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Controverso, teste genético pelo correio chega ao Brasil

Muito comum nos Estados Unidos, o teste que vasculha o DNA em busca de doenças genéticas acaba de chegar ao Brasil. Por R$ 4.990, um laboratório de Minas Gerais promete identificar os riscos de desenvolver 46 moléstias. De Alzheimer à obesidade.
O exame é controverso e condenado por alguns especialistas. Eles dizem que, atualmente, pouco adianta saber se um indivíduo tem 3% ou 4% a mais de chances de desenvolver uma doença.
O diretor da clínica, Sérgio Pena, médico-geneticista da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e um dos pioneiros do exame de paternidade por DNA do Brasil, defende a análise.
Para ele, quando uma pessoa identifica que tem um risco maior de ter uma doença, como diabetes, pode mudar seu estilo de vida e, assim, minimizar as chances de efetivamente desenvolvê-la. 

Editoria de Arte/Folhapress

"Em casos como os de câncer de mama, por exemplo, seria possível intensificar as consultas com o médico e fazer exames com mais regularidade", disse à Folha.
O kit de coleta é enviado para a casa do paciente, que recolhe células da boca e as envia para o laboratório.
Ao invés de mapear todo o genoma, o teste busca variações específicas no DNA, os SNP's (pronuncia-se "snip"). A partir delas, calcula-se o "perigo".
"Todo o processo tem o acompanhamento de um médico", diz Pena.
Ao final do processo, o paciente tem direito a uma consulta com um geneticista. Se não puder comparecer, ela pode ser feita por e-mail.
Uma pesquisa com 2.037 pessoas que se submeteram a esse tipo de teste, publicada no "New England Journal of Medicine", indica que não houve mudanças significativas nos hábitos alimentares ou na prática de exercícios desses indivíduos. Ou seja, não adiantou muita coisa.
O estudo também apontou que alguns laboratórios deram até diagnósticos conflitantes para as mesmas amostras de DNA.
"Sou contra esse tipo de teste para quem não tem casos de doenças genéticas graves na família" afirma Mayana Zatz, geneticista que comanda o maior laboratório de genética da América Latina, o Centro de Estudos do Genoma Humano da USP. "Com certeza, é um prato cheio para os hipocondríacos", avalia a cientista.

Giuliana Miranda
Folha de São Paulo

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