Microbiologia

O vírus Ebola na África Ocidental

A escala, duração e letalidade da epidemia de Ebola gerou medo e ansiedade na população mundial. Tais reações são compreensíveis, dada a elevada taxa de mortalidade e ausência de uma vacina eficaz ou cura.

Definição
Imagem: CDC/Cynthia Goldsmith via Wikimedia Commons.
O vírus Ebola causa uma doença grave, muitas vezes fatal, com uma taxa de letalidade de até 90%. É uma das infecções mais virulentas do mundo. Pode ser transmitida por contato direto com o sangue, fluidos corporais e tecidos de animais ou pessoas infectadas. Pacientes gravemente enfermos necessitam de cuidados intensivos. Durante um surto, aqueles com maior risco de infecção são os profissionais de saúde, familiares e outras pessoas em contato próximo com pessoas doentes e pacientes falecidos.
Os surtos de Ebola podem devastar famílias e comunidades, mas a infecção pode ser controlada através do uso de medidas de proteção recomendadas em clínicas e hospitais, em reuniões na comunidade ou em casa.

Epidemia de Ebola
Recentemente, medicamentos e vacinas experimentais estão criando algumas expectativas irrealistas, especialmente nesse clima emocional de medo intenso. No entanto, tais medicamentos estão sob investigação, pois ainda não foram testados em seres humanos e não são aprovados pelas autoridades reguladoras, além do uso para o cuidado compassivo.

Foto: Tommy Trenchard/REUTERS

A evidência da eficácia de tais medicamentos é sugestiva, mas não tem base em dados científicos sólidos provenientes de ensaios clínicos. A segurança também é desconhecida, levantando a possibilidade de efeitos secundários adversos quando administrados em humanos. Além disso, a administração é difícil e exigente, requer instalações de cuidados intensivos que são raras na África ocidental.
Segundo a OMS, o uso de medicamentos e vacinas experimentais, dadas as circunstâncias excepcionais deste surto, é eticamente aceitável.
Apesar dos esforços feitos para acelerar a produção, o abastecimento não aumentará por muitos meses. Assim, o abastecimento será pequeno demais para ter um impacto significativo sobre o surto. O governo canadense doou centenas de doses de uma vacina experimental para apoiar a resposta ao surto. A vacina totalmente testada e licenciada não estará pronta antes de 2015.

Décadas de pesquisa científica não conseguiram encontrar um agente curativo ou preventivo de segurança comprovada e eficácia em humanos, apesar de uma série de produtos promissores que estão atualmente em desenvolvimento.
Todos os rumores de quaisquer outros produtos ou práticas eficazes são falsas. A sua utilização pode ser perigosa. Na Nigéria, por exemplo, pelo menos duas pessoas morreram depois de beber água salgada, após rumores de esta ser protetora.
Os comportamentos mais eficazes são evitar situações de alto risco, determinar os sintomas da infecção, e relatar o quanto antes a autoridades de saúde locais. Evidências sugerem que o tratamento de suporte precoce melhora as perspectivas de sobrevivência.
O vírus Ebola é altamente contagioso, mas apenas em condições muito específicas, que envolvem contato próximo com os fluidos corporais de uma pessoa infectada ou cadáver. A maioria das infecções têm sido associadas a práticas funerárias ou a tratamentos de pessoas infectadas sem proteção, em casas ou nos centros de saúde. Além dessas possibilidades específicas para a exposição ao vírus, o público em geral não possui um elevado risco de infecção.

 Referência
World Health Organization - WHO

Artigo por: Raphael Gonçalves Nicésio

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