Bioquímica

Dosagem da proteína C-reativa (PCR)

A proteína C-reativa (PCR) é produzida pelo fígado e tem a sua concentração aumentada quando há um processo inflamatório em andamento. Ainda que não seja um teste específico por não localizar o local da inflamação, altos níveis de PCR são desencadeados por infecções e muitas outras condições como doenças reumáticas, lesões, algumas neoplasias e traumatismos.

Os níveis de PCR são mensurados em várias situações: para identificar infecções, linfomas, doenças autoimunes, inflamações, entre outros. Após uma cirurgia, é comum que os valores estejam aumentados de 2 a 6 horas, mas devem reduzir após o terceiro dia. Se os níveis permanecerem elevados, pode significar que há uma infecção. Normalmente, os níveis de PCR são mais altos em gestantes, fumantes, diabéticos e pacientes obesos.


É importante ressaltar que o teste de PCR não serve como diagnóstico para nenhuma doença, e deve ser relacionado com sinais, sintomas e outros testes para avaliar se um indivíduo possui uma condição inflamatória ou infecção.

Além do teste padrão, existe a dosagem de PCR de alta sensibilidade (PCRus), que é realizada para determinar o risco de um infarto e acidente vascular cerebral. Elevados níveis da proteína podem indicar aterosclerose, o que aumentaria a chance de tais condições. A diferença principal entre o teste padrão e o mais sensível é que o PCRus detecta quantidades muito baixas da proteína no sangue, variando de 0,5 a 10 mg/L, enquanto no teste normal o intervalo é de 10 a 1000 mg/L, aproximadamente.

De acordo com a American Heart Association e o US Centers for Disease Control and Prevention, os valores de referência para o teste de PCRus são: inferior a 1 mg/L (normal), entre 1 e 3 mg/L (risco moderado) e superior a 3 mg/L (risco elevado). Entretanto, mais exames devem ser solicitados para que a avaliação do risco de uma doença cardiovascular seja completa. Além disso, o indivíduo deve estar saudável no momento do exame, pois a existência de qualquer queixa clínica pode alterar os valores.

Quando é necessário verificar a eficácia de um tratamento, o teste da PCR também pode ser solicitado. Na maioria das infecções, o resultado é correlacionado com o hemograma para acompanhamento da evolução do caso. Por ser uma proteína de fase aguda, os valores da PCR na corrente sanguínea aumentam rapidamente, indicando a situação real da infecção. Se a detecção ainda for alta após 48 horas, o médico pode recomendar a troca do antibiótico utilizado.

Os valores em indivíduos normais são geralmente inferiores a 3 mg/L. Acima dessa quantidade, o resultado pode indicar um quadro infeccioso ou inflamatório. Valores muito altos podem corresponder a infecções bacterianas, e quando atingem dosagens maiores do que 200 mg/L refletem uma condição de sepse.

Artigo por: Raphael Gonçalves Nicésio

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