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O papel da microbiota intestinal sobre o desenvolvimento de distúrbios do comportamento

Cada vez mais evidências mostram o papel das bactérias presentes em nosso organismo sobre nossa própria fisiologia. Especialmente sobre o nosso comportamento, uma vez que estudos mais recentes trouxeram resultados interessantes para o entendimento da relação entre os microrganismos presentes no intestino e o desenvolvimento de distúrbios psiquiátricos.


A ideia de que os microrganismos componham uma parcela significativa de nosso organismo já não é tão nova assim, sendo uma relação muito interessante para ambos as partes envolvidas. A quantidade de bactérias pode superar em até dez vezes o número de células do nosso corpo, entretanto, correspondem em média a 3% de nosso peso. Ainda, sabe-se que esta é definida por parâmetros logo ao nascimento, porém, costuma-se relacionar a composição da chamada microbiota – todos os microrganismos presentes em nosso organismo – principalmente aos nossos hábitos alimentares. 

Sabe-se que a microbiota presente no intestino é alterada por padrões alimentares, por exemplo, da mesma maneira que esta microbiota alterada pode alterar por sua vez nosso comportamento. Algumas condições recorrentes no mundo moderno podem até agravar esta situação, como no caso de antibióticos: normalmente com o uso prolongado de antibióticos, há alteração da composição da microbiota. Estas alterações podem inclusive fazer parte do processo de desenvolvimento de distúrbios psicológicos, como a depressão, embora ainda não se saiba com precisão qual a parcela de contribuição da alteração da microbiota para este.

Outras possíveis implicações de uma microbiota alterada também já foram registradas, como a integridade das amígdalas e do processo de mielinização do córtex pré-frontal. Normalmente associa-se as amigdalas a uma região de processamento do comportamento social ou ainda, ao processamento do comportamento relacionado a ansiedade assim como o medo. Já o processo de mielinização do córtex pré-frontal é visto como um dos fatores para o desenvolvimento de alguns distúrbios relacionados a depressão. Nota-se a microbiota de pacientes de depressão diferente de indivíduos saudáveis.

Desta forma, é possível relacionar diretamente o papel da alimentação sobre a composição da microbiota intestinal e o papel desta sobre o desenvolvimento de distúrbios psicológicos e psiquiátricos. Já foi relatado como alimentos pró-bióticos – os quais contém os próprios microrganismos – no tratamento de pacientes com depressão. Além disso, a microbiota alterada também parece influenciar na absorção de nutrientes necessários a manutenção do metabolismo de neurotransmissores, principalmente da serotonina.


O primeiro alimento que afeta a composição da microbiota é o próprio leite materno, fonte de uma diversidade de bactérias da microbiota intestinal. Dentre estas, bactérias envolvidas na produção de substâncias de propriedade ansiolítica. Assim, presume-se o importante papel do aleitamento materno inclusive sobre o desenvolvimento do organismo como um todo, uma vez que alterações nesta fase da vida podem surtir alterações que perdurarão para o resto da vida, alterando o desenvolvimento do organismo como um todo.

Os pesquisadores somam esforços na tentativa de elucidar os mecanismos responsáveis por estas atividades da microbiota sobre o sistema nervoso. O sistema nervoso entérico (SNE) possui uma quantidade razoável de neurônios quando comparado ao sistema nervoso central, no entanto, sabe-se que estes neurônios são responsáveis por um controle local do funcionamento gastrointestinal.

A relação entre os neurônios do SNE e a microbiota pode estar baseada na síntese de substâncias pelos microrganismos, as quais foram mostradas como potenciais moduladoras da atividade destes neurônios, como o butirato, propionato e acetato. Estas substâncias já foram testadas sobre o tratamento de outras doenças, como a obesidade, doenças inflamatórias do trato gastro-intestinal e alguns distúrbios psiquiátricos. Estima-se também que o nervo vago esteja ligado com a comunicação entre a microbiota intestinal e alguns distúrbios neurológicos.

Para acesso aos estudos citados e mais informações, acesse a matéria do portal Com Ciência.