Necrose

Necrose é a soma das alterações morfológicas que se seguem à morte celular em um tecido ou em órgãos vivos. Dois processos são responsáveis pelas alterações morfológicas básicas da necrose: desnaturação de proteínas e digestão enzimática das organelas e de outros componentes do citosol.

Alterações citoplasmáticas

Inicialmente ocorre tumefação e ruptura das mitocôndrias, o citoplasma torna-se granuloso com espaços irregulares transformando-se finalmente em uma massa opaca e grosseira. A membrana celular é fragmentada, podendo romper-se e células adjacentes podem fundir-se em uma massa indistinta. As mudanças nos núcleos apresentam alteração de volume e de coloração à microscopia óptica. Essas alterações são denominadas: picnose, cariorrexis e cariólise.

1) Picnose: as modificações celulares mais características são do núcleo, que se contrai enquanto sua cromatina se condensa em torno do nucléolo e em correspondência da membrana nuclear. Em conseqüência, o núcleo reduz seu volume e aparece hipercorado.
2) Cariorrexis: com a degeneração adicional, o núcleo picnótico torna-se fragmentado em várias diminutas partículas que representam pedaços do material nuclear degenerado. É a distribuição irregular da cromatina.
3) Cromatólise ou cariólise: é a dissolução da cromatina com perda da coloração do núcleo.



Tipos de necrose

Necrose Coagulativa: padrão mais comum de necrose. Caracteriza-se por desnaturação das proteínas citoplasmáticas, com preservação da estrutura da célula coagulada por um tempo prolongado após a morte celular. Ocorre em quase todos órgãos, mais freqüentemente no miocárdio, rim e fígado. 
Necrose Liquefativa: ocorre quando a autólise e a heterólise prevalecem sobre a desnaturação de proteínas. A área necrótica é mole e preenchida com líquido. observado mais frequentemente em infecções bacterianas localizadas (abscesso) e no cérebro (tecido rico em lipóides e pobre em proteínas). Ocorre dissolução enzimática rápida. 
Necrose Caseosa: típica das lesões tuberculosas e aparece macroscopicamente na forma de material mole, friável, semelhante a queijo (caseum). Microscopicamente, como material eosinofílico amorfo com restos celulares. Presente também na blastomicose e tularemia. 
Necrose Gomosa: variação da necrose coagulativa com zona atingida apresentando-se uniforme e compacta como goma, elástica como a borracha e fluida como goma arábica. Especialmente encontrada na sífilis terciária (goma sifilítica). 
Necrose Gordurosa: ocorre no tecido adiposo induzida pela ação de lipases,  derivadas de células pancreáticas ou de macrófagos lesados, que catalisam a liberação enzimática de ácidos graxos dos triglicérides, os quais formam em seguida complexos com cálcio do líquido interticial, produzindo sabões insolúveis de cálcio. Esses complexos produzem áreas brancas (saponificação gordurosa) com aspecto de cera de vela. Microscopicamente, a gordura necrótica exibe contornos sombreados de células e pontilhado basófilo em conseqüência da deposição de cálcio e calcificação distrófica. 
Necrose Fibrinóide: ocorre na parede do músculo liso das arteríolas no contexto de uma hipertensão arterial maligna. Isto permite a passagem de plasma para a camada média com deposição de fibrina. Apresenta o aspecto vermelho brilhante quando corado pela hematoxilina–eosina. Algumas vezes o nome parece impróprio porque elementos da necrose são ausentes ou discretos. Mas,o aspecto histológico é distintivo e semelhante ao tecido necrótico. 
Necrose Gangrenosa: é uma forma especial de necrose isquêmica (uma forma de evolução de necrose) em que o tecido necrótico sofre modificação por agentes externos como ar ou bactérias. Exemplos:
a) No cordão umbilical após o nascimento, que fica negro e seco.
b) Nas extremidades inferiores, após obstrução vascular por aterosclerose, especialmente em diabéticos,   traumatismos com lesão de vasos, moldes de gesso excessivamente justos, congelamento, etc.


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