Tecnologia

Vasectomia não pode ser banalizada

Um alerta aos homens jovens, especialmente na faixa de 18 a 24 anos: a vasectomia não pode se tornar uma cirurgia corriqueira. Visando desencorajar a esterilização precoce, o Conselho Federal de Medicina (CFM) acaba de baixar resolução com normas técnicas para a cirurgia de esterilização masculina.
Segundo o Conselho, o médico que se propuser a realizar este tipo de cirurgia terá de estar habilitado também para reverter o processo, pois o paciente pode se arrepender posteriormente e, em muitos casos, a reversão não será possível.
O conselheiro Edvard Araújo, coordenador da Comissão do Médico Jovem do CFM, alerta que "o percentual de insucessos é grande quando um homem pretende refazer sua capacidade de ser pai, por isso a vasectomia não pode se transformar em procedimento massificado".
Dados revelam que 17% se arrependem ao longo da vida, especialmente por alterações psicológicas e emocionais. Segundo Araújo, o ato médico de esterilização cirúrgica masculina "não é apenas um procedimento de esterilização, mas um ato mais complexo que exige cuidados não previstos em lei”. Daí a preocupação de que o médico que realizou a vasectomia esteja apto também a outros tipos de intercorrências e à reversão do procedimento.
Para assegurar maior segurança aos pacientes, o CFM estabeleceu o prazo de 60 dias entre a vontade manifestada e a realização da cirurgia, para que o homem possa amadurecer sua decisão. Este prazo é considerado importante para a conscientização dos homens sobre os vários métodos de contracepção disponíveis.
O Conselho ressalta ainda que antes de se submeter à vasectomia, o paciente deve buscar informações completas sobre o procedimento, procurar um médico devidamente habilitado e considerar todas as repercussões da esterilização e suas consequências, como a necessidade de uma reversão.
Segundo o médico urologista, Mario Delgado, a reversibilidade da vasectomia envolve muita confusão. A vasectomia é reversível sim, porém a taxa de sucesso da cirurgia de reversão pode variar muito, dependendo do caso. Por exemplo: caso o homem tenha se submetido à vasectomia há mais de 5 anos, a chance de sucesso com a reversão é bem menor que se ele tivesse feito a cirurgia há 2 anos. Além disso, a cirurgia de reversão é muito mais delicada e deve ser realizada em ambiente hospitalar, sob anestesia troncular, com a utilização de material microcirúrgico, incluindo microscópio.
“Quando me perguntam se a vasectomia é reversível, minha resposta imediata é não”, comenta Delgado. Tecnicamente, é possível recanalizar o vaso deferente com o uso de instrumentos que ampliam a imagem, porém, muitas vezes, mesmo com o retorno do espermatozóide ao sêmen, nota-se uma nítida dificuldade de ocorrer a gravidez. Isto acontece por formação de anticorpos antiespermatozóide produzidos pelo próprio homem após a realização da vasectomia.
Assim, segundo Delgado, a vasectomia pode ser o melhor método anticoncepcional, mas somente para casais absolutamente convencidos de que realmente não quererem ter mais filhos. Se não existir essa convicção, é preferível optar por outros métodos anticoncepcionais.

Artigo por: Raphael Gonçalves Nicésio

Os artigos do blog são destinados a estudantes, profissionais e pessoas que se interessam pela biomedicina e demais áreas da saúde. O conteúdo não visa substituir as orientações de um médico, portanto não deve ser utilizado para autodiagnóstico ou automedicação.

Licença Creative Commons
Esta publicação está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Não é permitido duplicar, copiar ou reproduzir qualquer parte sem autorização prévia.

1 comentários:

  1. Adorei o blog...mto bom mesmo!Sem falar na revista sobre a Biomedicina,ainda n tinha visto e adorei!
    Agora queria uma ajuda...alguem saberia me falar sobre Residência em Biomedicina,e quais as instituições que disponibilizam?
    meu e-mail é viviribeiro_20@hotmail.com
    Parabéns mesmo pelo blog!Nossa profssão precisa.
    beijos

    ResponderExcluir

2007-2016. Biomedicina Brasil. Tecnologia do Blogger.