Microbiologia

Teixobactina: novo antibiótico é capaz de combater bactérias mais resistentes

Staphylococcus aureus (Imagem: Pixabay).
Um grupo de pesquisadores liderado pelo professor Kim Lewis, da Universidade Northeastern, em Boston, Massachusetts, descobriu um novo antibiótico que elimina os Staphylococcus aureus meticilina-resistentes (MRSA), Mycobacterium tuberculosis, Streptococcus pneumoniae, Bacillus anthracis e outros agentes patogênicos perigosos sem encontrar qualquer resistência detectável.

"A descoberta da Teixobactina apresenta uma oportunidade promissora para o tratamento de infecções crônicas provocadas por MRSA, que são altamente resistentes a antibióticos, bem como a tuberculose, que envolve uma combinação de terapias com efeitos colaterais negativos", disse Lewis. "A maioria dos antibióticos foram produzidos pela triagem de microrganismos do solo, mas este recurso limitado de bactérias cultiváveis foi esgotado na década de 1960".

O professor e seus colegas passaram anos tentando resolver este problema, estudando uma nova fonte de antibióticos, além daqueles criados por meios sintéticos: bactérias não cultivadas, que compõem 99% de todas as espécies em ambientes externos. Eles desenvolveram um novo método para o cultivo de bactérias não cultivadas em seu ambiente natural, o que levou à fundação da NovoBiotic Pharmaceuticals em Cambridge, Massachusetts.

Teixobactina (Imagem: Wikimedia).

Sua abordagem envolve o iChip, um dispositivo em miniatura que pode isolar e ajudar células individuais crescerem em seu ambiente natural e, assim, fornece aos pesquisadores um acesso muito melhor às bactérias não cultivadas.

"A NovoBiotic desde então tem reunido cerca de 50.000 cepas de bactérias não cultivadas e descobriu 25 novos antibióticos, dos quais a teixobactina é o mais recente e mais interessante", disse o professor Lewis, que é o autor principal do estudo publicado na revista Nature.

O novo antibiótico foi descoberto durante um exame de rotina. Os cientistas testaram o composto antimicrobiano para o desenvolvimento de resistência e não obtiveram quaisquer mutantes de MRSA ou Mycobacterium tuberculosis resistentes a ele.

Ainda que os testes em humanos e a aprovação do novo antibiótico leve, no mínimo, mais cinco anos, a descoberta da molécula é um grande passo para os cientistas envolvidos. Uma nova classe de antibióticos não era introduzida desde 1987, quando a Daptomicina foi aprovada para uso em humanos.
 
"Nossa impressão é que a natureza produziu um composto que evoluiu para ser livre de resistência", disse o professor Lewis. 

Artigo original
Losee L. Ling et al. A new antibiotic kills pathogens without detectable resistance. Nature, published online January 07, 2015; doi: 10.1038/nature14098

Artigo por: Raphael Gonçalves Nicésio

Os artigos do blog são destinados a estudantes, profissionais e pessoas que se interessam pela biomedicina e demais áreas da saúde. O conteúdo não visa substituir as orientações de um médico, portanto não deve ser utilizado para autodiagnóstico ou automedicação.

Licença Creative Commons
Esta publicação está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Não é permitido duplicar, copiar ou reproduzir qualquer parte sem autorização prévia.

0 comentários:

Postar um comentário

2007-2016. Biomedicina Brasil. Tecnologia do Blogger.