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O retorno do biomédico Alexander Birbrair ao Brasil

O crescimento na carreira do biomédico Alexander Birbrair nos Estados Unidos é indiscutível, não só pelos objetivos conquistados, mas pelos prêmios ganhos nesse período. Então por que retornar ao Brasil em plena época de "crise"? Descubra o que pesou na decisão de Birbrair em abdicar de sua vida profissional em um prestigiado hospital de Nova York para voltar ao seu país natal.

"Por mais estranho que pareça, voltar foi uma decisão bastante fácil e lógica para mim", afirma o biomédico. Apesar da realização profissional no exterior, seus prêmios (seu artigo foi capa da revista Science em janeiro de 2016) e da posse do greencard (sua esposa tem cidadania americana), Birbrair crê que pode ser muito mais prazeroso e recompensador se tais conquistas forem pelo Brasil.


"Da mesma forma que escolhi a biomedicina ao invés da medicina, escolhi fazer ciência no Brasil em vez de continuar nos Estados Unidos. Pode não parecer uma opção muito atrativa para alguns, mas eu espero poder mostrar o contrário. Muitas pessoas com as quais conversei prefeririam ficar aqui, e não concordam com a minha decisão de retornar ao Brasil."

O biomédico cita a ciência brasileira como uma das mais promissoras e acredita que pode ajudar a fortalecer esse quadro seguindo os passos de grandes cientistas que fazem ciência de altíssima qualidade no país. No Brasil, ele também terá a oportunidade se conciliar a vida de pesquisador com a de professor universitário, um dos sonhos de Birbrair. A nova fase da carreira auxiliará o crescimento profissional, pois "quanto mais o professor ensina, mais ele aprende e mais se aprofunda em seu próprio conhecimento", conta. Outro fator que o fez pensar muito na transferência foi a distância da família, que segundo ele, pode fortalecer ou enfraquecer um profissional emocionalmente.

A diferença de investimento na ciência entre os Estados Unidos e Brasil ainda é uma barreira e certamente será sentida em seu retorno. Para minimizar os efeitos, ele pretende manter todos os seus contatos do exterior a fim de aumentar a oferta de reagentes e equipamentos que necessite em suas pesquisas. Além disso, o intercâmbio entre seu laboratório brasileiro e outros estrangeiros já é quase certo, o que permitirá uma troca ativa de conhecimento.

Pensando no futuro, Birbrair busca fazer novos contatos e colaborações produtivas com instituições de ensino e pesquisadores brasileiros. A parceria entre empresas e universidades é bem comum e forte nos Estados Unidos, e ele deseja que se torne uma realidade cada vez mais presente em solo brasileiro.


Assim, o biomédico Alexander Birbrair deve transferir todas as suas pesquisas para a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) dentro de alguns meses. Empolgado e com muita energia para iniciar o novo projeto, ele planeja montar um grupo forte e buscar pessoas com potencial e motivação para avançarem na sua linha de pesquisa. Os principais temas estudados serão:

● Estudo do microambiente celular do tumor, principalmente em tumores de próstata e mama.
● Estudo das funções do sistema nervoso periférico (autônomo e sensorial) afetando o funcionamento de células-tronco, como também de outros tipos celulares.
● Estudo da função dos pericitos e de células-tronco em diversos processos patológicos das doenças tropicais, como doença de Chagas, Leishmaniose, entre outras.
● Estudo da biologia das células tronco de diversos tecidos, incluindo o sistema nervoso central.
● Transplantes de células, tecidos e órgãos.

Os candidatos ao futuro grupo de pesquisa devem ter experiência com biologia celular ou áreas afins, serem capazes de fazer parte de uma equipe multidisciplinar, pensarem criticamente e de forma independente e dominarem o inglês. Além de todas essas qualificações, os interessados devem enviar o currículo e uma pequena declaração descrevendo suas metas profissionais para o e-mail: birbrairlab@gmail.com.

Artigo por: Raphael Gonçalves Nicésio

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