Saúde Pública

Informações importantes sobre o vírus Zika

O vírus Zika é um flavivírus transmitido por mosquitos. isolado pela primeira vez a partir de um macaco rhesus na floresta de Zika, Uganda, em 1947. A transmissão ocorreu por mosquitos Aedes africanus na mesma floresta em 1948 e em humanos na Nigéria, em 1954.

Endêmico em partes da África e da Ásia, foi identificado pela primeira vez no Pacífico Sul, após um surto na ilha Yap, nos Estados Federados da Micronésia, em 2007. Este surto afetou 180 pessoas (confirmados, prováveis e suspeitos) e foi caracterizado por erupção cutânea, conjuntivite e dor nas articulações.

Mosquito Aedes, transmissor do vírus Zika (Foto: Portal Brasil).

Em outubro de 2013, a Polinésia Francesa registrou seu primeiro surto, que afetou cerca de 11% da população. Este surto se espalhou para outras ilhas do Pacífico, incluindo Nova Caledônia, Ilhas Cook e Ilha de Páscoa. Por sua semelhança a outras infecções transmitidas pelos arbovírus circulantes, a capacidade de detecção laboratorial ficou limitada e é provável que muitos casos não foram identificados.

Na América do Sul, ainda em 2013, após a notificação dos casos da Ilha de Páscoa (território chileno), o vírus continuou a ser detectado até junho de 2014. Em maio de 2015, as autoridades de saúde pública do Brasil confirmaram a transmissão do vírus Zika no nordeste do país. Desde outubro de 2015, outros países e territórios das Américas têm relatado a presença do vírus.

Recentemente no Brasil, as autoridades sanitárias observaram um aumento das infecções pelo vírus Zika no público em geral, assim como um aumento nos bebês nascidos com microcefalia no nordeste do país. Os pesquisadores que investigam os surtos de Zika estão reunindo um conjunto de evidências cada vez maior sobre a ligação entre o vírus Zika e a microcefalia. Porém, são necessários mais dados para afirmarmos que há relação entre a microcefalia em bebês e o vírus Zika.

No primeiro dia de fevereiro de 2016, uma comissão da Organização Mundial de Saúde informou que o recente conjunto de casos microcefalia e outros distúrbios neurológicos relatados no Brasil, associados a uma sequência semelhante na Polinésia Francesa em 2014, constitui uma situação de emergência de saúde pública de importância internacional.

Transmissão

O vírus é transmitido aos seres humanos pela picada do mosquito Aedes, que muitas vezes vive em zonas urbanas e geralmente é ativo durante o dia (o pico ocorre geralmente no início da manhã e fim da tarde). O período de incubação viral é curto, de aproximadamente uma semana na maioria dos casos.

Algumas evidências sugerem que o vírus também pode ser transmitido aos seres humanos através da transfusão sanguínea, transmissão perinatal e transmissão sexual, mas esses casos são muito raros.

Tanto o Aedes aegypti quanto o Aedes albopictus têm sido responsáveis por grandes surtos do vírus Zika. O Aedes aegypti concentra-se nas regiões tropicais e sub-tropicais, enquanto o Aedes albopictus pode ser encontrado em regiões tropicais, subtropicais e temperadas.

No Pacífico Sul, o mosquito Aedes hensilli foi o causador da disseminação do vírus na ilha de Yap, em 2007. Pertencente ao mesmo gênero, o Aedes polynesiensis foi o possível transmissor do Zika na Polinésia Francesa, em 2013. O fato de nenhuma destas espécies endêmicas terem sido reconhecidas como vetores de transmissão do vírus Zika anteriormente, indica o potencial de que outras espécies do mosquito desempenhem um papel na transmissão viral.

Sinais e sintomas

A infecção pelo Zika é caracterizada por febre (inferior a 38,5°C), frequentemente acompanhada por erupção maculopapular. Outros sintomas comuns incluem dor muscular, dor nas articulações com possível inchaço (pequenas articulações das mãos e pés), dor de cabeça, dor atrás dos olhos e conjuntivite.

Como os sintomas são geralmente leves, a infecção pode passar despercebida ou ser diagnosticada como dengue. Com isso, espera-se uma alta taxa de infecção assintomática, semelhante a outros flavivírus, como o vírus da dengue e o vírus do Nilo Ocidental. A maioria das pessoas se recupera completamente sem complicações graves, e as taxas de hospitalização são baixas.

Microcefalia e Zika

Até que se saiba mais sobre a relação entre a microcefalia em bebês e o vírus Zika, os órgãos de saúde recomendam precauções especiais para mulheres grávidas e mulheres que estejam tentando engravidar.

Essas mulheres devem considerar o adiamento de viagens para as áreas onde a transmissão do vírus Zika está ocorrendo. Se esta opção não for possível, devem conversar com um médico ou outro profissional de saúde em primeiro lugar, e seguir rigorosamente as medidas para evitar picadas de mosquitos durante a viagem. Usar repelentes de insetos é seguro e eficaz. As mulheres podem e devem escolher produtos confiáveis e usá-los com segurança.

Diagnóstico

Vários métodos podem ser utilizados para diagnosticar a doença, como a detecção de ácido nucleico viral, isolamento do vírus e testes sorológicos. A detecção da proteína não-estrutural 5 da região genômica viral por RT-PCR (reação em cadeia da polimerase por transcriptase reversa) é a principal técnica de diagnóstico, além do isolamento do vírus, que é utilizado para investigações futuras.

Amostras de saliva ou urina coletadas de 3 a 5 dias após o início dos sintomas, ou o soro coletado de 1 a 3 dias são adequados para a detecção do vírus Zika. Os testes sorológicos, incluindo imunofluorescência e imunoabsorção enzimática podem indicar a presença de anticorpos IgM e IgG anti-Zika. Porém, deve-se ter precauções com os resultados sorológicos, pois há indícios de reatividade cruzada com IgM de outros flavivírus em pacientes infectados pela primeira vez e outros com histórico de infecção anterior por flavivírus.

Tratamento

Ainda não há uma vacina comercial ou tratamento antiviral específico para a infecção pelo virús Zika. O tratamento é direcionado principalmente para aliviar os sintomas, com o uso de antitérmicos e analgésicos. Além disso, é recomendado que a pessoa descanse bastante e bebida líquido para evitar desidratação.

Não é recomendado tomar aspirina e outros medicamentos anti-inflamatórios não esteróides, como ibuprofeno e naproxeno. Devem ser evitados até que a hipótese de dengue seja descartada para reduzir o risco de hemorragia.

Após a confirmação de Zika, a pessoa deve evitar picadas de mosquito na primeira semana de sua doença. Como o vírus Zika circula na corrente sanguínea durante esse período, este pode ser passado de uma pessoa infectada para o mosquito através das picadas. Então, o mosquito será capaz de espalhar o vírus para outras pessoas.

Fonte: Organização Mundial de Saúde / Centers for Disease Control and Prevention.

Artigo por: Raphael Gonçalves Nicésio

Os artigos do blog são destinados a estudantes, profissionais e pessoas que se interessam pela biomedicina e demais áreas da saúde. O conteúdo não visa substituir as orientações de um médico, portanto não deve ser utilizado para autodiagnóstico ou automedicação.

Licença Creative Commons
Esta publicação está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Não é permitido duplicar, copiar ou reproduzir qualquer parte sem autorização prévia.

0 comentários:

Postar um comentário

2007-2016. Biomedicina Brasil. Tecnologia do Blogger.