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Luz e saúde II: Alternativa aos tratamentos da depressão

Os potenciais da luz como alternativa na terapia da depressão e suas consequências.

A depressão possui incidência cada vez maior na sociedade e vários métodos estão em desenvolvimento para complementar seu tratamento. A luz se faz essencial ao organismo e tem sido utilizada para o tratamento da depressão, mas quais seriam seus efeitos no tratamento?

Vimos no texto anterior como a luz é importante para o nosso organismo através do ciclo circadiano – nosso ‘relógio biológico’ – e como nossos hábitos podem interferir nele. Baseando-se neste princípio, algumas estratégias de tratamento para a depressão têm sido desenvolvidas como alternativa a farmacoterapia – antidepressivos – utilizada atualmente e têm mostrado bons resultados.

Em rápidas palavras, a depressão é considerada uma doença psiquiátrica crônica que desencadeia alterações de humor, gerando um sentimento de tristeza profunda por longos períodos, sendo associado a outros sentimentos relacionados à dor, angústia ou culpa. Além disso, desencadeia no organismo vários sintomas como a perda de peso, distúrbios de sono, fadiga ou problemas psicomotores. Atualmente a principal linha de tratamento compreende na utilização de farmacoterapia acompanhada das atividades da psicologia, entretanto, outras estratégias estão em desenvolvimento.

Alguns estudos publicados mostram a utilização da luz sozinha ou então, combinada com antidepressivos, benéfica aos pacientes desta patologia. Neste estudo (Link), alguns pacientes foram tratados com a exposição a luz brilhante por 30 minutos logo após acordar, outros passaram pelo tratamento com a combinação com antidepressivos, neste caso, a fluoxetina.

Os resultados desta pesquisa mostraram que 76% dos pacientes que receberam a combinação mostraram melhoras nos sintomas. Já no caso do grupo que recebeu apenas a luz, a porcentagem de pacientes foi de 50%. Já a remissão dos sintomas ao final do tratamento foi observada em 59% e 44% dos pacientes que receberam a combinação de ambas as metodologias ou somente a luz brilhante. Desta forma, os potenciais desta metodologia começam a aparecer e outros estudos seriam necessários para explorá-los melhor.

Vale lembrar que toda metodologia de tratamento requer muitos estudos e testes para sua validação. Isto porque os mecanismos de ação da luz brilhante ainda não estão totalmente entendidos, principalmente na utilização para o tratamento da depressão.

Outros estudos já testaram a luz brilhante no tratamento do transtorno afetivo sazonal (TAS), muito incidente em países onde o inverno possui dias curtos e com pouco tempo de luz solar. A premissa destes estudos é baseada no efeito terapêutico da correção do ciclo circadiano. Além disso, os pesquisadores sugerem que a luz poderia modular a produção de neurotransmissores envolvidos na patogênese da depressão – serotonina, noradrenalina e dopamina.

Mesmo que os antidepressivos, como a fluoxetina ou a paroxetina, sejam eficazes, a luz brilhante se mostra uma alternativa mais barata. Nos países onde o TAS é muito incidente, a luz brilhante já é recomendada como alternativa da linha de tratamento, sem efeitos colaterais significativos. Outros estudos trazem eficácia da luz brilhante também no tratamento da depressão pós-parto.

Estudos mais antigos (Link) mostraram que os sintomas da depressão, como distúrbios do sono e também decorrências do ciclo circadiano abalado – sintomas no trato gastrointestinal – foram amortecidos a partir da exposição a luz brilhante durante três semanas. Neste mesmo estudo, também foram avaliados hormônios relacionados ao estresse, os quais apresentaram níveis mais baixos após o tratamento. Assim, a luz brilhante, ao alterar o ciclo circadiano, promove efeitos benéficos a pacientes de vários tipos de depressão, diminuindo ainda o estresse.

Mas como?

Um estudo (Link) foi conduzido para que se obtivesse esta resposta. Utilizando a exposição a luz brilhante no período da manhã por uma hora e meia durante quatro semanas, monitorando a temperatura corporal (um dos marcadores do ciclo circadiano) de pacientes de TAS, foi possível identificar as mudanças no ciclo circadiano ao decorrer do tratamento.

A exposição a luz brilhante avançou o ciclo circadiano em cerca de 1 hora e aumentou a proporção entre sono-vigília, assim, os pacientes passaram a dormir mais. Tais mudanças não apresentaram muitos indícios de efeitos antidepressivos, entretanto, os pesquisadores indicaram que 75% dos pacientes mostraram melhoras mais expressivas de seus quadros de depressão justamente por possuir o ciclo circadiano mais próximo do ideal após o tratamento.

O tratamento da depressão utilizando a luz brilhante é capaz de alterar os padrões do ciclo circadiano até assumindo propriedades terapêuticas.

Os mecanismos de ação da luz no tratamento da depressão podem ser resumidos assim pela diminuição dos níveis circulantes da melatonina durante o dia. Desta maneira, o relógio biológico do organismo regula consequentemente o funcionamento do organismo, como o ritmo gastrointestinal, secreção hormonal, temperatura corporal e padrões de sono – promovendo um mecanismo de terapia apenas pela modulação dos ciclos fisiológicos.

Entretanto, no mesmo período de desenvolvimento da terapia da luz brilhante para o tratamento da depressão, outra tecnologia também foi desenvolvida utilizando a luz como agente auxiliar ao processo de cicatrização; neste caso, a luz possui outro mecanismo de ação e exige um texto a parte para sua explicação. Assim, no próximo texto veremos como a luz atua no processo de cicatrização e como essa tecnologia tem sido utilizada.

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