31 agosto, 2012

Cuidados paliativos: abordagem multidisciplinar

Os cuidados paliativos visam melhorar a qualidade de vida de pacientes e respectivos familiares que enfrentam problemas associados a doenças que envolvem risco de vida, através da prevenção e alívio do sofrimento. As principais ações são identificação precoce da enfermidade, assistência constante, tratamento da dor e outros problemas físicos, acompanhamento psicossocial e espiritual.

Têm início quando a doença é diagnosticada e continuam independentemente do paciente receber ou não tratamento. Os profissionais de saúde devem avaliar e aliviar o sofrimento físico, psicológico e social, o que requer uma abordagem abrangente e multidisciplinar que inclui a família e faz uso de todos os recursos comunitários disponíveis, mesmo que sejam limitados. Esses cuidados podem ser prestados nos serviços de atenção terciária, em centros de saúde comunitários e até mesmo nas casas das famílias. 

Os cuidados paliativos para crianças representam uma área especial, embora estritamente relacionada aos cuidados paliativos de adultos. Seus princípios se aplicam a doenças crônicas pediátricas, envolvendo cuidados com a mente, corpo e espírito, além de suporte à família.

Princípios dos cuidados paliativos

► Promover o alívio da dor e de outros sintomas desagradáveis; 
► Afirmar a vida e considerar a morte um processo normal da vida; 
► Não acelerar nem adiar a morte; 
► Integrar os aspectos psicológicos e espirituais no cuidado ao paciente; 
► Oferecer um sistema de suporte que possibilite ao paciente viver tão ativamente quanto possível até o momento da sua morte; 
► Oferecer sistema de suporte para auxiliar os familiares durante a doença do paciente e o luto; 
► Oferecer abordagem multiprofissional para focar as necessidades dos pacientes e seus familiares, incluindo acompanhamento no luto; 
► Melhorar a qualidade de vida e influenciar positivamente o curso da doença; 
► Iniciar o mais precocemente possível o Cuidado Paliativo, juntamente com outras medidas de prolongamento da vida, como quimioterapia e radioterapia, e incluir todas as investigações necessárias para melhor compreender e controlar situações clínicas estressantes.

Breve histórico

O termo cuidado paliativo se confunde historicamente com o termo hospice, que definia abrigos (hospedarias) destinados a receber e cuidar de peregrinos e viajantes. O relato mais antigo remonta ao século V, quando Fabíola, discípula de São Jerônimo, cuidava de  viajantes vindos da Ásia, da África e dos países do leste no Hospício do Porto de Roma.

O Movimento Hospice Moderno foi introduzido pela inglesa Cicely Saunders, com formação humanista e médica, que em 1967 fundou o St. Christopher’s Hospice, cuja estrutura não só permitiu a assistência aos doentes, mas o desenvolvimento de ensino e pesquisa, recebendo bolsistas de vários países. Desde então, o movimento foi crescendo e se espalhou pelos diversos países do mundo até o ano de 1990, quando a Organização Mundial de Saúde publicou sua primeira definição para cuidados paliativos.

Cicely Saunders (1918-2005)

Em 2002, Cicely Saunders foi a co-fundadora de uma nova instituição de caridade, a Cicely Saunders Internacional. Sua missão é realizar pesquisas para melhorar o atendimento e tratamento de todos os pacientes com doenças progressivas e promover cuidados paliativos de alta qualidade a todos os necessitados.

Cuidados paliativos no Brasil

A ação de cuidados paliativos no Brasil teve início na década de 1980 e conheceu um crescimento significativo a partir do ano 2000, com a consolidação dos serviços já existentes e pioneiros e a criação de outros não menos importantes. Hoje são mais de 40 iniciativas em todo o território nacional. Ainda é pouco, levando-se em consideração a extensão geográfica e as necessidades do nosso país. Assim, será maior a nossa responsabilidade em firmarmos um compromisso para, unidos num único propósito, ajudarmos a construir um futuro promissor para os cuidados paliativos, a fim de que um dia, não muito distante, todo cidadão brasileiro possa se beneficiar dessa boa prática.

Devido à natureza complexa, multidimensional e dinâmica da doença, o cuidado paliativo avança como um modelo terapêutico que endereça olhar e proposta terapêutica aos diversos sintomas responsáveis pelos sofrimentos físico, psíquico, espiritual e social, responsáveis por diminuir a qualidade de vida do paciente. Trata-se de uma área em crescimento e cujo progresso compreende estratégias diversas que englobam bioética, comunicação e natureza do sofrimento.

Fonte
Academia Nacional de Cuidados Paliativos. Manual de cuidados paliativos. Rio de Janeiro: Diagraphic, 2009.
Organização Mundial de Saúde. Definition of Palliative Care.

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Autor(a):

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