9.2.17

Biomedicina e Farmacologia

A Farmacologia é a área médica que analisa a ação de um fármaco, definido como qualquer produto produzido de forma natural ou endógena que tem efeito bioquímico ou fisiológico no organismo. Resumidamente, é o estudo das interações que ocorrem entre um organismo vivo e os produtos químicos que afetam a função bioquímica. Se as substâncias possuem propriedades medicinais, elas são consideradas produtos farmacêuticos.


Em sua totalidade, abrange o conhecimento das fontes, propriedades químicas, biológicas e efeitos do uso terapêutico das substâncias. É uma ciência fundamental não só para a medicina, mas também para farmácia, biomedicina, enfermagem, odontologia e medicina veterinária. Os estudos farmacológicos abrangem os efeitos de agentes químicos sobre mecanismos subcelulares, potenciais perigos de pesticidas e herbicidas, tratamento e prevenção das principais doenças por terapia medicamentosa.

Teoria

Os farmacologistas investigam como os medicamentos interagem com os sistemas biológicos, in vitro ou in vivo, para que se possa prever o efeito que tais substâncias têm nos seres humanos. Entre os campos mais relacionados com a Farmacologia, estão a Toxicologia e a Bioquímica.

Os profissionais que atuam na área clínica aplicam o seu conhecimento de farmacocinética e farmacodinâmica em desenvolver, aprovar e lançar novos medicamentos para o uso da população em geral. Além disso, estão envolvidos na modelação molecular de fármacos e na utilização destas como ferramentas para dissecar os aspectos da função celular.

As diversas áreas de especialização incluem neurofarmacologia, farmacologia cardiovascular, farmacologia in vivo, psicofarmacologia, farmacologia veterinária, ecofarmacologia, entre outras. Apesar do progresso notável no desenvolvimento de novos medicamentos e na compreensão de como eles agem, os desafios que permanecem são infinitos. Sempre haverá novidades em processos fundamentais que levantarão questões novas e intrigantes, estimulando ainda mais a pesquisa e a necessidade de uma nova visão sobre o tema.

Resoluções

Para habilitação em Farmacologia, os biomédicos devem realizar cursos de pós-graduação lato sensu ou strictu sensu, reconhecidos pelo MEC.

Assim, para inclusão da habilitação conforme o Conselho Regional de Biomedicina, o profissional biomédico deverá obter sua experiência comprovada das seguintes maneiras: pelos cursos de pós-graduação, na conclusão da graduação (via estágio supervisionado de 500 horas) e nas residências multi-profissionais ou biomédicas, mediante comprovação de tempo de atuação ou residência.


Prática

O biomédico farmacologista deve compreender como os fármacos funcionam para que possam ser utilizados de forma eficaz e segura nas terapias existentes. Também realizam pesquisas para auxiliar a descoberta e o desenvolvimento de novos medicamentos, com a colaboração de outros investigadores.

A análise envolve coordenar ensaios de absorção, distribuição, metabolismo e excreção de um fármaco pelo corpo humano. Com grande parte do trabalho realizado em laboratório, a Farmacologia faz parte de uma ampla equipe de investigação científica. Entre as principais atividades, estão:

 concepção, planejamento e realização de experimentos controlados para melhorar a compreensão da atividade de um composto;
 uso da bioinformática, com sistemas de medição de alta tecnologia e outros equipamentos sofisticados para coletar, analisar e interpretar dados;
→ aplicação e desenvolvimento dos resultados da investigação por meio de novos produtos, processos, técnicas e práticas;
→ elaboração, organização e supervisão para testes de desenvolvimento de novos fármacos;
→ contato com autoridades reguladoras para assegurar a conformidade com as regulamentações locais, nacionais e internacionais;
→ planejar, coordenar e supervisionar as funções de pessoal técnico e formação de farmacologistas em início de carreira.

Os ensaios clínicos de um fármaco incluem até quatro fases, envolvendo pacientes voluntários. Nele, são decididos a quantidade e a forma de administração do medicamento, com base em pesquisas pré-clínicas e o tecido ou órgão a que se destina o uso.

