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Entendendo o câncer de próstata

Nem todos os homens conseguem reconhecer os sintomas do câncer de próstata. Apesar de apenas uma pequena porcentagem ser acometida pelas formas agressivas desse câncer, geralmente o diagnóstico é feito em um check-up de rotina. Algumas mudanças na função urinária e sexual podem indicar a presença do tumor. Na maioria dos casos, o câncer de próstata tem crescimento lento e leva um certo número de anos para se tornar suficientemente grande para ser detectável.


Entre os principais sintomas, podemos citar a necessidade de urinar com frequência, especialmente à noite; dificuldade para iniciar a micção ou retenção urinária; fluxo fraco ou interrompido de urina; dor ou queimação ao urinar; dificuldade em ter uma ereção; ejaculação dolorosa; presença de sangue na urina ou no sêmen; dor frequente ou rigidez na parte inferior das costas, quadris, coxas ou local superior.

Próstata (Imagem modificada: Mais Saúde).
No mundo, o câncer de próstata é o sexto tipo mais comum e o mais prevalente em homens, com aproximadamente 10% do total de casos. A taxa de incidência é cerca de seis vezes maior nos países desenvolvidos em comparação aos países em desenvolvimento, sendo o segundo câncer mais comum entre os homens no Brasil.

Fatores de risco

Mais de 65% de todos os cânceres de próstata são diagnosticados em homens com idade superior a 65 anos. Após essa idade, a chance de desenvolver câncer de próstata se torna mais comum do que qualquer outro câncer em homens ou mulheres.

A etnia também está relacionada com o desenvolvimento do câncer, já que africanos são mais propensos a desenvolverem formas agressivas da doença em comparação com caucasianos. Por outro lado, homens asiáticos que vivem na Ásia tem o menor risco.

O estilo de vida também parece ter bastante influência no desenvolvimento do câncer de próstata. Para os residentes nos EUA, o risco é de aproximadamente 17%, enquanto homens que vivem na zona rural da China têm apenas 2%. No entanto, quando os homens asiáticos se deslocam para a cultura ocidental, o risco aumenta substancialmente.

O histórico familiar e a genética também são fatores importantes. Um homem com um pai ou irmão que desenvolveram câncer de próstata é duas vezes mais propenso a desenvolver a doença. Este risco é ainda maior se o câncer foi diagnosticado em membros da família em uma idade mais jovem (menos de 55 anos de idade) ou se a doença afetou três ou mais membros da família.

Outros possíveis fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de próstata agressivo incluem altura, ingestão de cálcio elevada, tabagismo, ausência de vegetais na dieta, falta de exercício e um estilo de vida sedentário.

Diagnóstico

A dosagem do antígeno prostático específico (PSA) e o exame de toque retal são utilizados para detectar a presença do câncer de próstata quando os sintomas não estão presentes. Eles podem ajudar a descobrir a doença na fase inicial, quando o tratamento pode ser mais eficaz e tem potencialmente menos efeitos colaterais.

No Brasil, desde 2002, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) não recomenda a organização de programas de rastreamento populacional para o câncer de próstata. Homens que demandam espontaneamente a realização de exames de rastreamento devem ser informados sobre os riscos e possíveis benefícios associados a essa prática. Isso porque em muitos casos, o PSA pode detectar um câncer de próstata que não chegaria a comprometer a saúde do homem. Esse excesso de diagnósticos leva a exames de acompanhamento e tratamentos desnecessários. 

O exame do toque retal detecta alterações na glândula, avaliando o tamanho, a forma e a textura da próstata. Durante o procedimento, o médico introduz o dedo no reto do paciente, utilizando uma luva com lubrificante.

Exame de toque retal (Imagem: Grace Prostate Cancer Centre).

A dosagem de PSA, criada no início da década de 1990, mensura a quantidade deste no sangue e identifica possíveis alterações prostáticas. O PSA é uma proteína produzida pela próstata responsável pela liquefação do sêmen. Doenças benignas e tumores malignos da próstata podem provocar o aumento dessa proteína no sangue. Contudo, os níveis de PSA tendem a aumentar com o avanço da idade.

Além dos testes de PSA e toque retal, o diagnóstico do câncer de próstata deve ser feito pela análise de uma biópsia, a fim de examinar as células da glândula e determinar se são ou não cancerosas. Ao analisar a amostra com um microscópio, o patologista atribui o escore de Gleason, uma escala de 2 a 10 com base em quanto as células assemelham-se às células normais. Em geral, os cânceres com menores escores de Gleason (2-4) tendem a ser menos agressivos, enquanto cânceres com maiores escores de Gleason (7-10) tendem a ser mais agressivos.

Tratamento

Não há um tratamento geral para todo câncer de próstata. O paciente deve estar ciente sobre as muitas opções de tratamento disponíveis e, em conjunto com os seu médico, tomar uma decisão sobre qual será a melhor. O processo de tomada de decisão deverá incluir uma combinação de fatores clínicos e psicológicos.

Para a doença localizada, é oferecida a cirurgia, a radioterapia e até mesmo observação vigilante (em algumas situações especiais). Em casos de doença local avançada, a radioterapia ou cirurgia em combinação com tratamento hormonal têm sido utilizados. Na doença metastática (quando o tumor já se espalhou para outras partes do corpo), o tratamento de preferência é a terapia hormonal.

Referências
Instituto Nacional do Câncer - INCA
Prostate Cancer Foundation

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