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Biomedicina e Estética

A Estética está presente desde os povos primitivos, que utilizavam óleos, tatuagens, perfumes e adornos em ocasiões especiais ou celebrações. Com evolução constante ao longo do tempo, a estética foi alvo de muitas críticas e preconceitos, pois acreditava-se que maquiagens poderiam causar doenças e os banhos públicos transmiti-las.

Somente no século XIX os cosméticos ganharam força e, em 1880, a indústria teve um grande crescimento graças aos avanços nos estudos da química orgânica e da composição de óleos e extratos utilizados nos produtos de beleza. A partir daí, cremes, batons e os demais produtos evoluíram até chegarem ao que vemos hoje nos salões, clínicas e lojas pelo mundo.


No Brasil, a profissão surgiu na década de 50, quando Anne Marie Klotz, filha de pais franceses, iniciou atividades estéticas aprendidas e trazidas da França. Rapidamente as técnicas se tornaram um sucesso entre as brasileiras e, a partir desse momento, cursos e laboratórios foram criados para suprir as necessidades do público.

Idealizada com um projeto em 2006, a Biomedicina Estética começou a ser discutida pelo país, por meio de um circuito de palestras. Quatro anos depois, durante o Congresso Brasileiro de Biomedicina de 2010, uma votação em plenária definiu a nova especialidade biomédica. Desde então, os biomédicos estão autorizados a exercerem a profissão, que é uma grande oportunidade para atuação no campo terapêutico e da beleza.

Teoria

Os biomédicos estetas possuem um entendimento avançado em conceitos sobre o metabolismo e sobre as estruturas do corpo humano, e proporcionam terapias para as disfunções estéticas corporais, envelhecimento fisiológico e disfunções metabólicas, garantindo o bem estar de seus pacientes e clientes.

Durante a graduação, os alunos de Biomedicina tem acesso às disciplinas de anatomia, farmacologia, toxicologia e à própria biomedicina estética, que dão base para uma futura especialização na área. O conteúdo teórico dos cursos de pós-graduação complementam esse conhecimento, com temas sobre fisiopatologia estética, cosmetologia, metodologia em pesquisa, farmacologia aplicada e prescrição estética.

Em adição, a especialização aborda todos os procedimentos utilizados na estética, dentre eles: procedimentos injetáveis, perfuro-cortantes, escarificantes não invasivos, laserterapia, eletroterapia, carboxiterapia, exames laboratoriais metabólicos e consultas com prescrição de substâncias e medicamentos para fins estéticos. 

Resoluções

Para habilitação em Estética, os biomédicos devem realizar cursos de pós-graduação lato sensu ou strictu sensu, reconhecidos pelo MEC.

Assim, para inclusão da habilitação conforme o Conselho Regional de Biomedicina, o profissional biomédico deverá obter sua experiência comprovada das seguintes maneiras: pelo título de especialista da Associação Brasileira de Biomedicina (ABBM; onde se faz necessário outros pré-requisitos além de estágios/atuação na área, tempo de atuação, cursos de pós-graduação reconhecidos pelo MEC, etc.), na conclusão da graduação (via estágio supervisionado de 500 horas) e nas residências multi-profissionais ou biomédicas, mediante comprovação de tempo de atuação ou residência.

Prática

Ocupada por profissionais com cursos técnicos e por tecnólogos durante anos, o perfil da Estética tem mudado nos últimos tempos. Atualmente, clínicas e centros de beleza optam pela contratação de especialistas com nível superior, o que indica boa chance do biomédico se inserir no mercado de trabalho.

A indústria farmacêutica e de cosméticos também é uma opção interessante para os biomédicos estetas, pois a formação oferece uma boa base teórica em farmacologia aplicada à estética. Os campos de atuação variam entre controle de produção, auxílio no desenvolvimento de fármacos e até controle de qualidade.

