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Conceitos básicos de epidemiologia

O termo epidemiologia (epi - sobre ; demos - povo ; logos - estudo) originou-se com Hipócrates há mais de 2000 anos, nas análises de fatores ambientais causadores de doenças. No entanto, somente no século XIX a distribuição da doença em grupos populacionais específicos foi avaliada completamente. Apesar da maior parte da epidemiologia abordar a população humana, a epidemiologia veterinária também é importante pela interação de seres humanos e animais, onde podem surgir as doenças conhecidas como zoonoses.

A epidemiologia é o estudo da distribuição e dos eventos determinantes relacionados à saúde em populações específicas e a aplicação deste na prevenção e controle de problemas de saúde. Os profissionais desta área estão preocupados não só com a morte, doença e incapacidade, mas também com estados de saúde mais positivos e com os meios para melhorar a saúde. O termo doença abrange todas as mudanças desfavoráveis na saúde, incluindo lesões e saúde mental.


Em 1854, a epidemiologia moderna teve início com a descoberta de que o risco de cólera em Londres estava relacionado ao consumo de água fornecido por uma determinada empresa. O médico John Snow realizou estudos epidemiológicos que examinaram a relação dos processos físicos, químicos, biológicos, sociológicos e políticos no caso. Outro exemplo foi o estudo da relação entre uso de tabaco e câncer de pulmão, a partir da década de 1950, por Richard Doll e Andrew Hill.

As variáveis são muito importantes na epidemiologia. A variação no padrão da doença é a base do estudo e os fatores que ajudam a descrevê-lo e entendê-lo também. Uma boa variável epidemiológica deve ter um impacto na saúde de indivíduos e populações, ser mensurável com precisão, diferenciar populações entre doença ou saúde e em alguma característica subjacente relevante para a saúde (renda, circunstância da infância, estado hormonal, herança genética, entre outros).

O resultado das análises epidemiológicas deve gerar hipóteses etiológicas testáveis, auxiliar no desenvolvimento de políticas de saúde, planejar e prestar assistência médica e/ou ajudar a prevenir e controlar doenças.

Epidemias são definidas como a ocorrência de casos em excesso do que é normalmente esperado em uma comunidade ou região. Ao descrever uma epidemia, o período de tempo, região geográfica e as particularidades da população em questão devem ser especificados.

Endemia é a denominação para as doenças transmissíveis que possuem relativa estabilidade e padrão de ocorrência em uma determinada área geográfica ou grupo populacional em alta prevalência e incidência. As doenças endêmicas, como a malária por exemplo, estão entre os principais problemas de saúde em países tropicais. Se as condições do hospedeiro, agente ou ambiente mudam, uma doença endêmica pode se tornar epidêmica.

Um fator importante no cálculo das variáveis de medidas de frequência das doenças é a estimativa correta do número de pessoas estudadas. Esses números devem incluir apenas pessoas potencialmente suscetíveis às doenças estudadas: homens não devem ser incluídos no cálculo da frequência do câncer do colo de útero, por exemplo.

A incidência da doença representa a taxa de ocorrência de novos casos que surgem em um determinado período em uma população específica, enquanto a prevalência é a frequência de casos existentes em uma população definida em um determinado ponto no tempo.

A relação entre incidência e prevalência varia entre as doenças, pois pode haver baixa incidência e alta prevalência (diabetes) ou alta incidência e baixa prevalência (resfriado comum). Os resfriados ocorrem com mais frequência do que o diabetes mas duram pouco tempo, enquanto o diabetes é essencialmente vitalício.

Uma infecção ocorre quando há entrada e desenvolvimento ou multiplicação de um agente infeccioso no hospedeiro. A infecção não equivale à doença porque algumas infecções não produzem manifestações clínicas. As características específicas de cada agente são determinadas por fatores e importantes para determinar a natureza das infecções.

Patogenicidade é a capacidade do agente infeccioso em produzir doença, medida pela razão do número de pessoas que desenvolvem doença clínica para o número exposto.

Virulência é a medida da gravidade da doença, que pode variar de muito baixa para muito alta. Um micro-organismo pode ser atenuado em laboratório e ter baixa virulência, para aplicação na imunização de pessoas (vírus da poliomielite).

Dose infecciosa é a quantidade de agentes ou micro-organismos necessária para causar uma infecção em indivíduos suscetíveis.

O reservatório do agente infeccioso é o seu habitat natural, que inclui seres humanos, animais ou o meio ambiente.

A fonte da infecção é a pessoa ou objeto do qual o hospedeiro adquire o agente infeccioso. O conhecimento do reservatório e da fonte é importante para o desenvolvimento de medidas efetivas de controle. Os portadores desempenharam um papel importante na disseminação mundial do vírus da imunodeficiência humana devido à transmissão sexual durante o longo período assintomático.

As consequências da infecção são amplamente determinadas pela resistência do hospedeiro. Tal resistência é geralmente adquirida através de exposição prévia ou imunização (vacinação) contra o agente em questão.

É necessário ter em mente que o resultado de uma pesquisa epidemiológica só é concluído quando traduzido em políticas de saúde, planejamento e implementação de programas de prevenção e controle de doenças. Pode haver um período longo entre a aquisição do conhecimento e sua aceitação pelos responsáveis por aplicarem as políticas de saúde.

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