Imunologia

Vacina contra o HIV

Três laboratórios russos anunciaram na última segunda-feira (22) que uniram esforços para desenvolver a vacina contra o vírus da Aids (HIV) mais efetiva até o momento. Segundo um dos pesquisadores, já há provas de que a vacina não é prejudicial a seres humanos. "Com uma efetividade de 30%, a vacina pode salvar um milhão de vidas ao ano", afirmou o responsável do Departamento de AIDS do Instituto de Imunologia da Rússia, Igor Sidorovich.
Em 2007, o Governo russo investiu 23,5 milhões de euros na pesquisa de vacinas e de acordo Yevgeny Stavsky, chefe do centro Vector, de Novosibirsk, que participa do desenvolvimento da vacina, deve haver mais uma leva de investimentos antes de fim de ano. "Vamos começar agora a fase principal e mais cara do processo", disse Stavsky, que acrescentou que o trabalho conjunto dos três laboratórios acelerará a pesquisa.
Até o momento, cada um dos participantes desenvolvia sua vacina em seus respectivos centros em Moscou, São Petersburgo e Novosibirsk. Por volta de 500 portadores do HIV foram selecionados para participar dos testes de laboratório da vacina. Sidorovich afirmou que, até o momento, só uma vacina contra o HIV desenvolvida nos Estados Unidos e provada na Tailândia demonstrou sua efetividade relativa.
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 33 milhões de pessoas estão infectadas com o HIV no mundo todo, das quais metade tem entre 15 e 24 anos. Além disso, acredita-se que o número de portadores de HIV aumenta em 2,7 milhões a cada ano. Na Rússia, o número de pessoas infectadas com o HIV cresce 10% cada ano e supera atualmente meio milhão.

Como é o HIV?

Para poder avançar na batalha contra o HIV, cientistas do mundo inteiro tem estudado como é o vírus, como ele age e quais são as formas em que o ser humano responde frente a infecção. Essas informações foram obtidas através de estudos feitos no laboratório com cultivos de vírus e células e com modelos animais. A observação de pacientes e pessoas expostas ao vírus também oferece valiosos dados sobre a infecção pelo HIV. A análise de toda esta informação permite a construção de hipóteses e modelos que permitem entender melhor o HIV e desenhar estratégias para combatê-lo.
O HIV é um vírus esférico de 110 nm (0,000000011 mm) composto de centro, chamado core, e recoberto por uma superfície chamada envelope. Dentro do core está a parte mais importante do vírus, o genoma ou material genético, acompanhado de algumas proteínas aderidas ao genoma (p7) e que realizam tarefas especificas para permitir que o vírus se multiplique (as enzimas integrase, protease e transcriptase reversa). Outras proteínas com diferentes funções para o vírus formam parte das membranas do core (p24) e do envelope (p17, gp41 e gp120).
Mas o material genético é a parte mais importante do vírus já que ele contem toda a informação para poder fazer novos vírus. Esse material genético está constituído de uma sustância denominada RNA. Para estudar o material genético, cada fragmento que contém uma instrução é denominado gene. Os principais genes do HIV são chamados gag, pol e env.

Vacinas contra o HIV ou AIDS?

As vacinas podem dar uma solução mais apropriada na luta contra o HIV. Potenciais vacinas podem agir em diferentes aspectos e oferece alternativas tanto para prevenção como para o tratamento. Uma vacina pode ser destinada a proteger o indivíduo contra a infecção (vacina protetora) ou contra a doença (vacina parcialmente protetora). Por exemplo, a vacina contra a hepatite B evita que a pessoa seja infectada pelo vírus da hepatite B, por isto é uma vacina protetora. Mas a vacina contra a difteria, que é parcialmente protetora, não evita a infecção pela bactéria da difteria, porém evita a ação de suas toxinas que são as produtoras da doença. Isto significa que uma pessoa com proteção adequada após vacinação poder ter bactérias da difteria e, inclusive, pode passá-las a outras pessoas, porém não adoecerá. Da mesma forma, além das vacinas que estão sendo testadas para evitar a infecção pelo HIV, outras vacinas têm por alvo evitar que a pessoa seja infectada, adoeça e apresente AIDS.
Por último, existe mais um tipo de vacinas, chamadas terapêuticas, que são usadas para desenvolver uma resposta de defesa que ajude no controle do vírus em pessoas que já estão infectadas pelo HIV. Os produtos que estão sendo testados como vacinas contra o HIV podem se classificar em aqueles que usam partes que compõem o HIV, como as proteínas e os peptídeos, e aqueles que tomam fragmentos do genoma viral. Todos os produtos mencionados estão ainda em desenvolvimento, e não existe nenhum produto que tenha sido aprovado como vacina contra o HIV.

Revista Época / UNIFESP

Artigo por: Raphael Gonçalves Nicésio

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