11.9.17

Luz e Saúde III: Cicatrização

As aplicações da luz no metabolismo da cicatrização.

A luz possui papel fundamental no funcionamento do organismo e novas tecnologias mostram seu potencial frente a diversos processos terapêuticos, mas como o processo de cicatrização pode se beneficiar da luz? Quais são estes benefícios desta tecnologia e quem pode aproveitá-la?

Nos últimos dois textos, vimos o papel da luz como reguladora de processos fisiológicos (Link) e também como alternativa para o tratamento de alguns transtornos do humor como a depressão (Link). Assim, podemos considerar, direta ou indiretamente, a luz como fator essencial da manutenção do funcionamento normal do organismo – também conhecido por homeostase.

Entretanto, novas tecnologias utilizam a luz como ferramenta sobre outros tratamentos. Um exemplo disto é a fototerapia, a qual compreende todas as metodologias que utilizem a luz de fonte artificial, em potências mais altas e determinados comprimentos de onda como ferramenta. Como o título desta matéria indica, iremos abordar a luz como artifício benéfico ao processo de cicatrização, entretanto, dentro da fototerapia são observadas aplicações também para o tratamento da psoríase ou então, do vitiligo, por exemplo.

De maneira geral, os benefícios associados a fototerapia sobre o processo de cicatrização podem ser resumidos pela diminuição da inflamação, da dor, e pela melhora da circulação sanguínea no local em cicatrização. Os detalhes destes mecanismos podem ser consultados nesta excelente revisão (Link) sobre o assunto.


Atualmente os equipamentos mais utilizados pela fototerapia empregam o LED ou o LASER, conhecidos por suas outras aplicações no nosso cotidiano (televisões e leitores de código de barra, por exemplo). Entretanto, na fototerapia suas aplicações se mostram interessantes considerando a capacidade de induzirem melhor qualidade à cicatrização. Por definição, ambas as tecnologias emitem a radiação eletromagnética não ionizante, monocromática (um espectro pequeno de comprimentos de onda) ou então, em combinação com vários comprimentos de onda.

Neste contexto, o LASER e o LED promovem efeitos distintos de acordo com o comprimento de onda e potência utilizada. Cada um destes possuem características específicas recomendadas para uma determinada finalidade dentro da fototerapia. São considerados uma excelente ferramenta terapêutica justamente pela baixíssima incidência de neoplasias no tecido irradiado, tornando-se assim uma estratégia confiável e ampliando a lista de possíveis pacientes a serem tratados.

A profundidade de infiltração da luz varia conforme o comprimento de onda utilizado. Desta maneira, a resposta induzida pela fototerapia também varia de acordo com o equipamento, intensidade e comprimento de onda, permitindo uma ampla gama de tratamentos.

Também utilizado na odontologia e fisioterapia, a fototerapia possui ampla utilização na cicatrização não somente da pele, mas também em outros tecidos como a gengiva e os músculos. Os conceitos moleculares da fototerapia envolvem várias interações intracelulares entre a luz e células (sobretudo fibroblastos) do tecido, promovendo alterações benéficas no metabolismo da cicatrização – redução da inflamação, da dor e melhora da circulação – recursos interessantes para a cicatrização mais rápida e de melhor qualidade, inclusive dentro da fisioterapia e a pacientes odontológicos.

Existe também um outro nicho dentro da fototerapia a partir dos efeitos estéticos que a fototerapia é capaz de proporcionar. São exemplos desta aplicação o clareamento de manchas na pele, alterações no metabolismo do colágeno, além do efeito microbicida, contribuindo juntos para os efeitos estéticos desejados.

Desta forma, a fototerapia se mostra uma metodologia interessante pelos efeitos benéficos citados, aumentando a qualidade e a eficiência do processo de cicatrização, e assim aumentando a qualidade de vida da sociedade. Os estudos da fototerapia são relativamente recentes dentro da medicina, e assim, ainda apresenta-se como uma metodologia de baixa escala, porém, enxerga-se nela grande potencial e a tendência é que esteja cada vez mais presente no nosso cotidiano.


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