá-la, mas também participar do desenvolvimento e ensino da medicina. Assim, a biomedicina foi o mais adequado para minhas expectativas profissionais.

Escolhi a área de imunologia porque considero esse sistema um dos mais misteriosos e interessantes de todo organismo. É impressionante decifrar como nos defendemos de tantos agentes microbiológicos em todos momentos, todos os dias. É muito fascinante entender como nossas células se comunicam e se organizam em processos carregados de muita inteligência, complexidade e precisão. Fiz minha primeira iniciação científica na área de autoimunidade e fiquei encantado. Não saí mais dessa área de atuação.

Como é o mercado de trabalho para um imunologista?
Átila Granados - É uma área com importância crescente, tanto na questão de desenvolvimento de vacinas e da nova geração de medicamentos chamados imunobiológicos, como na questão de metodologias modernas que utilizam amplamente produtos da área como anticorpos monoclonais utilizados em citometria de fluxo ou técnicas de microscopia que são amplamente empregadas na pesquisa e também no diagnóstico.

No campo de laboratório de análises clínicas, as técnicas de imunologia ainda são pouco mecanizadas e muito dependentes de operadores qualificados, o que possibilita boas perspectivas no mercado de trabalho.

Na sua opinião, quais as vantagens e desvantagens da Imunologia?
Átila Granados - A imunologia é uma ciência difícil e complexa, exige raciocínio e entendimento e uma possível desvantagem é que o estudo do tema deve ser contínuo. Até podemos dividir em partes didáticas, mas é importante saber que o sistema imunológico é único, trabalha todo coordenado de modo que não é possível ativar uma parte dele sem que as demais sejam relacionadas e ele é também extremamente adaptável aos desafios que é submetido. É preciso ter uma visão ampla de que as coisas acontecem sincronizadas e tudo que acontece acaba por estimular outros eventos e respostas.

É preciso entender os estímulos e quais as respostas especificas que eles desencadeiam. Atuar na imunologia é uma forma de fugir de uma rotina repetitiva, pois o dia-a-dia de um imunologista é sempre bem cheio de surpresas e desafios.

Eu pessoalmente não gosto muito da área de análises clínicas, mas trabalho com laudos investigativos, onde buscamos marcadores de doenças em pacientes com doenças autoimunes raras. Sinto-me feliz e realizado quando vejo que colaboro com o clínico responsável pelo paciente para fechar um diagnóstico ou para indicar melhores recursos para o tratamento. É muito gratificante porque o papel do imunologista laboratorial tem grande relevância clínica, é uma área onde o laboratório faz grande diferença.

Suas considerações finais.
Átila Granados - O biomédico deve se destacar pelo grande domínio e profundidade que conhece sua área de atuação. Isso que nos faz profissionais relevantes nas áreas de atuação de diagnóstico, pesquisa e também ensino.

Independente da área biomédica que for atuar é importante que se busque uma área que atraia interesse. Que desperte a vontade para o estudo e maior investigação para que possa se tornar mais conhecedor do assunto que for atuar. Na imunologia isso é mais do que recomendado, mas fundamental, pois atuamos com tecnologia de ponta e também desenvolvimento de reagentes biológicos amplamente utilizados em tratamentos, pesquisas e diagnósticos.