Microbiologia

Botulismo

O botulismo é uma doença paralítica, causada pela toxina do Clostridium botulinum que em seu início apresenta o envolvimento dos pares cranianos e progride em direção caudal até envolver membros (paralisia descendente e simétrica). Todo caso suspeito de botulismo é de notificação compulsória e imediata. A forma mais comum de transmissão é a alimentar, devido à ingestão de conservas e embutidos contaminados ou de esporos no botulismo infantil. São conhecidas, também, outras vias de veiculação da doença: por ferimentos (acidentes, usuários de drogas), pelas vias aéreas ou via conjuntival. O período de incubação varia de algumas horas a cerca de 10 dias. O tempo entre a ingestão da toxina e o início dos sintomas pode variar entre 12 e 36 horas, dependendo da quantidade de toxina ingerida. 

Sinais e Sintomas: diplopia, disartria e/ou disfagia, tontura, visão turva, boca seca, garganta seca, fraqueza muscular, ptose palpebral frequente, reflexos pupilares deprimidos, pupilas dilatadas ou fixas, vômitos (às vezes os reflexos estão deprimidos), náuseas, dor abdominal, sonolência, agitação e ansiedade, pacientes lúcidos; tipicamente não há febre (a não ser nas complicações). Reflexos tendinosos profundos normais ou diminuídos; íleo paralítico, obstipação grave e retenção urinária são comuns. A diarréia pode existir, principalmente devida à ingestão de outras bactérias no  alimento contaminado.

Exames Laboratoriais:
Coleta de sangue, o mais precoce possível e anterior à aplicação da antitoxina botulinica, para investigação e tipagem desta. A precocidade é essencial, uma vez que a toxina é rapidamente absorvida pelas terminações nervosas.
Coleta de fezes para pesquisa da toxina botulínica, dos esporos do agente causador e de outros diagnósticos.
Coleta de lavado gástrico.
Nos casos de botulismo infantil, por ferimentos ou causa indeterminada, o diagnóstico pode ser complementado por cultura do C. botulinum, cultura de tecidos desbridados do ferimento e teste de toxicidade.

Exames laboratoriais nos alimentos suspeitos:
Coleta das sobras, que devem ser adequadamente acondicionadas e conservadas.

Tratamento específico - Antitoxina botulínica
Teste dermatológico de sensibilidade, uma vez que cerca de 9% das pessoas são hipersensíveis à antitoxina. Administração da antitoxina o mais precocemente possível, uma vez que ela não reverte o dano.

Geral
Rigoroso monitoramento das condições vitais do paciente em hospital, com UTI apropriada, suporte ventilatório, controle cardiológico, oftalmológico e hidratação.
Medidas para eliminar a toxina do aparelho digestivo.
Antibioticoterapia para as infecções secundárias.
Ação no mecanismo fisiopatogênico da doença, com o uso, em geral, de reserpina e clorpromazina para neutralizar o bloqueio muscular.


CVE - Secretaria da Saúde

Artigo por: Raphael Gonçalves Nicésio

Os artigos do blog são destinados a estudantes, profissionais e pessoas que se interessam pela biomedicina e demais áreas da saúde. O conteúdo não visa substituir as orientações de um médico, portanto não deve ser utilizado para autodiagnóstico ou automedicação.

Licença Creative Commons
Esta publicação está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Não é permitido duplicar, copiar ou reproduzir qualquer parte sem autorização prévia.

0 comentários:

Postar um comentário

2007-2016. Biomedicina Brasil. Tecnologia do Blogger.