13 junho, 2011

Suicídio Assistido

O suicídio assistido ocorre quando uma pessoa, que não consegue concretizar sozinha sua intenção de morrer, e solicita o auxílio de um outro indivíduo. A assistência ao suicídio de outra pessoa pode ser feita por atos (prescrição de doses altas de medicação e indicação de uso) ou, de forma mais passiva, através de persuasão ou de encorajamento. Em ambas as formas, a pessoa que contribui para a ocorrência da morte da outra, compactua com a intenção de morrer através da utilização de um agente causal.

Desde 1997 o estado norte-americano de Oregon tem uma Lei vigente que possibilita aos seus residentes solicitarem o auxílio para se suicidarem. No ano de 1999, foram registrados oficialmente 33 casos de suicídio assistido. A Suíça também permite a realização do suicídio assistido, inclusive podendo ser realizado sem a participação de um médico e não é necessário que a pessoa que deseja morrer esteja em fase terminal. A base legal é o Código Penal de 1918, que afirma que o suicídio não é crime. O único impedimento é quando o motivo for egoísta, por parte de quem auxilia. A eutanásia não está prevista na legislação suíça.


Caso mais recente

Nesta segunda-feira, 13 de junho, a emissora britânica "BBC" transmitiu o suicídio assistido de Peter Medley, um empresário britânico multimilionário de 71 anos, afetado por uma doença neurológica motora, que recorreu à clínica suíça Dignitas para tirar a própria vida.

A transmissão foi criticada por diversas organizações, que acusaram a emissora pública de ajudar a promover o suicídio assistido e de encorajar outras pessoas a seguirem os passos de Medley. A "BBC" se defendeu afirmando que a reportagem, intitulada "Choosing to Die", dará a oportunidade aos telespectadores de formar sua própria opinião, já que o programa reúne todos os pontos de vista relacionados ao suicídio assistido.

A reportagem mostra imagens de Medley tomando uma dose letal de barbitúricos na clínica suíça, que nos últimos 12 anos já ajudou mais de mil pessoas a morrer.
A organização britânica pró-suicídio assistido "Dignity in Dying" declarou que o programa é "profundamente intenso e em algumas ocasiões difícil de assistir".

"Não há a intenção de esconder as realidades da morte assistida. Ao expor a perspectiva de uma pessoa no suicídio assistido, nos coloca o desafio de pensar sobre este importante tema e nos perguntar que opções podemos querer para nós e nossos entes queridos no final da vida", avaliou uma porta-voz.

"Censurar o debate não fará nada para ajudar aquelas pessoas que sofrem de maneira intolerável", afirmou a porta-voz, que acrescentou atualmente "as pessoas não só viajam ao exterior para morrer, mas tiram suas vidas em suas próprias casas".

Os ativistas antieutanásia, como a organização "Care Not Killing Alliance", qualificaram o programa da "BBC" de "propaganda pró-suicídio assistido disfarçada de reportagem".

Alistair Thompson, porta-voz do grupo, acusou a "BBC" de não oferecer uma visão equilibrada sobre o assunto e de se aproximar dos programas nos quais se defende o suicídio assistido.

O porta-voz da organização antieutanásia afirmou que este tipo de programas de televisão apresenta o risco de criar "um efeito contágio" entre as pessoas que estão em situação vulnerável e que poderiam ser encorajadas a cometer suicídio.

"A evidência é que quanto mais se mostra isto, mais suicídios haverá. A 'BBC' tem financiamento público e tem a responsabilidade de oferecer um programa equilibrado", ressaltou Thompson.

"Choosing to Die" foi dirigido pelo escritor Terry Pratchett, que sofre o mal de Alzheimer e é partidário da eutanásia. A reportagem começa quando Medley deixa sua casa no Reino Unido e declara a Pratchett: "Meu estado se deteriorou a tal ponto que preciso ir muito em breve". Ao final, o programa mostra as imagens de Medley ingerindo uma dose de Nembutal com a ajuda de chocolate. Em seguida, começa a respirar com muita dificuldade e a chamar sua esposa, Christine, com a qual foi casado por 40 anos, que agarra suas mãos. Enquanto agoniza, um dos empregados da clínica diz à câmera: "Ele está perdendo os sentidos. Em breve a respiração irá parar e depois o coração".

Pratchett acrescenta: "Isto foi um acontecimento feliz. Morreu tranquilo, mais ou menos, nos braços de sua mulher, discretamente".

Fonte: UFRGS / G1

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