24.8.17

Biomedicina, Histologia e Histotecnologia Clínica

A Histologia é o estudo científico detalhado das células e dos tecidos biológicos, utilizando amostras previamente preparadas com processos especiais chamados "técnicas histológicas". A palavra "histologia" é a combinação de "histo", que significa "tecido", e "logia" que é um sufixo usado para denotar o estudo de uma disciplina.

A história do microscópio e da Histologia remonta a muitos séculos atrás. Um dos primeiros grandes marcos na Histologia ocorreu em 1665, com a publicação de um pequeno livro chamado "Micrographia", de Robert Hooke. Muitos afirmam ser o primeiro registro publicado da palavra "célula".


O primeiro uso de corante para estudar uma estrutura biológica com um microscópio ocorreu em 1673, quando Anton van Leeuwenhoek utilizou o corante extraído do açafrão para estudar seus espécimes. Desde então aconteceram algumas melhoras da técnica, até que em 1858, Joseph von Gerlach experimentou uma mistura de carmim com gelatina como corante histológico. A partir deste momento, os grandes avanços no mundo da Histologia se sucederam com o desenvolvimento das indústrias de corantes e técnicas histológicas.

Teoria

A Histologia e Histotecnologia possuem várias disciplinas, que englobam o estudo da biologia tecidual dos diferentes sistemas de um organismo. O curso aborda a histofisiologia dos tecidos e apresenta os aspectos morfológicos celulares e teciduais. Como complemento, espera-se que o profissional habilitado seja capaz de manusear os equipamentos necessários para a preparação do material e confecção das lâminas.

Resoluções

Para habilitação em Histologia ou Histotecnologia Clínica, os biomédicos devem realizar cursos de pós-graduação lato sensu ou stricto sensu, reconhecidos pelo MEC.

Assim, para inclusão da habilitação conforme o Conselho Regional de Biomedicina, o profissional biomédico deverá obter sua experiência comprovada das seguintes maneiras: pelos cursos de pós-graduação, na conclusão da graduação (via estágio supervisionado de 500 horas) e nas residências multi-profissionais ou biomédicas, mediante comprovação de tempo de atuação ou residência.


Prática

O biomédico habilitado em Histologia ou Histotecnologia Clínica utiliza seu conhecimento e habilidades para a confecção e seleção das melhores amostras de tecidos biológicos. O tecido obtido é processado em uma lâmina com uma série de técnicas, e em seguida corado de acordo com o exame necessário.

Processamento de tecido em amostra histológica (Foto: Wikimedia).

Os histologistas ou histotecnologistas são membros de um laboratório clínico, onde a equipe trabalha na detecção de doenças, condições e anormalidades dos tecidos. É recomendado que o profissional tenha muita prática e precisão para processar as amostras com a máxima qualidade exigida. Posteriormente, o médico patologista analisa as lâminas (análise macroscópica, imunohistoquímica, citoquímica e molecular) firmando os laudos.

O resultado da análise de amostras histológicas possibilita saber mais sobre a condição de um paciente e entender as causas de uma doença ou condição clínica, melhorando as recomendações para o seu tratamento ou controle.

É uma área essencial para a compreensão do avanço da medicina, que inclui técnicas de colorações especiais combinadas com a microscopia. A análise do tecido é realizada sob um microscópio óptico ou microscópio eletrônico. Com o objetivo de distinguir as diferentes estruturas biológicas, as colorações histológicas são utilizadas para destacar, contrastar ou diferenciar outros tipos de estruturas que podem estar localizadas próximas ao tecido estudado.

Além da detecção de anormalidades teciduais na área médica, a Histologia possibilita a atuação em várias outras áreas, como:

→ Educação e Qualidade - lâminas histológicas são utilizadas em laboratórios de escolas e universidades para ajudar os alunos a compreenderem sobre as microestruturas dos tecidos biológicos. O profissional também pode atuar no controle de qualidade interno ou externo de um laboratório de Histotecnologia.

→ Investigação forense - supervisionado por um médico habilitado, o biomédico que trabalha na histologia forense, imunohistoquímica e no estudo citológico dos tecidos biológicos tem contato com vários tipos de colorações e podem ajudar a esclarecer a causa de uma morte ou outras questões da ciência forense.

