Bem Estar

Os benefícios da terapia com animais


O contato com os animais pode proporcionar conforto e auxiliar na recuperação da saúde de crianças e adultos. Não é à toa que existe aquele ditado que fala que “o cachorro é o melhor amigo do homem”.

A presença de animais em ambientes hospitalares tem sido utilizada já há alguns anos como forma de proporcionar momentos de descontração aos pacientes, além de exercer importante papel como terapia coadjuvante em uma série de tratamentos. 

Entre os diversos projetos existentes no Brasil, o projeto AMICÃO, criado em 2006 pelo Departamento de Pediatria e pela Diretoria de Enfermagem do Hospital São Paulo – ligado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), tem a finalidade de humanizar o ambiente hospitalar por meio da terapia assistida por animais. Diversas crianças, jovens e adultos já foram beneficiados pela iniciativa.

Cães ajudam no tratamento de crianças. (Foto: Projeto AMICÃO).

A enfermeira Maria Isabel Sampaio Carmagnani, professora adjunta da Escola Paulista de Enfermagem e diretora de enfermagem do hospital, atua no projeto e conta que os cachorros e os gatos são os animais que mais participam das atividades. “Ao chegar a uma unidade hospitalar, o animal é sempre acompanhado por seu dono, um enfermeiro e um assistente social até a beira do leito. Ele sobe em uma poltrona e fica lado a lado com o paciente. Em algumas situações, como na psiquiatria, o animal permanece em áreas de convivência”, explica. No Hospital São Paulo, as visitas ocorrem uma vez por semana, às quartas-feiras, entre 14 e 17 horas.

Maria Isabel revela que a literatura científica relaciona a terapia assistida por animais com benefícios para a pressão arterial e diminuição da dor. “Na nossa prática, pudemos observar melhora de humor, redução de ansiedade e aumento de bem-estar e alegria. Esses sinais são observados tanto nas crianças quanto em adultos e idosos. Os pacientes de saúde mental são os que mais interagem com os cachorros”.

Para os pacientes que necessitam de longa permanência no hospital, o contato com os animais proporciona sensação de aconchego do lar.

Além do monitoramento profissional, a terapia assistida por animais tem procedimentos claros e bem definidos para cada grupo de pacientes. Segundo Maria Isabel, os hospitais e profissionais que integraram o atendimento devem seguir algumas recomendações, critérios e normas definidas por organizações internacionais. “Os animais, por exemplo, devem realizar avaliação veterinária periódica e apresentar certificado de saúde. Outros cuidados incluem o tratamento contra parasitas intestinais, tosas periódicas, treinamento e banho no dia anterior à visita. Os animais que participam do programa não podem ter contato com outros animais de rua”.

Todos esses cuidados são recompensados pelo sorriso das crianças, que são capazes de se distrair por alguns instantes e guardar em suas memórias lembranças boas da convivência com os animais. É um trabalho respeitável, que lhes proporciona um efeito reparador e renovador.

Curiosidades

A utilização de animais em ambientes hospitalares ocorre com frequência em hospitais nos Estados Unidos há várias décadas. No Brasil, o método foi introduzido no ano de 1997 pela veterinária e psicóloga Dra. Hannelore Zucks e é chamado de zooterapia ou terapia assistida por animais. É utilizada principalmente com crianças, idosos e doentes mentais.

Os animais mais utilizados em hospitais e casas de repouso são cães e gatos. As raças preferidas de cachorros são a Golden Retriever e o Labrador, mas qualquer cão pode ser terapeuta, desde que seja saudável, dócil e treinado. O temperamento isento de agressividade e o treinamento são fundamentais. O cão deve obedecer aos comandos do proprietário, devendo ser facilmente controlado por ele. Deve gostar de afagos e não reagir a situações inesperadas.

Artigo por: Raphael Gonçalves Nicésio

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