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Entrevista com o biomédico Fredson Serejo, do curso Prepara Biomédico

Em entrevista exclusiva ao blog Biomedicina Brasil, o biomédico Dr. Fredson Costa Serejo, coordenador do famoso curso Prepara Biomédico, fala de sua carreira e projetos, fala um pouco da sua vida e da sua formação. 

Biomédico e Doutor Fredson Serejo incentiva "Biomédicos em 1º Lugar nos concursos".

Possui graduação em Ciências Biológicas Modalidade Médica pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (2000), Aperfeiçoamento em EAD para Pequenas e Médias IES pela ABMES (2014), Especialista em Educação na Saúde para Preceptores do SUS pelo Instituto Sírio Libanês/Ministério da Saúde (2014), Especialista em Micropolítica e Gestão do Trabalho em Saúde pela Universidade Federal Fluminense/DEGES/SGTES/Ministério da Saúde (2015), Mestrado em Ciências Biológicas (Biofísica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2003) e Doutorado em Ciências Biológicas (Biofísica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2008). Atualmente é Professor Adjunto do Centro Universitário Barra Mansa; Biomédico na Prefeitura Municipal de Porto Real/RJ, Consultor em Ensino a Distância e Coordenador do Curso Prepara Biomédico - Preparatório de Concursos Biomédicos. Tem experiência nas áreas de Biofísica, Bioquímica, Bioestatística, Saúde Pública e Ensino a Distância. 

Concursado pela Prefeitura de Porto Real/RJ onde atuou na área de Gestão de Saúde Pública. Como Biomédico participou de várias áreas diferentes como Planejamento de Saúde, Atenção Básica, Vigilância em Saúde, Educação em Saúde e Educação Permanente, dando-lhe sólidos conhecimentos no Sistema Único de Saúde. Atualmente, trabalha no Laboratório de Análises Clínicas do Hospital Municipal realizando atividades pós-analíticas e de regulação de exames externos; Além disso, é professor da Universidade de Barra Mansa/RJ onde ministra as Disciplinas de Biofísica, Bioquímica e Bioestatística para os diversos cursos da área da saúde. Desde 2017 é *CEO do Prepara Biomédico. 

*CEO (Chief Executive Officer) significa Diretor Executivo – É a pessoa com maior autoridade na hierarquia operacional de uma organização. 



Raphaella Ingrid (Biomedicina Brasil): Que área escolheu para atuar e quais são as propostas do Blog Prepara Biomédico e Cursos? 

Dr. Fredson: No início almejava prestar um novo concurso público e tinha feito um acordo com minha esposa de aguardar 5 anos até ela terminar o curso de Direito. Então no último ano comecei a postar algumas coisas sobre técnicas de estudos e concursos e as pessoas começaram a curtir. Fiz então um levantamento sobre as necessidades de cursos na área e observei a carência de cursos preparatórios para a nossa área... foi aí que surgiu a ideia! Pude conciliar meus conhecimentos de “educação a distância” da pós-graduação que tinha feito no Sírio Libanês e a minha própria técnica de estudar para concursos e assim, iniciei um projeto empreendedor de criar o 1º curso preparatório biomédico online para concursos públicos do Brasil (Prepara Biomédico). 

Raphaella Ingrid (Biomedicina Brasil): Por que escolheu a Biomedicina? 

Dr. Fredson: Tinha passado para Farmácia na UFF e em Biomedicina na UNIRIO e então tentei conciliar até decidir... A Biomedicina me conquistou mais rápido porque todos os professores falavam de pesquisa científica e logo no começo do 3º período já estava na UFRJ trabalhando em um laboratório... assim, não teve mais fim, e esse casamento já dura 18 anos! 

Raphaella Ingrid (Biomedicina Brasil): Como o senhor iniciou sua carreira na Biomedicina? 

Dr. Fredson: Tinha decidido ser pesquisador, mas aprendi que tinha que conhecer um pouco de tudo e não negligenciei as oportunidades! Fiz estágios em áreas bem diversas... Em Pesquisa, Análises Clínicas, Saúde Coletiva... em minha concepção eu tinha que vivenciar tudo o que fosse possível pois não sabia o que seria no futuro! 

Raphaella Ingrid (Biomedicina Brasil): Como foi sua trajetória profissional? 

Dr. Fredson: Não foi fácil... Quando estava no doutorado, já era casado, tinha uma filha de 3 anos, e dava aulas em duas faculdades particulares. Mas, para defender logo a minha tese, optei por ficar em apenas uma faculdade. Quando defendi em 2008, acabei sendo mandado embora da Universidade Gama Filho (que veio a falir logo depois). Fiquei 10 meses desempregado e foi bem complicado (bem mesmo)! Mas com muita dedicação e apoio familiar decidi estudar para concursos. Fazia inscrição em todos os concursos que apareciam, estudava da maneira errada, sem técnica e nunca passava! Foi aí que tomei a decisão de criar uma metodologia própria e um planejamento louco para ser aprovado! Em 2009 fui aprovado e sai da capital do RJ e vim morar no interior do Estado a 200 km. A distância de parentes e de amigos não foi fácil no início, a adaptação ao novo estilo de vida pacato de cidade pequena também foi um desafio, mas gradativamente, fui me acostumando e constatando a qualidade de vida que estava podendo proporcionar a minha família. Passar em um concurso público foi um grande divisor de águas na minha vida! Ter estabilidade foi fundamental para organizar meu futuro e planejar minhas metas profissionais e pessoais! 