No decorrer dos ensaios clínicos, os farmacologistas avaliam a eficácia de um medicamento, monitoram seus efeitos colaterais e fazem ajustes na estrutura química, se necessário. Além disso, podem sugerir outras opções que influenciam na eficácia de um fármaco, incluindo a presença de diferentes medicamentos, alimentos e suplementos alimentares.

A divulgação dos resultados das pesquisas também é muito importante. Derivada de uma literatura altamente específica, a Farmacologia permite que os seus profissionais compartilhem os resultados e conclusões com colegas e membros da equipe em reuniões de grupo. Os relatórios periódicos indicarão o real desenvolvimento da pesquisa e possibilitarão, no futuro, a aprovação do fármaco pelas autoridades reguladoras.

$ Salário $

Como a atividade envolve o desenvolvimento de produtos, a grande maioria dos farmacologistas trabalha em indústrias farmacêuticas ou em centros de pesquisa. Assim, o salário corresponde diretamente ao porte do estabelecimento e à relevância do produto estudado.

Opinião profissional

Nesta seção, entrevistamos um farmacologista para que você possa conhecer um pouco mais sobre a habilitação.

José Ernesto Belizário - graduado em Ciências Biológicas - Modalidade Médica pela Universidade Estadual de Londrina (1980), mestrado pela Universidade Federal de São Paulo (1984), doutorado pela Universidade Federal de São Paulo (1988) e pós-doutorado pela Tufs University sob a supervisão de Dr Charles Dinarello, e na Stanford University, sob a supervisão de Dr. Steven Sherwood. Atualmente é professor associado do Departamento de Farmacologia Universidade de São Paulo (USP). É co-descobridor do gene da dermcidin e investiga o seu papel na indução de tumores malignos, proteção contra a morte celular (apoptose e necrose) e indução de caquexia. Desenvolve pesquisa na área de genética animal e transgenia visando desenvolvimento de animais para servir de modelos de doenças e animais-bioreatores para a produção de proteínas recombinantes e anticorpos monoclonais.
Contatos → E-mail: jebeliza@usp.br

Entrevista

1 - Por que escolheu a Farmacologia?
José Ernesto Belizário - Durante o meu estágio do curso de Ciências Biomédicas na UEL em Londrina, onde fazia experimentos com ratos de laboratório, eu descobri que podia eliminar a dor (anestesia), modificar e explorar os vários sistemas biológicos e patológicos usando medicamentos. Queria entender como os medicamentos funcionam e aí vi que para isso precisaria aprofundar meus conhecimentos em ciências fundamentais como a química, bioquímica, fisiologia e genética. Fui fazer a pós-graduação na UNIFESP e depois pós-doutorado em Boston, USA. Comecei a ver e participar do mundo das descobertas científicas e tecnológicas. Essas pesquisas não têm fim, e estão diretamente relacionadas com o aumento médio de sobrevivência da população. Hoje está mais fácil ter acesso aos avanços tecnológicos e produtos, mas é preciso rigor científico para avaliar o que pode realmente trazer benefícios à saúde a longo prazo.

2 - Qual é a sua avaliação para o mercado de trabalho nessa área?
José Ernesto Belizário - O campo de trabalho para o cientista (o que faz pesquisa) no Brasil é ainda um pouco restrito, mas para os profissionais de saúde é muito amplo. O Brasil é o quarto maior consumidor de remédios no mundo, e precisamos de muita gente especializada para aplicar e desenvolver métodos de diagnósticos de doenças nos laboratórios e hospitais com as novas ferramentas tecnológicas e a bioinformática (biologia de sistemas). Também precisamos de gente especializada para a produção de novos medicamentos (sãos milhares em desenvolvimento), vigilância sanitária e ecofarmacologia, entre muitas outras.

3 - Na sua opinião, quais as vantagens e desvantagens da Farmacologia?
José Ernesto Belizário - Não sei como avaliar, mas uma vez na carreira, o bom profissional terá sempre vantagens e possibilidades de vários caminhos na profissão. Nunca parar de estudar é essencial.

4 - Considerações finais.
José Ernesto Belizário - A vocação profissional vem do interior, mas o contato com profissionais e centros universitários é importante na hora de decidir por uma carreira nas ciências biomédicas.

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Autor(a):

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