Além das capacitações necessárias, o biomédico esteta pode participar de cursos de extensão, nos quais adquire a experiência prática para atividades mais específicas dentro da área. Assim, torna-se apto a realizar vários procedimentos:

 eletroterapia e eletroestimulação: uso de corrente elétrica para analgesia, contrações musculares e outros efeitos terapêuticos. A estimulação elétrica pode bloquear diretamente a transmissão de sinais de dor ao longo dos nervos. Além disso, a estimulação elétrica promove a liberação de endorfinas, que são analgésicos naturais produzidos pelo corpo;

 lasererapia: aplicação de laser para cicatrização e regeneração tecidual, com função anti-inflamatória e bactericida. Quando as células absorvem a energia luminosa, uma série de eventos se inicia para a normalização de tecido danificado ou ferido, redução na dor, inflamação, edema e redução global no tempo de cicatrização pelo aumento do metabolismo intracelular;

 microagulhamento: uso de pequenas agulhas para aumentar a vasodilatação e tratar estrias e manchas na pele. O procedimento é realizado com um dispositivo coberto com pequenas agulhas para criar minúsculas perfurações na superfície da pele. Depois de causar micro lesões, a técnica estimula a pele a produzir colágeno, contribuindo para uma aparência mais jovem;

 pelling: esfoliação e remoção da epiderme por produtos químicos, físicos ou laser para tratamento de manchas, rugas e cicatrizes. Após a esfoliação, surgirá uma pele de aparência mais jovem, com aspecto suave, brilhante e de textura fina;

 radiofrequência: uso de correntes elétricas de alta frequência que estimula o colágeno e reduz rugas e celulites. A passagem de uma corrente elétrica pela derme a uma profundidade predefinida produz pequenas feridas térmicas que, por sua vez, estimulam a remodelação dérmica para produzir novo colágeno e suavizar os defeitos de cicatrizes;

 ultracavitação: formação de microbolhas induzidas por aparelho ultrassônico no tecido adiposo que desintegram a gordura localizada. O tecido adiposo é eliminado através dos sistemas linfático e urinário. Também é eficaz na redução da celulite, quando aplicado em conjunto com a radiofrequência e a endermologia;

 endermologia ou vacuoterapia: massagem com utilização de vácuo que estimula o colágeno e combate a celulite. A aplicação de pressão em forma de massagem no tecido conjuntivo e camadas subcutâneas irá estimular a circulação local e melhorar a condição da pele;

 criolipólise: congelamento do tecido adiposo por equipamento que elimina os adipócitos. O aparelho puxa e segura a gordura entre dois painéis, resfriando-a por uma hora. Durante o procedimento, o congelamento não afeta a epiderme e órgãos. A pele também é protegida por uma película de gel durante a sessão;

 carboxiterapia: infusão de gás carbônico medicinal na pele para estimular a formação de vasos sanguíneos e combater a celulite. Ao injetar pequenas quantidades de gás carbônico logo abaixo da superfície da pele, ocorre o aumento da circulação sanguínea nessa área e consequente melhora de problemas causados por má circulação sanguínea;

 intradermoterapia: injeção de medicamentos na pele para tratamento de estrias, combater celulite e gordura localizada. Com uma agulha fina, as substâncias são aplicadas e posteriormente eliminam os depósitos de gordura localizados pela estimulação de fibroblastos a fim de produzir colágeno e fibras elásticas.

A endermologia é uma das técnicas empregadas por biomédicos estetas.

Na maioria dos casos, opta-se por uma atuação multiprofissional, em conjunto com especialidades que trabalham com terapias semelhantes. Biomédicos estetas podem ter seu próprio consultório inserido em clínicas de tratamentos fisiológicos, dermatológicos e metabólicos.

A Biomedicina Estética tem sido um mercado promissor, ganhando importância e espaço na sociedade. A relação entre saúde e estética também contribui na busca por métodos alternativos e menos invasivos de tratamento. Além disso, o Brasil está entre os grandes mercados consumidores de produtos estéticos e cosméticos, o que favorece o desenvolvimento da atividade.

Perspectiva da carreira

A atuação do biomédico esteta não se restringe a consultórios e clínicas de estética, mas a grande maioria se concentra nessa área, como profissionais liberais ou sócio/proprietários. Geralmente, profissionais especializados iniciam suas carreiras em clínicas e consultórios.

Como o mercado da estética movimenta bilhões de reais por ano no Brasil, é provável que biomédicos sócio/proprietários de clínicas e consultórios tenham uma remuneração maior. Porém, a renda depende em grande parte da lucratividade e do número de procedimentos realizados.