→ Necrópsia - supervisionado por um médico habilitado, o biomédico estuda os tecidos biológicos de uma pessoa ou o animal, com técnicas histológicas que permitam aos peritos o entendimento sobre as circunstâncias e causa da morte.

→ Arqueologia - o estudo de células e de tecidos biológicos recuperados de sítios arqueológicos podem fornecer informações sobre espécies antigas que viveram no planeta há milhares de anos. O estado de preservação desses materiais biológicos muitas vezes é crítico, ainda que a condição de ossos e dentes seja suficiente.

A variedade de corantes empregados nas lâminas histológicas é muito grande e o tipo é geralmente selecionado de acordo com o tecido a ser observado. A coloração por hematoxilina e eosina (HE) é a mais comum na microscopia óptica, quando os núcleos celulares são corados pela hematoxilina em azul e a eosina cora o citoplasma das células em rosa.

$ Salário $

É difícil mensurar o valor médio da remuneração dos profissionais da Histologia e Histotecnologia Clínica, pois cada campo de atuação possui muitos caminhos para seguir a carreira. Há vagas para biomédicos em instituições públicas ou privadas, que exigem desde profissionais com nível de especialização, para atuação em laboratórios, até níveis equivalentes ou superiores ao doutorado, onde o profissional trabalhará na pesquisa e extensão.

Opinião profissional

Nesta seção, entrevistamos um histotecnologista para que você possa conhecer um pouco mais sobre a habilitação.

Jeferson Martins Gomes - biomédico, formado pela Universidade Federal do Pará (2006). Tem experiência na área de Genética, com ênfase em Genética Humana e Médica. Atualmente é biomédico histotecnologista do Laboratório Beneficente de Belém, atuando no setor de Histopatologia. Cursa especialização em Citopatologia com ênfase no trato cérvico vaginal na Faculdade FIBRA (2015).
Contatos → E-mail: jmartinsgomes@gmail.com | Twitter | Facebook

Entrevista

1 - Por que escolheu a Histologia?
Jeferson Gomes - Me formei em 2006 pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Em 2007, eu voltava de um curso de nivelamento de 3 meses para realizar uma prova de seleção no programa de pós graduação do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC/Petrópolis-RJ). Entreguei vários currículos e realizei muitas entrevistas, porém até aquele momento não surgiu nenhuma oportunidade em Análises Clínicas, área em que sou habilitado. Em setembro de 2007, fiquei sabendo de uma seleção para o setor de histopatologia em um laboratório e resolvi entregar o meu currículo. Foi chamado para a entrevista. Na ocasião o profissional que atuava na macroscopia estava de saída. Não sabia nada sobre a atuação nesta área (apenas o que vi nos tempos de academia, o que é totalmente diferente da área clinica, pois na academia as técnicas estão voltadas para pesquisa). Fiz um treinamento e após alguns meses fui contratado. Estou na área há 8 anos.

2 - Qual é a sua avaliação para o mercado de trabalho nessa área?
Jeferson Gomes - É uma área promissora para profissionais biomédicos, visto que a maioria dos profissionais que atuam hoje nesta área são de nível técnico, estão prestes a se aposentar e, pelo menos na Região Norte, não há cursos técnicos profissionalizantes nesta área. Os profissionais biomédicos são altamente requisitados por seus conhecimentos técnicos, além de atuarem na parte de gestão e qualidade do setor.

3 - Na sua opinião, quais as vantagens e desvantagens da Histologia?
Jeferson Gomes - Considero como vantagem a área em expansão profissional e como desvantagem a dificuldade em conseguir a habilitação, devido aos poucos ou nenhum curso de capacitação e atualização.

4 - Considerações finais.
Jeferson Gomes - Apesar de muitos biomédicos considerarem a atuação em Histotecnologia muito "técnica" por não tratar diretamente da liberação de diagnóstico (ficando isso a cargo do médico), é preciso observar que para um bom diagnóstico emitido é necessário que o material analisado seja bem processado e as lâminas muitos bem coradas e confeccionadas, o que ressalta a questão da gestão da qualidade e conhecimento técnico, já que além de realizar a técnica é necessário saber o objetivo de cada método empregado.

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Os artigos do blog são destinados a estudantes, profissionais e pessoas que se interessam pela biomedicina e demais áreas da saúde. O conteúdo não visa substituir as orientações de um médico, portanto não deve ser utilizado para autodiagnóstico ou automedicação.

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