Mercado de trabalho

A desvalorização do profissional biomédico no cenário piauiense atual

Luis Fernando Viana Furtado
Biomédico graduado pela Universidade Federal do Piauí
Email para contato: lfvfurtado@gmail.com

Guilherme Antônio Lopes de Oliveira
Graduando em Biomedicina pela Faculdade Aliança

Uma profissão multidisciplinar... Bem mais do que a rotina nas Análises Clínicas, nós, Biomédicos, somos profissionais habilitados para tantas outras funções, que, infelizmente, não são valorizadas em meio a um mercado que cada vez mais preza pela qualificação.
Acima de estabelecer uma concorrência mesquinha e desnecessária com os profissionais Farmacêuticos, nós somos profissionais a serviço da saúde e, para tal, temos que ter em mente que o paciente, independente das diferenças advindas entre essas profissões, sempre estará em primeiro lugar. Bem mais do que acirrar a concorrência com os Farmacêuticos, nós viemos para somar na área da saúde e, indubitavelmente, é desnecessário dizer que quem é bom, cedo ou tarde, ocupa o seu devido lugar.
Legalmente falando, segundo a Lei Nº 6.686, de 11 de setembro de 1979, que dispõe sobre o exercício da análise clínico-laboratorial, o profissional Biomédico também pode atuar na área, assinando, assim, laudos laboratoriais. Dessa forma, se de fato e de direito somos profissionais habilitados para atuar, além de em outras áreas, nas Análises Clínicas, a pergunta é: por que tanta desvalorização do profissional Biomédico nos concursos públicos do Estado do Piauí?
Custo acreditar que a resposta seja embasada em níveis sócio-econômicos. De fato, moramos sim em um Estado precário, mas que vem crescendo frente às dificuldades enfrentadas. Independente disso, piauiense é um povo inteligente, de cultura rica e que vem se destacando em meio regional (e me atreveria até mesmo em dizer em meio nacional) tanto no quesito educacional quanto pelos serviços de saúde.
Segundo edital lançado pelo Núcleo de Concursos e Promoção de Eventos (NUCEPE), em 26 de maio de 2011, em concurso para cadastro de reserva da Fundação Municipal de Saúde (FMS) da cidade de Teresina, somente Farmacêuticos bioquímicos poderiam disputar entre as vagas de Análises Clínicas. Após intervenção do Conselho Regional de Biomedicina, o edital foi alterado, todavia, agora somente Farmacêuticos poderiam assumir as vagas, excluindo os profissionais Biomédicos do concurso.
Em edital lançado em 22 de setembro de 2011, também pela mesma organizadora, para fins de preenchimento de vagas nas Análises Clínicas do concurso da Secretaria de Saúde do Piauí (SESAPI), somente Farmacêuticos bioquímicos poderão disputar entre as vagas ofertadas. Da mesma forma acontece no concurso da Prefeitura Municipal de Floriano. Isso mais uma vez revela que, apesar de competência legal, estamos submersos em um mar de desvalorização profissional.
Decerto, o que é novo causa estranhez. A implantação do curso de Biomedicina no Estado é recente, mas que caminha a passos largos. Prova disso são as altas notas atribuídas pelo MEC nas diferentes instituições nas quais o curso já foi avaliado, o que mostra, além de habilitação, competência, cabendo às autoridades locais se fazerem cientes da real situação em que os Biomédicos e estudantes de Biomedicina estão inseridos.
E de quem é a culpa de tamanha desvalorização? Em partes, de nós mesmos, profissionais e estudantes, pela falta de uma maior mobilização frente aos percalços apresentados. Hoje, no Piauí, já somos um número suficiente para implantação de um grupo de luta, de manifestação, quiçá uma delegacia ou sindicato, mas isso ainda não passa de planos. Entretanto, para tal, existe uma explicação. Os profissionais aqui formados tendem a procurar outros Estados, haja vista a escassez de campo no Piauí.
Todavia, não se pode tirar a parcela de culpa das autoridades locais. Se perguntássemos hoje para nossos representantes políticos, quantos seriam capazes de dizer qual o real papel do Biomédico nos serviços de saúde? É bem provável que poucos.
Em suma, deve-se ressaltar a necessidade de união da classe Biomédica em prol da valorização e reconhecimento do curso, cabendo também às autoridades locais buscarem a inserção do profissional nos concursos do Estado. É desnecessário enfatizar que onde existe uma base consolidada na Biomedicina, existe pesquisa, portanto, desenvolvimento. Dessa forma se faz necessário disseminar a ideia: investir na Biomedicina é investir no progresso. 

CFBM

Artigo por: Raphael Gonçalves Nicésio

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