Pular para o conteúdo principal

Aborto e anencefalia

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) encaminhou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) uma carta assinada por quase 30 entidades em defesa da “antecipação do parto” de fetos sem cérebro. A entidade critica a “confusão” entre essa antecipação de parto e aborto, tendo em vista que a anencefalia, afirma a entidade, é “com certeza científica” incompatível com a sobrevivência. “A interrupção da gestação de feto anencefálico constitui antecipação terapêutica do parto, não um procedimento abortivo”, afirma o texto.


A SBPC e as demais organizações concluem que “prolongar a vivência do luto de um filho nessa situação é torturar o ser humano, é submetê-lo a tratamento desumano e degradante”.
A carta é assinada, entre outros, pela Secretaria da Saúde do estado de São Paulo, Ministério da Saúde, Secretaria Especial de Políticas para Mulheres e Hospital Pérola Byington; pelas universidades federais de São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul e pela União Nacional dos Estudantes; por jornalistas, advogados e juízes e por ONGs feministas, como a Católicas pelo Direito de Decidir.

Citando a literatura médica, a SBPC afirma que “a anencefalia constitui grave malformação fetal que resulta da falha de fechamento do tubo neural”. Isso resulta em ausência de cérebro, calota craniana e couro cabeludo. “A maior parte dos fetos anencefálicos (em torno de 65%) apresenta parada dos batimentos cardíacos fetais antes do parto. Um pequeno percentual desses fetos anencefálicos apresenta batimentos cardíacos e movimentos respiratórios fora do útero, funções que podem persistir por algumas horas e, em raras situações, por alguns dias.”

A entidade explica, ainda, que a associação da anencefalia com outras anomalias fetais é frequente: cerca de 30% dos fetos anencefálicos apresentam malformações cardíacas, pulmonares, renais e gastrintestinais, entre outras. Além disso, a Organização Mundial de Saúde (OMS, a agência de saúde pública das Nações Unidas) há mais de 10 anos recomenda a não realização de manobras de ressuscitação cardiorrespiratórias em casos de anencefalia, “pois a anomalia é incompatível com a vida”.

A SBPC lembra, ainda, que o diagnóstico de anencefalia pela ultrassonografia é possível “há aproximadamente três décadas” com 100% de precisão e que o Conselho Federal de Medicina brasileiro considera desde 2004 que, nos casos de anencefalia, é desnecessária a aplicação dos critérios de morte encefálica “pela inviabilidade vital em decorrência da ausência de cérebro”.

Risco à gestante

“A literatura científica demonstra”, afirma o documento, “a associação entre anencefalia fetal e maior frequência de complicações maternas, como hipertensão arterial e aumento do volume de líquido amniótico, trazendo danos físicos à saúde da mulher”. Além disso, o “sofrimento psíquico gerado pela gestação de um feto anencefálico pode promover quadro de estresse pós-traumático, um transtorno mental de longa duração cujos sintomas podem persistir por toda a vida”.

Comentários

Artigos populares

Tubos para coleta de sangue

Os tubos de coleta de sangue são estéreis, feitos de vidro ou plástico e alguns possuem vácuo. Comumente utilizados em punções venosas, eles são projetados para a coleta, transporte e processamento das amostras.

O interior destes tubos pode ser revestido com anticoagulantes e as vedações preservam a integridade da amostra até a chegada ao laboratório. Embora não seja necessário ao coletor conhecer todos os detalhes sobre os procedimentos analíticos dos testes hematológicos, é essencial conhecer o tipo de amostra necessária para cada análise.


Tipo de Análise - Tipo de Amostra Bioquímica e Sorologia - Soro ou plasma Hematologia - Sangue total com EDTA Glicemia - Plasma com fluoreto de sódio Coagulação - Plasma com citrato de sódio
Tubos para coleta
A amostra deve ser coletada em tubos específicos para cada tipo de análise, sendo de extrema importância conhecê-los para a realização correta do exame. O material colhido em recipiente inadequado será rejeitado e descartado pelo laboratório p…

Conheça os principais meios de cultura

O crescimento dos microrganismos nos diferentes meios de cultura utilizados fornece as primeiras informações para a sua identificação. É importante conhecer o potencial de crescimento de cada meio de cultura e adequar ao perfil bacteriano esperado para cada material.


Alguns procedimentos são essenciais na hora da preparação de cada meio de cultura para a obtenção de melhores resultados e evitar contaminações, como nos diferentes casos: quando distribuir o meio antes de autoclavar, os tubos não precisam estar esterilizados; quando distribuir o meio após a autoclavação, os tubos, frascos, placas, pipetas e vidrarias ou materiais auxiliares obrigatoriamente devem ser estéreis e os meios devem ser autoclavados com as tampas semi-abertas, para que a esterilização seja por igual em todo o conteúdo dos tubos - tampas fechadas não permitem a entrada do vapor.

Ágar nutriente (AN)

Meio relativamente simples, de fácil preparo e barato, muito usado nos procedimentos do laboratório de microbiologi…

Vírus Epstein-Barr

O vírus Epstein-Barr, frequentemente referido como EBV, é um membro da família dos herpesvírus e um dos mais comuns nos humanos. O vírus ocorre em todo o mundo, e a maioria das pessoas é infectada com EBV em algum momento durante suas vidas.


Crianças tornam-se suscetíveis ao EBV tão logo a proteção de anticorpos maternos (presente no nascimento) desaparece. Muitas crianças são infectadas com EBV, e essas infecções geralmente não causam sintomas ou são indistinguíveis. Nos países desenvolvidos, muitas pessoas não estão infectadas com EBV na infância. Quando a infecção com EBV ocorre durante a adolescência ou na idade adulta jovem, provoca a mononucleose infecciosa em 35% a 50% dos casos.

Os sintomas da mononucleose infecciosa são febre, dor de garganta e aumento dos gânglios linfáticos. Às vezes, há o envolvimento do fígado e do baço. Problemas cardíacos ou envolvimento do sistema nervoso central ocorrem raramente, e a mononucleose infecciosa quase nunca é fatal. Não há associações co…