Microbiologia

Interpretação da urocultura

As infecções do trato urinário (ITU) estão entre as infecções bacterianas mais comuns e são responsáveis por uma parte significativa da carga de trabalho em laboratórios de microbiologia clínica. As enterobactérias (em particular, Escherichia coli) continuam a ser a causa mais frequente de ITUs, embora a distribuição de patógenos causadores está mudando.

A diferenciação das infecções urinárias de outras doenças que têm manifestações clínicas semelhantes é feita com um pequeno número de testes, nenhum dos quais, se utilizados individualmente, têm sensibilidade e especificidade adequada. Entre os testes de diagnóstico, o exame de urina é útil principalmente para a exclusão de bacteriúria. A urocultura pode não ser necessária como parte da avaliação de pacientes ambulatoriais com ITUs simples, mas é necessária para pacientes ambulatoriais que têm ITUs de repetição, falhas no tratamento, ITUs complicadas, assim como para pacientes internados que desenvolvem estas infecções.

A etapa pré-analítica é fundamental na urocultura. Falhas no transporte, conservação ou processamento de amostras de urina afetam diretamente a qualidade do resultado do exame. A semeadura do material deve ser realizada com alça calibrada, que proporciona a contagem do número de unidades formadoras de colônias (UFC) por mL após o crescimento. 

A interpretação deverá obedecer alguns critérios para determinar se a identificação e teste de susceptibilidade antimicrobiana são necessários. Os principais micro-organismos causadores de infecções urinárias são Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae, Proteus mirabilis, Enterobacter spp., Pseudomonas aeruginosa, Staphylococcus saprophyticus, Enterococcus spp., Streptococcus agalactiae, Staphylococcus aureus e Candida spp. Há ainda micro-organismos que não são tão comuns ou necessitem de meios de cultura específicos para crescimento, como Aerococcus spp., Corynebacterium urealyticum, Acinetobacter spp., Actinobaculum schaalii, Lactobacillus delbrueckii, Mycobacterium spp., Mycoplasma hominis, Ureaplasma urealyticum, Chlamydia trachomatis e Trichomonas vaginalis.

A maioria dos resultados pode ser interpretada facilmente, assim como o crescimento puro em quantidades inferiores também é claro para as amostras obtidas por métodos invasivos. No entanto, a interpretação de placas de uroculturas com micro-organismos em quantidades variáveis pode ser difícilA presença de leucócitos polimorfonucleares (PMN) é geralmente um bom indicador da infecção bacteriana, porém não estão sempre presentes, especialmente em infecções associadas ao uso de cateter, homens sintomáticos e pacientes com neutropenia. Abaixo, uma tabela simplificada com as condutas necessárias para cada caso em amostra de urina (não cateterizadas):


Culturas de urina com contagens inferiores a 100.000 UFC/mL também podem ser importantes, desde que se associe os resultados da cultura ao sedimento urinário, quadro clínico do paciente, exames anteriores e relevância do micro-organismo isolado.

Fonte:
Wilson, ML; Gaido, L. Laboratory Diagnosis of Urinary Tract Infections in Adult Patients. Clin Infect Dis. 2004.
Pezzlo, M. Laboratory Diagnosis of Urinary Tract Infections: Guidelines, Challenges, and Innovations. CMN. 2014.
Oplustil, C.P; Zoccoli, C.M; Toboui, N.R.; Sinto, S.I. Procedimentos Básicos em Microbiologia Clínica. São Paulo, 3. ed. Sarvier, 2010.

Artigo por: Raphael Gonçalves Nicésio

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