20 junho, 2011

Botulismo

O botulismo é uma doença paralítica, causada pela toxina do Clostridium botulinum que em seu início apresenta o envolvimento dos pares cranianos e progride em direção caudal até envolver membros (paralisia descendente e simétrica). Todo caso suspeito de botulismo é de notificação compulsória e imediata. A forma mais comum de transmissão é a alimentar, devido à ingestão de conservas e embutidos contaminados ou de esporos no botulismo infantil. São conhecidas, também, outras vias de veiculação da doença: por ferimentos (acidentes, usuários de drogas), pelas vias aéreas ou via conjuntival. O período de incubação varia de algumas horas a cerca de 10 dias. O tempo entre a ingestão da toxina e o início dos sintomas pode variar entre 12 e 36 horas, dependendo da quantidade de toxina ingerida. 

Sinais e Sintomas: diplopia, disartria e/ou disfagia, tontura, visão turva, boca seca, garganta seca, fraqueza muscular, ptose palpebral frequente, reflexos pupilares deprimidos, pupilas dilatadas ou fixas, vômitos (às vezes os reflexos estão deprimidos), náuseas, dor abdominal, sonolência, agitação e ansiedade, pacientes lúcidos; tipicamente não há febre (a não ser nas complicações). Reflexos tendinosos profundos normais ou diminuídos; íleo paralítico, obstipação grave e retenção urinária são comuns. A diarréia pode existir, principalmente devida à ingestão de outras bactérias no  alimento contaminado.

Exames Laboratoriais:
Coleta de sangue, o mais precoce possível e anterior à aplicação da antitoxina botulinica, para investigação e tipagem desta. A precocidade é essencial, uma vez que a toxina é rapidamente absorvida pelas terminações nervosas.
Coleta de fezes para pesquisa da toxina botulínica, dos esporos do agente causador e de outros diagnósticos.
Coleta de lavado gástrico.
Nos casos de botulismo infantil, por ferimentos ou causa indeterminada, o diagnóstico pode ser complementado por cultura do C. botulinum, cultura de tecidos desbridados do ferimento e teste de toxicidade.

Exames laboratoriais nos alimentos suspeitos:
Coleta das sobras, que devem ser adequadamente acondicionadas e conservadas.

Tratamento específico - Antitoxina botulínica
Teste dermatológico de sensibilidade, uma vez que cerca de 9% das pessoas são hipersensíveis à antitoxina. Administração da antitoxina o mais precocemente possível, uma vez que ela não reverte o dano.

Geral
Rigoroso monitoramento das condições vitais do paciente em hospital, com UTI apropriada, suporte ventilatório, controle cardiológico, oftalmológico e hidratação.
Medidas para eliminar a toxina do aparelho digestivo.
Antibioticoterapia para as infecções secundárias.
Ação no mecanismo fisiopatogênico da doença, com o uso, em geral, de reserpina e clorpromazina para neutralizar o bloqueio muscular.


CVE - Secretaria da Saúde

COMPARTILHE

Autor(a):

Os artigos do blog são destinados a estudantes, profissionais e pessoas que se interessam pela biomedicina e demais áreas da saúde. O conteúdo não visa substituir as orientações de um médico, portanto não deve ser utilizado para autodiagnóstico ou automedicação.