Raphaella Ingrid (Biomedicina Brasil): Qual a sua melhor definição para a área que atua? 

Dr. Fredson: Detesto ser taxado com uma dessas habilitações da Biomedicina! Temos que “pensar fora da caixinha” e sempre coloquei isso como meta! O que posso fazer de diferente? É isso que me impulsiona a não ficar na mesmice! Sou Biofísico de formação... Mas isso não gera emprego no Brasil só como professor! Tenho habilitação em Análises Clínicas, mas ganhar mal e ser tratado como técnico de laboratório na rede privada nunca foi meu sonho! Por isso sempre aconselho meus alunos... passe em um concurso, tenha estabilidade e depois busque o empreendedorismo e tente criar inovações, coisas novas para ajudar o mundo a resolver problemas! 

Raphaella Ingrid (Biomedicina Brasil): Quais são os requisitos e perfil necessários para um biomédico se especializar? 

Dr. Fredson: Existem muitas especializações boas... mas poucas onde o biomédico tem exclusividade de trabalhar e isso é um perigo porque ficamos eternamente na competição com outras profissões o que gera um enorme conflito! Temos que ter ousadia de fazer coisas que estão fora do mundo da Biomedicina para agregar novas habilidades! O Biomédico tem que aprender mais sobre inovação e empreendedorismo. 

Raphaella Ingrid (Biomedicina Brasil): O que o senhor considera ser o maior desafio para um profissional Biomédico? 

Dr. Fredson: Seja em qualquer área o Biomédico tem que pensar “fora da caixa”... Existem vários estudos que mostram que 65% das crianças que hoje estão na pré-escola, terão profissões que não existem ainda! Se o Biomédico não mudar seu pensamento a profissão será extinta nas próximas décadas! Já não existe mercado para análises clínicas... estamos batendo cabeça com salários de técnicos... eu publiquei uma pesquisa mostrando que 24% dos recém-formados estão desempregados e que a maioria das pessoas ganham menos de R$ 2 mil... Temos que buscar novas áreas! É urgente isso! 

Raphaella Ingrid (Biomedicina Brasil): Quando começou a se interessar pela área? 

Dr. Fredson: Minha área hoje é o empreendedorismo! E comecei já na faculdade a buscar saber mais sobre isso! Todo mundo tem um negócio, compra e vende de alguém alguma coisa e sempre ficava com isso na cabeça! Meus pais e parentes são comerciantes e ficava sempre pensando que como Biomédico também deveria ter a possibilidade de ter o meu próprio negócio dentro da minha área de conhecimento... Fui fazer alguns cursos no SEBRAE e fui fisgado pelo empreendedorismo! 

Raphaella Ingrid (Biomedicina Brasil): Quais as palavras-chaves que o senhor usa para definir sua especialidade? 

Dr. Fredson: A palavra-chave é buscar a minha valorização! Vejo muitos Biomédicos reclamando de salários ruins... contudo, temos muitas oportunidades de negócios por aí... é “trabalho” não é “emprego” e isso assusta... Para um empregado ele está doido pra terminar a jornada de “8 horas”, o emprego é sempre um “saco”... Para um empresário ele é fascinado por trabalhar “24 horas” porque assim ele pode ganhar mais, principalmente porque ele ama aquilo que faz! 

Raphaella Ingrid (Biomedicina Brasil): Na sua opinião, o que é mais importante para seguir a carreira nesta área? 

Dr. Fredson: Determinação, foco, garra, tem que sempre se manter atualizado, e amar o que faz! 

Raphaella Ingrid (Biomedicina Brasil): Como surgiu a oportunidade de se especializar? 

