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Você já ouviu falar sobre Bioterrorismo?

Define-se por bioterrorismo o uso de agentes químicos ou biológicos para promover instabilidades econômicas, sociais e ambientais. A utilização desses agentes em massa pode comprometer uma determinada população, já que alguns têm em sua constituição substâncias tóxicas que causam danos aos organismos que entram em contato com estes.


O desenvolvimento, a produção e o uso de armas químicas e biológicas é proibido por definições de países membros da Organização Mundial de Saúde através de tratados internacionais, dentre os quais se destacam o Protocolo de Genebra de 1925, a Convenção sobre Armas Biológicas e Toxinas de 1972 e a Convenção sobre Armas Químicas de 1993.

Nos Estados Unidos a preocupação da segurança nacional contra ataques biológicos levou à promulgação da Lei contra o Bioterrorismo, no ano de 2002. Países das Américas Central e do Sul têm fortalecido suas capacidades de enfrentarem situações de emergência e desastres com auxílio governamental.

Com o intuito de categorizar os agentes causadores de ações bioterroristas, o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) estabelece três grupos:

🔴 Categoria A: pode ser facilmente disseminado ou transmitido de pessoa para pessoa; resulta em altas taxas de mortalidade e tem o potencial de grande impacto na saúde pública; pode causar pânico público e interrupção social; exige ações especiais de preparo para a saúde pública.

🔴 Categoria B: é moderadamente disseminado; resulta em taxas moderadas de morbidade e baixas taxas de mortalidade; exige melhorias específicas na capacidade diagnóstica e maior vigilância da doença.

🔴 Categoria C: disponibilidade; facilidade de produção e disseminação; potencial de altas taxas de morbidade e mortalidade e grande impacto sobre a saúde.

Algumas ações bioterroristas

Os ataques biológicos são relatados desde a antiguidade. Na busca de conquistar territórios ou em defesa de ideologias, o ser humano descobriu um instrumento, que ao contaminar o ar, a água e os alimentos, pode ser capaz de dizimar populações inteiras.

1346: líderes militares da época perceberam que vítimas de doenças infecciosas, como a peste, poderiam se tornar armas biológicas. Os exércitos começaram a lançar cadáveres para dentro das muralhas inimigas, causando surtos de peste nos habitantes. Mais tarde, com a proliferação de ratos nas áreas urbanas, a pandemia da peste negra atingiu populações da Europa, oriente e parte da África, e foi um dos desastres de saúde pública mais devastadores da história.

1754: durante o combate, o comandante das forças britânicas da América do Norte, Sir Jeffrey Amherst, sugeriu o uso deliberado da varíola para reduzir as tribos americanas hostis. Após a contaminação dos nativos, a ação foi seguida por uma epidemia de varíola entre as tribos indígenas do Vale do Rio Ohio.

1914: evidências sugerem que a Alemanha desenvolveu um ambicioso programa de guerra biológica durante a Primeira Guerra Mundial, incluindo operações secretas com o intuito de infectar estoques de alimentos e contaminar animais a serem exportados para as forças inimigas. O Bacillus anthracis e a Pseudomonas mallei foram usados para infectar ovelhas romenas exportadas para a Rússia e estoques argentinos a serem exportados aos aliados, resultando na morte de 200 mulas entre 1917 e 1918.

1932: em um período próximo à Segunda Guerra Mundial, acredita-se que o Japão tenha criado um programa de pesquisa e desenvolvimento de armas biológicas. Os agentes infecciosos de interesse japonês eram as bactérias Bacillus anthracis, Neisseria meningitidis, Vibrio cholerae, Shigella spp. e Yersinia pestis. Muitos prisioneiros de guerra morreram durante os experimentos, em decorrência do efeito direto da inoculação dos micro-organismos. Mais tarde, as autoridades japonesas reconheceram tais fatos como os mais lamentáveis do ponto de vista humano.

1991: no final da Guerra do Golfo, forças de segurança da ONU inspecionaram instalações iraquianas para verificar o poderio de armas biológicas do país. O governo assumiu o desenvolvimento do uso ofensivo de Bacillus anthracis, toxinas botulínicas e Clostridium perfringens em centros de pesquisa espalhados pelo país, alguns até já destruídos pela guerra.

1995: a seita japonesa Aum Shinrikyo, que mantinha um programa de armas biológicas rudimentar, atacou o sistema metroviário de Tóquio com o gás sarin. Antes do episódio, o grupo havia tentado três ataques biológicos sem sucesso na capital japonesa e se interessou em adquirir o vírus Ebola no Zaire, em 1992.

2001: após os ataques terroristas de 11 de setembro, os senadores e veículos da imprensa norte americana foram alvos de armas biológicas. Cartas contaminadas com esporos da bactéria Bacillus anthracis foram enviadas de uma caixa postal pública em Nova Jersey para as vítimas. Estima-se que este ataque tenha provocado a morte de pelo menos cinco pessoas e infectado outras dezoito.

Eficácia

A escolha do agente utilizado nos ataques bioterroristas depende das capacidades econômicas, técnicas e financeiras do grupo ou organização. O vírus da varíola, Ebola e Marburg são frequentemente escolhidos porque podem causar doenças mais graves.

Outro fator levado em conta pelos grupos é a capacidade de disseminação do agente. Algumas substâncias químicas ou micro-organismos não são tão eficazes quando liberados em áreas muito extensas. 

Mesmo assim, o bioterrorismo continua a ser uma ameaça tanto de grupos terroristas nacionais como internacionais. Do ponto de vista da saúde pública, a frequente vigilância, o conhecimento sobre as síndromes resultantes do bioterrorismo, a capacidade de investigação (epidemiológica e laboratorial) e comunicação rápida de informações críticas são vitais. Manter o estoque adequado de medicamentos, reagentes de laboratório, antitoxinas e vacinas também é essencial para o controle da disseminação.