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Biomedicina e Bioinformática

A Bioinformática, também conhecida como informática em saúde ou biologia computacional, envolve áreas da informática, biologia e estatística em uma especialidade capaz de gerenciar grandes bancos de dados biológicos.

A disciplina, que aborda a necessidade de gerir e interpretar os dados, representa a convergência da genômica, biotecnologia e tecnologia da informação. Assim abrange a análise e interpretação de dados, modelagem de fenômenos biológicos e desenvolvimento de algoritmos e métodos estatísticos.


De natureza interdisciplinar, esse campo teve início na década de 1960, com os esforços dos pesquisadores Margaret Dayhoff, Walter Fitch, Russell Doolittle, entre outros. Caracterizada por ser uma ciência computacional aplicada a um sistema biológico, a bioinformática tem um grande investimento atual na aquisição, transferência e exploração de dados.

Com a evolução dos computadores, os seres humanos tornaram-se coletores de dados, mensurando todos os aspectos da vida com informações resultantes de suas atividades diárias. Nessa nova cultura tudo se torna dado, pode ser medido (pixels, Hertz, bases de nucleotídeos, etc.) e pode ser armazenado em grandes coleções dentro de computadores.

A segmentação dos dados, aliada a um software capaz de interpretá-los, auxilia na compreensão de químicos, biológicos e processos vitais. Portanto, a Bioinformática não só permite a mineração de dados, como facilita a compreensão do mundo molecular que alimenta a vida evolutiva. Está em constante mudança, seguindo a biotecnologia e a genômica.

A utilização dos computadores para solucionar questões em biologia, genética humana e medicina envolve a construção e projeção de softwares, assim como avaliação e organização de dados a fim de mantê-los atualizados e em pleno funcionamento.

Teoria

O curso de Bioinformática oferece alternativas para o profissional seguir carreira tanto na pesquisa quanto em desenvolvimento e inovação, em situações que demandem conhecimento especializado em biologia e métodos computacionais.

Por ser uma especialidade buscada por estudantes da área de exatas e biológicas, deve haver um nivelamento educacional para que nenhuma das duas partes seja prejudicada por conteúdo desconhecido. As disciplinas são baseadas em bioquímica, genômica, biologia molecular e estatística aplicadas à bioinformática.

Resoluções

Para habilitação em Bioinformática, os biomédicos devem realizar cursos de pós-graduação lato sensu ou strictu sensu, reconhecidos pelo MEC.

Assim, para inclusão da habilitação conforme o Conselho Regional de Biomedicina, o profissional biomédico deverá obter sua experiência comprovada das seguintes maneiras: pelos cursos de pós-graduação, na conclusão da graduação (via estágio supervisionado de 500 horas) e nas residências multi-profissionais ou biomédicas, mediante comprovação de tempo de atuação ou residência.


Prática

Os bioinformatas atuam em diferentes campos da ciência médica e da saúde, incluindo biologia, genética, proteômica e produtos farmacêuticos. Alguns profissionais têm preferência pelas pesquisas biomédicas, enquanto outros se especializam em ferramentas computacionais.

Algumas das funções de um bioinformata incluem o desenvolvimento de métodos para analisar os dados biológicos e a criação de bases de dados com essas informações. Trabalham com uma abordagem interdisciplinar utilizando a coleta e modelagem de dados biológicos. Desenvolvem simulações dinâmicas e realizam padrões de análise dos sistemas biológicos. Como a análise de dados é muito importante na pesquisa, os cientistas precisam constantemente de métodos inovadores para a interpretação dos dados de seus experimentos por programas de computador.


Criar algoritmos de software específicos para identificar e classificar os componentes de um sistema biológico, DNA e proteínas é muito útil nas grandes pesquisas. No Projeto Genoma Humano, por exemplo, a análise dos dados por uma equipe multidisciplinar é fundamental para os resultados da investigação.

A modelação de programas de gerenciamento laboratorial e hospitalar também é muito comum na especialidade. Empresas de biotecnologia oferecem soluções de personalização de sistemas, integrando os serviços prestados pela instituição de saúde. Para isso, os biomédicos trabalham em conjunto com profissionais de tecnologia de informações.

$ Salário $

Os ganhos de profissional da bioinformática dependem muito da continuidade da carreira. Além da área acadêmica, que remunera segundo a carga horária e qualificação profissional, o bioinformata pode trabalhar em indústrias, centros de pesquisa, laboratórios clínicos, hospitais e laboratórios farmacêuticos, onde a estabilidade é maior.

Há também a opção de se tornar um empreendedor, criando o próprio sistema para análise de dados específicos. Com exclusividade no mercado científico, o profissional pode estabelecer um preço adequado ao seu serviço e conquistar um alto número de clientes.

