Toxicologia

Toxicologia

Toxicologia é a ciência que estuda a natureza e o mecanismo das lesões tóxicas nos organismos vivos  expostos aos venenos. Estes, quando incorporados em determinadas concentrações ao organismo vivo, produzem alterações celulares físico-químicas, transitórias ou definitivas, incompatíveis com a saúde ou a vida.
A intoxicação exógena ou envenenamento é o resultado da contaminação de um ser vivo por um produto químico, excluindo reações imunológicas tais como alergias e infecções. Para que haja a ocorrência do envenenamento são necessários três fatores: substância, vítima em potencial e situação desfavorável.

“Todas as coisas são venenosas, é a dose que transforma algo em veneno”.

Paracelso, século XVI.
Toxicidade é a característica que uma molécula química ou composto tem de produzir uma doença, uma vez que alcança um ponto suscetível dentro ou na superfície do corpo. Pode variar de acordo com cada caso, apresentando-se na formas aguda ou crônica e local ou sistêmica.

Subáreas
 
A toxicologia busca o conhecimento das manifestações produzidas pelos venenos no organismo e tudo que se relaciona aos mesmos. Por suas variadas áreas de interesse é uma ciência multidisciplinar, pois é integrada por várias ciências.

  • Química toxicológica: estrutura química e identificação dos tóxicos.
  • Toxicologia farmacológica: efeitos biológicos e mecanismos de ação.
  • Toxicologia clínica: sintomatologia, diagnóstico e terapêutica.
  • Toxicologia ocupacional: prevenção e higiene do trabalho.
  • Toxicologia forense: implicações de ordem legal e social.
  • Epidemiologia das intoxicações.
  • Toxicologia ambiental.
  • Toxicologia dos alimentos.

Agentes causadores de intoxicações e características



Medicamentos
Tipo mais frequente de intoxicação em todo o mundo, inclusive no Brasil. Ocorre frequentemente em crianças e em tentativas de suicídio.

Domissanitários
Produtos de composição e toxicidade variada, responsável por muitos envenenamentos. Alguns são produzidos ilegalmente por “fábricas de fundo de quintal”, e comercializados de “porta em porta. Geralmente tem maior concentração, causando envenenamentos com maior frequência e de maior gravidade que os fabricados legalmente.

Inseticidas de uso doméstico
São pouco tóxicos quando usados de forma adequada. Podem causar alergias e envenenamento, principalmente em pessoas sensíveis. A desinsetização em ambientes domiciliares, comerciais e hospitalares por pessoas ou empresas não capacitadas pode provocar envenenamento nos aplicadores, moradores, animais domésticos, trabalhadores e principalmente em pessoas internadas, ao se utilizarem produtos tóxicos nestes ambientes.

Pesticidas agrícolas
São as principais causas de registro de óbitos no Brasil, principalmente pelo uso inadequado e nas tentativas de suicídio.

Raticidas
No Brasil, só estão autorizados os raticidas à base de anticoagulantes cumarínicos. São grânulos ou iscas, pouco tóxicos e mais eficazes que os clandestinos, porque matam o rato e eliminam as colônias. A utilização de produtos altamente tóxicos, proibidos para o uso doméstico tem provocado envenenamentos graves e óbitos.

Animais peçonhentos
Constitui o grupo de maior número de casos registrados em locais ou estados com extensa área rural, onde a ocorrência de acidentes por animais é grande. As notificações dos casos de acidentes por animais peçonhentos através do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) são obrigatórias, conforme portaria nº 1.234 de 29/07/2004.

Diagnóstico laboratorial

Os exames laboratoriais são importantes no atendimento a um paciente intoxicado. Os principais objetivos são afastar ou confirmar uma intoxicação, avaliar o grau de agressão que o agente tóxico está causando no organismo e auxiliar na avaliação do tratamento. Eles fornecem importantes subsídios para um diagnóstico e acompanhamento mais seguros destes pacientes. Vale ressaltar que nem sempre estes exames são imprescindíveis para o diagnóstico e/ou tomada de decisão.

1. Análises Clínicas
a) Gerais: hemograma, glicemia, eletrólitos, uréia, creatinina, bilirrubinas, CPK, aminotransferases, hemogasometria arterial, sumário de urina.
b) Específicas: tempo de protrombina, tempo de coagulação, ferro sérico.

2. Análises Toxicológicas
Análise do agente químico propriamente dito e/ou de seus produtos de biotransformação. A existência de um Centro de Referência em Toxicologia com recursos laboratoriais dá um suporte melhor ao atendimento de pacientes intoxicados. As solicitações de exames de triagem (screening) toxicológicos não devem ser feitas de forma indiscriminada, pois tem um alto custo e pouco valor prático. É importante que o médico indique a sua suspeita diagnóstica, dose ingerida, tempo decorrido entre a exposição e o atendimento, sinais e sintomas, uso de antídotos ou outros medicamentos. Nos casos mais complexos, é importante que haja um contato direto com o analista, para que se possa concluir qual a amostra que melhor represente a biodisponibilidade, a eliminação ou o efeito do toxicante no organismo, a técnica a ser utilizada e quais análises a serem realizadas permitindo a obtenção de resultados com maior agilidade. Nas intoxicações agudas, o sangue (soro e plasma) e a urina são as amostras mais usadas. O líquido de lavagem gástrica, vômitos, restos de alimentos e medicamentos encontrados junto ao paciente também são importantes. A urina é empregada como amostra de escolha tanto para o controle da dopagem quanto para o da dependência a drogas.

Principais manifestações clínicas em intoxicações


  • Taquicardia: atropina, anfetamina, corante, antidepressivos tricíclicos;
  • Bradicardia: digitálicos, beta-bloqueadores, espirradeira, barbitúricos;
  • Hipertermia: anfetaminas, atropina e AAS;
  • Hipotermia: barbitúricos, sedativos e insulina;
  • Hiperventilação: salicilatos e teofilina;
  • Depressão respiratória: morfina, barbitúricos, antidepressivos e sedativos, álcool;
  • Hipertensão: anfetaminas e fenciclidina;
  • Hipotensão: barbitúricos antidepressivos, sais de ferro e teofilina;
  • Rubor da pele: atropina, plantas tóxicas;
  • Midríase: atropina e anfetaminas;
  • Miose: orgnofosforados e carbamatos, pilocarpina, fenotiazínicos;
  • Hemorragia oral: anticoagulantes, sais de ferro, acidentes ofídicos;
  • Delírios e alucinações: anfetaminas, atropina, salicilatos, plantas, álcool, cocaína, maconha;
  • Distúrbios Visuais: metanol, ofídismo;
  • Convulsão: organoclorados, anti-histaminicos, estricnina, cianetos, anfetaminas, nicotina.

Referências
MUNHOZ, A.J. Apostila de riscos de toxicidade e de explosividade.
Centro de Informações Antiveneno. Apostila de toxicologia básica. Salvador, 2009.

Artigo por: Raphael Gonçalves Nicésio

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2 comentários:

  1. poderia me falar alguma lei que ampara o biomedico toxicologista e o decreto de autorização da profissão,seria para um trabalho escolar,grato.

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    1. Wyngler, você encontrará essas informações na publicação do blog: Biomedicina e Toxicologia.

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