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Glóbulos vermelhos jovens contribuem mais para doenças cardiovasculares

Cientistas do Instituto de Medicina Molecular (IMM), em Lisboa, recorreram às nanotecnologias para perceber a relação entre a idade dos glóbulos vermelhos (eritrócitos) e a tendência para a sua excessiva agregação, um factor de risco cardiovascular.

Descobriram a existência de um receptor específico na membrana dos eritrócitos que acolhe o fibrinogénio, uma proteína do plasma sanguíneo que agrega glóbulos vermelhos. "Doentes com grande concentração desta proteína tendem a ter um sangue mais viscoso, o que dificulta a a circulação, podendo provocar problemas cardiovasculares", frisou Nuno Santos, líder da equipa de investigação. De acordo com o investigador, a integrina, nome deste receptor "apresenta duas subunidades (proteínas) que funcionam juntas, tendo sido identificado o gene responsável pela expressão de cada uma delas".

Também se concluiu que esta ligação entre o fibrinogénio e o seu receptor nos glóbulos vermelhos pode ser perdida, mascarada ou progressivamente tornada não funcional com o processo de envelhecimento destas células no sangue, pelo que os investigadores acreditam que os eritrócitos jovens são os que mais contribuem para as doenças cardiovasculares associadas à sua excessiva agregação.
Este estudo, publicado esta semana na revista "PLoS ONE", abre portas a um conhecimento mais aprofundado sobre estes mecanismos moleculares e poderá contribuir assim para o desenvolvimento de novos tratamentos que actuem na prevenção de patologias vasculares como a hipertensão arterial ou o enfarte agudo do miocárdio.

Nanotecnologia fundamental para este estudo

Nuno Santos explicou que "o tempo de vida entre a ligação do fibrinogénio aos glóbulos vermelhos não é suficientemente alto para ser estudado pelas metodologias convencionais". Desta forma, a equipa do IMM teve de recorrer a um microscópio de força atómica para "pescar" o receptor na membrana dos glóbulos vermelhos e poder estudar a sua interacção à "nano-escala" com o fibrinogénio.

"A espectroscopia de força [utilização deste microscópio] é uma das metodologias de eleição na área da nanomedicina", referiu, pois permite estudar as forças que se estabelecem entre duas moléculas. No caso deste estudo, constatou-se que, embora a força de ligação seja idêntica em todos os glóbulos vermelhos, a frequência de ligação do fibrinogénio aos mais jovens é maior, sugerindo que esta população tem uma maior influência em potenciais problemas cardiovasculares resultante da agregação destas células sanguíneas.

Este trabalho surge na sequência de outro anterior já publicado pela equipa liderada por Nuno Santos, mas esta linha de investigação tem ainda um terceiro estudo a decorrer. "Esperamos que surjam novos resultados ainda este ano", concluiu Nuno Santos.

As doenças cardiovasculares, que atingem meio milhão de portugueses, são responsáveis por entre 35e 40 por cento dos óbitos no país. Além disso, são apresentadas como a primeira causa de morte, doença, incapacidade e custos em saúde em Portugal.
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