Genética

Novos genes podem ser essenciais para a vida

A descoberta, publicada recentemente na revista Science, põe em dúvida o conceito convencional de que nossos mais antigos genes são o "pão-com-manteiga" da vida, enquanto que os novos genes são os menos críticos. Em vez disso, um terço dos novos genes estudados em moscas de fruta se tornou essencial para os insetos num piscar de olho evolutivo, de alguns milhões de anos.
"Um novo gene é tão essencial quanto qualquer outro gene, a importância de um gene é independente da sua idade. Nós ficamos chocados", diz Manyuan Long, professor de ecologia e evolução da Universidade de Chicago. Long e seus colegas testaram a importância de 195 genes da mosca de fruta, bloqueando as instruções de cada gene para fabricar proteínas ou outros produtos químicos, tornando-os inúteis.
Dos 195 jovens genes testados, a perda de 59 deles (30%) foi letal, causando a morte da mosca durante o seu desenvolvimento. Quando o mesmo método foi aplicado a uma amostra de genes mais antigos, um número estatisticamente semelhante foi encontrado: 86 de 245 genes (35%) foram letais quando silenciados.
Pelo fato dos novos genes testados apareceram entre 1 milhão e 35 milhões de anos atrás, os dados sugerem que novos genes com novas funções podem se tornar parte essencial da biologia de uma espécie muito mais rápido do que se pensava. Um novo gene pode tornar-se indispensável pela formação de interações com os genes que controlam as funções mais importantes, afirma a pesquisadora Sidi Chen, da Universidade de Chicago, aluna de pós-graduação.
"Novos genes aparecem e interagem rapidamente com os genes mais velhos, e, se essa interação é favorável ajudando o organismo a sobreviver e se reproduzir melhor, é favorecida pela seleção natural e permanece no genoma", disse Chen em comunicado. "Depois de um tempo, torna-se essencial, e, literalmente, o organismo não pode viver sem o gene. É algo como o amor:. Você se apaixona por alguém e depois você não pode viver sem a pessoa."
A perda de muitos dos novos genes causaram a morte das moscas durante a fase intermediária ou tardia do seu desenvolvimento, enquanto a perda de genes mais velhos foram fatais durante o desenvolvimento precoce. Os resultados sugerem que, embora genes antigos essenciais para o desenvolvimento precoce são amplamente partilhados entre as espécies, os mais recentes podem interferir no desenvolvimento tardio. Estes novos genes poderiam fornecer as vias que fazem todas as espécies diferentes.
"Eu acho isto importante nas implicações na saúde humana", disse Chen. "Os modelos animais têm se mostrado muito úteis e importantes para dissecar a doença humana. Mas se a nossa intuição está correta, algumas informações importantes de saúde para os seres humanos irão residir em partes únicas do genoma humano."
Live Science

Artigo por: Raphael Gonçalves Nicésio

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