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Interpretação do crescimento bacteriano

O crescimento de grande parte dos micro-organismos nos meios de cultura só é possível quando o mínimo de nutrientes é fornecido para o seu desenvolvimento. Devido à grande variabilidade de meios e bactérias existentes, são observados diferentes aspectos de colônias, cores e formas. Essas características são chamadas de morfologia e são usadas para uma identificação prévia do micro-organismo.

Imagem: Pixabay
Conforme as bactérias consomem os nutrientes do meio de cultura, elas crescem e se multiplicam. Depois de algum tempo, suas células começam a se acumular, ficando visíveis a olho nu. Os conjuntos dessas células são chamados de colônias bacterianas. Apesar de muitas características a serem observadas, a morfologia possui elementos básicos que podem diferenciar as bactérias em grupos menores.

Morfologia da colônia bacteriana

Cada espécie de bactéria produz uma colônia diferente das colônias produzidas por outras espécies. A morfologia das colônias é um dos primeiros passos na caracterização e identificação de uma cultura bacteriana.

Hemólise - A colônia produz algum tipo de hemólise?
Pigmentação - A colônia possui cor?
Tamanho - Qual é o tamanho da colônia?
Forma - Qual é a forma básica da colônia?
Elevação - Qual é a altura e forma do ápice da colônia?
Margem - Qual é a forma da borda da colônia?
Densidade - A colônia é transparente, opaca, translúcida?
Consistência - Qual é o aspecto da colônia?
Superfície - Como é a superfície da colônia?
Odor - A colônia possui algum odor característico?

Hemólise
Algumas bactérias produzem enzimas que lisam as hemácias presentes no meio de cultura Ágar Sangue, formando três tipos de hemólise. A beta-hemólise ocorre quando há lise completa das hemácias, apresentando uma zona clara em torno do crescimento bacteriano. A alfa-hemólise ocorre quando há lise parcial das hemácias, deixando uma cor esverdeada próxima às colônias. A cor esverdeada é causada pela presença de biliverdina, que é um sub-produto da degradação da hemoglobina. E finalmente, a gama-hemólise ocorre quando o organismo não produz hemólise.

Foto: Wikimedia.
Pigmentação
Algumas bactérias possuem pigmentos quando crescem nos meios de cultura. Este pode ser observado ao tocar uma colônia com a ponta de um swab, adquirindo  a cor do pigmento bacteriano. Os exemplos mais comuns são Staphylococcus aureus (cor amarela) e Serratia spp. (cor vermelha).

Foto: Wikimedia
Tamanho
O tamanho de uma colônia bacteriana pode variar muito, mas geralmente se considera grande uma colônia maior que 1mm de diâmetro. Colônias de 1mm são consideradas de tamanho médio e as menores que 1mm são consideradas pequenas.

Forma, Elevação e Margem
Essas três características têm importância fundamental na interpretação do crescimento bacteriano. A colônia das bactérias pode apresentar-se com aspecto circular, irregular, puntiforme, ondulado, achatado, umbilicado, convexo, elevado, em domo, com centro elevado, entre outros.

Imagem adaptada: Wikimedia.

Densidade
Há três tipos possíveis de densidade da colônia bacteriana: transparente (pode-se ver através da colônia), opaca (não é possível ver através da colônia) e translúcida (pode-se ver através da colônia apenas com o auxílio de luz).

Consistência
A consistência bacteriana pode ser observada ao tocarmos uma colônia com uma alça bacteriológica. Dentre os tipos mais comuns, estão as amanteigadas, pegajosas, secas, mucoides e quebradiças.

Superfície
A superfície da colônia de uma espécie bacteriana pode ser muito diferente de outras, apresentando aspecto rugoso, granular, embaçado, cremoso ou brilhante.

Foto adaptada: Wikimedia.
Odor
O odor característico de algumas espécies bacterianas pode auxiliar da interpretação de um crescimento, apesar de ser uma análise muito subjetiva. Aliás, não recomenda-se cheirar diretamente a placa. Deve-se sentir o odor emanado a uma distância segura, de mais ou menos um braço estendido. Dentre os odores bacterianos mais conhecidos, estão o de queijo (Staphylococcus aureus), fermento de pão (Klebsiella pneumoniae), fétido (Proteus spp.) e uva (Pseudomonas aeruginosa).

Referência: Procedimentos Básicos em Microbiologia Clínica.

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