Opinião profissional

Nesta seção, entrevistamos uma bioinformata para que você possa conhecer um pouco mais sobre a habilitação.

Vanessa Galdeno Freitas - graduação em Biomedicina pela FMU, Especialização completa em Bioinformática em Neurologia pela Faculdade de Medicina da USP e Hospital das Clínicas, Mestrado em andamento pelo Programa de Interunidades em Bioinformática da Universidade de São Paulo (USP) no Centro de Oncologia Molecular do Hospital Sírio-Libanês sob orientação do Prof. Dr. Pedro Alexandre Favoretto Galante.
Contatos → E-mail: vgaldeno@mochsl.org.br | LinkedIn | Site.

Entrevista

1 - Por que escolheu a Bioinformática?
Vanessa Galdeno - Desde a graduação, em minhas iniciações científicas, eu tive o primeiro contato com a área da Bioinformática, onde utilizava Bancos de Dados Públicos, em específico aqueles voltados a sequências de proteínas, para explorar e validar meu dados obtidos em experimentos laboratoriais. Assim, comecei a pesquisar mais sobre o assunto, e como me especializar na área sendo Biomédica. A escolha por se aventurar em uma área tão diferente da rotina clínica, veio da curiosidade de como combinar ciências tão diferentes como a saúde e exatas, e assim acelerar o conhecimento produzido e gerar resultados realmente eficientes e mais rápidos. Além disso, o profissional bioinformata não pode se intimidar com aquelas matérias de estatística e programação que tendemos a “fugir” na graduação, já que isso faz parte da rotina tanto quanto o conhecimento biológico, ambos caminham absolutamente juntos, portanto gostar e se dedicar a ambos os lados é essencial. Por esses motivos, escolhi a Bioinformática, além de amar o que faço, sei que posso fazer a diferença assim.

2 - Qual é a sua avaliação para o mercado de trabalho nessa área?
Vanessa Galdeno - O mercado para Bioinformatas está se expandindo constantemente no Brasil e no mundo, pelo motivo do Next Generation Sequencing ser uma tecnologia nova e capaz de produzir grandes quantidades de dados, precisamos de profissionais qualificados para analisar e extrair toda essa informação obtida, além de interpreta-la e transforma-la em benefícios a sociedade. Assim o Bioinformata tem um amplo mercado para atuar, principalmente no nosso país, que não temos muitos profissionais na área, e o advento da Bioinformática foi mais tardio que em países mais desenvolvidos. Como dizem, é provavelmente a profissão do futuro.

3 - Na sua opinião, quais as vantagens e desvantagens da Bioinformática?
Vanessa Galdeno - As vantagens da Bioinformática são inúmeras, difícil listar todas, mas os pontos principais e mais notáveis são o avanço nas pesquisas clínicas de patologias mais graves e sem cura, como o câncer, doenças crônicas ou auto-imunes por exemplo. Com o sequenciamento desses casos é possível desvendar novos biomarcadores para tratamentos dessas doenças, assim como diagnostica-las precocemente através de algoritmos que predizem e classificam os sintomas ou sinais e determinam em que estágio o paciente se encontra, se o tumor é benigno ou maligno, ou se ele tem predisposição a desenvolver algo. Está amplamente envolvida na Medicina de precisão, um método que vem sendo empregado no Brasil, e que vem ganhando espaço, já que a eficiência no tratamento de pacientes que tem seu material submetido a sequenciamento ajuda a elucidar questões que apenas com a clínica não é possível, evitando tratamentos ineficazes ou procedimentos invasivos desnecessários. A aplicação da Bioinformática vai muito além disso, ela está presente na área industrial, em melhoramento genético de plantas, até em estudos de microambientes de regiões geográficas específicas.

4 - Considerações finais.
Vanessa Galdeno - Considerando todo o conhecimento obtido com a Bioinformática, hoje ela é uma área indispensável. Para nós profissionais da saúde, é imprescindível que nos familiarizemos com essas novas tecnologias, a fim de produzir conhecimento e aplica-lo da melhor forma possível. Minha sugestão para aqueles que querem seguir na carreira na Bioinformática é primeiramente focar em fazer uma boa graduação, uma excelente Pós-graduação (Especialização, Mestrado, Doutorado, entre outros), assim você irá aprimorar seu conhecimento e técnica assimilados durante a graduação e sobretudo, ser treinado(a) em um bom laboratório de pesquisa na área de Bioinformática, assim você irá adquirir uma ótima e ampla experiência, necessária para enfrentar os desafios e se destacar ao longo da sua carreira.

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