Dr. Fredson: Assim que terminei a faculdade passei no Mestrado para Engenharia Biomédica na COPPE/UFRJ. Era coisa de louco, muita matemática e computação (até gosto) mas depois com o tempo descobri que como biomédico não poderia assinar os projetos de Engenharia e aí fiquei meio decepcionado. Participei de alguns eventos e conheci algumas pessoas e decidi ir para a Biofísica na UFRJ. Fiz Mestrado e Doutorado lá na área de Isquemia e Reperfusão Cardíaca. Quando passei no concurso sai da área acadêmica e fiquei 5 anos afastado sem estudar, entretanto, no serviço público eles te dão muita liberdade de fazer cursos. Foi aí que comecei a me dedicar a fazer coisas diferentes... Fiz especialização em Gestão Pública Municipal UFF, mas tive que trancar devido à indicação para fazer uma em Educação em Saúde para Preceptores do SUS no Sírio Libanês! Aprendi várias metodologias ativas. Acredito que foi um curso muito inovador na minha vida (aí que surgiu as ideais do Prepara Biomédico). Logo depois, fiz outra Especialização na UFF em Gestão de Saúde Pública que consolidei alguns dos meus projetos de gestão de plataformas de ensino a distância... Por minhas qualificações, fora da minha área técnica, sempre acabei tendo muitas oportunidades de conhecer pessoas e participar de projetos diferentes! Acho que isso é muito importante para a criação de uma carreira diferenciada! Hoje me dedico fortemente ao estudo do Marketing através de consultorias e mentoring e tem aberto a cada dia mais meus olhos para as oportunidades proporcionadas pela Internet! 

Raphaella Ingrid (Biomedicina Brasil): Sabemos que existem muitos profissionais formados a procura de emprego, mas a chave do sucesso está na capacitação? Qual a sua opinião a respeito? 

Dr. Fredson: Temos que nos capacitar sempre! Até o dia da morte! Mas não basta saber ou receber informações temos que saber processar e analisar as informações para buscar aplicar! Tem muita gente por aí com títulos e mais títulos e desempregado (eu fui um)! Não adianta hoje ter doutorado e ficar a mercê de um sistema que não irá te absorver! As pessoas ainda acham que é só estudar e o dinheiro vai chegar... isso acontecia na época dos nossos pais e avós! As relações de trabalho têm mudado e muito! 

Raphaella Ingrid (Biomedicina Brasil): Como está o mercado de trabalho e salário para a área? 

Dr. Fredson: A maioria dos Biomédicos ganha mal e abaixo de 2 a 3 mil reais! A hora aula de um professor com doutorado só chega a 50 reais/hora... É possível reverter isso com posicionamento no mercado, geração de autoridade e marketing pessoal e estratégico... Mas isso não se ensina nas universidades! Depois que investi nessa área pude ver com outros olhos a nossa profissão e digo que os ganhos podem ser infinitamente maiores, mas é uma estrada a percorrer! Somente com a educação formal universitária as pessoas não conseguem sair da média! Tem que ter a ousadia de aprender outras coisas sobre o mercado! 

Raphaella Ingrid (Biomedicina Brasil): Dentro da Biomedicina, já teve vontade de trabalhar em outra área? 

Dr. Fredson: Acho que o biomédico DEVE trabalhar em várias áreas. Hoje em dia vale o ditado da avó: “nunca coloque os ovos numa única cesta” 

Raphaella Ingrid (Biomedicina Brasil): Ao longo de sua carreira profissional existiu algum momento em que enfrentou grande dificuldade? 

Dr. Fredson: Ficar desempregado para mim foi o pior na carreira. Mas hoje reflito que foi o melhor momento para fortalecer as minhas decisões pessoais e criar minha personalidade empreendedora. Nesta fase pude estudar e direcionar meus esforços. A perseverança e a fé em dias melhores foram vitais para estreitar meu relacionamento com Deus! Vale o ditado: “o que não mata, fortalece!” 

Raphaella Ingrid (Biomedicina Brasil): Projeto de vida? 

Dr. Fredson: Tenho publicado artigos sobre a Biomedicina e quero lançar um livro para o próximo ano... Nossa profissão tem mais de 50 anos e nunca ninguém se dedicou a escrever sobre nós! No livro, inclusive, estou convidando alunos e profissionais para mostrar as diversas faces do Biomédico e acho que será bem importante e tomara que dê certo! Outro projeto é o Movimento da União Nacional Biomédica que hoje tem mais de 4700 pessoas no país em grupos de Whatsapp. A ideia é unir as pessoas, discutir a profissão e buscar estratégias de melhoria para a classe pela criação de novas associações, fortalecimento de sindicatos e maior inclusão dos biomédicos nos municípios (temos apenas 30% de cidades com biomédicos no Plano de Cargos e Salários). Essa união possibilitará sem dúvida um maior número de audiências públicas, criação de cargos e aumento da oferta de concursos públicos para os biomédicos! 

Raphaella Ingrid (Biomedicina Brasil): Faça suas considerações finais e deixe uma mensagem aos biomédicos que estão iniciando. 

Dr. Fredson: Pra quem está iniciando deve ter em mente que as profissões têm mudado, as crises do nosso país e flutuações de mercado podem impactar negativamente salários, mas se você pensar “fora da caixa” e ousar fazer coisas importantes que ajudem outras pessoas com certeza terá seu espaço e sua valorização! 


Leitores que desejarem mais informações podem entrar em contato com o profissional pelos seguintes canais: 

E-mail: preparabiomedico@gmail.com 
Instagram: @prof.fredson_serejo