Farmacologia

Demora na aprovação de medicamentos prejudica brasileiros

O Brasil é muito lento no processo de aprovação e incorporação de novos medicamentos, o que põe os pacientes brasileiros em posição de desigualdade na luta pela cura, tratamento e controle de um grande número de doenças. A avaliação é do Dr. Carmino de Souza, presidente da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH), instituição que reúne médicos e profissionais da saúde especializados em doenças do sangue.
Ele frisou que “a burocracia e, em alguns casos, a má-fé dos responsáveis pela aprovação faz com que o país leve vários anos e até décadas para incorporar determinados avanços em benefício dos pacientes”.
O presidente da ABHH lembrou ainda que o registro pela Anvisa não significa que o paciente terá acesso ao produto. A demora é grande, mesmo nos casos em que a decisão do Supremo Tribunal Federal obriga o Sistema Único de Saúde a prover, mesmo importado, o medicamento ao paciente. 
Pacientes de um grande número de doenças são prejudicados pela lentidão da Anvisa. É o caso dos pacientes com mieloma múltiplo, câncer linfático sem cura. Eles aguardam há cerca de dois anos a aprovação no Brasil de um medicamento já aprovado há vários anos nos Estados Unidos pelo FDA, na Europa pela EMEA, e em vários países sul-americanos como a Argentina.
Em 55 países, os pacientes têm a disposição a lenalidomida, droga que, usada de forma isolada ou combinada com outras drogas, aumenta a sobrevida e melhora a qualidade de vida. Além disso, não é necessário se dirigir até uma clínica tomar infusão, uma vez que o remédio, em comprimidos, pode ser tomado por via oral, em casa. 
Os Drs. Carmino de Souza (Hemocentro da Unicamp) e Angelo Maiolino (Universidade Federal do Rio de Janeiro) informaram que no último congresso da Associação Norte-Americana de Hematologia, em Orlando, no início de dezembro, foram apresentados vários estudos que comprovam cientificamente os benefícios para os pacientes. Além dos médicos, instituições que representam pacientes com mieloma também lutam pela aprovação da lenalidomida no Brasil, até agora sem êxito. 
O número de pacientes com mieloma no mundo é calculado em 1 milhão de pessoas, segundo o Dr. Brien Durie, diretor da Fundação Internacional do Mieloma. No Brasil não existem estatísticas. O especialista disse que “é uma doença sem cura, mas pode ser controlada por vários anos”. O Dr. Durie se referiu a estudos mais recentes que mostraram que a melhor terapia para dar sobrevida e qualidade de vida aos pacientes é a combinação de várias drogas. No Congresso Norte-Americano de Hematologia, foram apresentados pacientes tratados há nove anos de acordo com as novas terapias, sem a necessidade de transplante de medula óssea, alternativa com grande risco de infecções, principalment e em idosos. 
O Dr. Durie e o Dr. Antonio Palumbo, professor e chefe de unidade de Hematologia da Universidade de Turim, Itália, comentaram um outro estudo feito com sobreviventes do ataque de 11 de setembro no World Trade Center, em Nova York, e que contraíram mieloma, possivelmente em função da exposição tóxica a que foram submetidos. A intoxicação contínua provocada por agentes externos (como poluição, irradiação e agrotóxicos) pode ser a causa do aumento do número de casos no mundo, frisaram os dois especialistas.


Scientific American Brasil

Artigo por: Raphael Gonçalves Nicésio

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