Microscopia

Celular e câncer

Novo relatório volta a descartar vínculo entre uso de telefone celular e câncer. Hipótese é levantada desde a disseminação dos aparelhos. OMS coordena pesquisas desde 1996 e não detectou riscos.

Não existe relação entre a utilização de telefones celulares e o aparecimento de tumores malignos. Essa é uma hipótese levantada desde que a utilização desses aparelhos vem se tornando disseminada.
Na última semana foi divulgado relatório da organização Environmental Working Group chamando a atenção para o suposto problema. Vários trabalhos científicos tentaram determinar essa possível relação, mas com resultados contraditórios.
Os trabalhos que apontam uma relação entre câncer e celulares não apresentam análises estatísticas confiáveis e usam o termo câncer de maneira genérica. Câncer não é uma doença só, são várias formas e apresentações diversas. Apesar de parecer que existe uma base comum – as alterações das células do corpo –, essas mutações podem ser induzidas por vários estímulos ambientais.
Um trabalho cientifico dinamarquês publicado na revista “Journal of the National Câncer Institute” trouxe dados importantes para essa discussão, desde 2006.
A pesquisa acompanhou usuários de telefones celulares que fizeram sua inscrição no sistema entre 1982 e 1995. Mais de 42 mil pessoas foram acompanhadas até o ano de 2002. Os registros nacionais de ocorrência de tumores forneceram os dados para comparação com os usuários dos celulares. Com base no cruzamento desses dados, foi possível estudar a ocorrência de tumores, como por exemplo o neurinoma do acústico. O emprego de celulares já foi ‘denunciado’ como causa do neurinoma do acústico.
O resultado das análises estatísticas mostrou que a utilização de telefones celulares não está relacionada com a ocorrência de tumores malignos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS, a agência de saúde pública das Nações Unidas), desde o ano 2000, definiu, após pesquisas realizadas em vários países, que as radiações emitidas pelo aparelhos celulares não trazem problemas de saúde.
Os telefones celulares emitem radiação eletromagnética que não deve ser confundida com as chamadas radiações ionizantes como: raios X, raios gama e outras radiações emitidas por fontes para tratamento e diagnóstico de doenças.
As radiações ionizantes podem alterar a estrutura genética das células humanas, dando origem a tumores e destruição de tecidos. A radiação eletromagnética nas faixas e potência utilizadas pelos celulares não tem a mesma capacidade.
Países desenvolvidos como Estados Unidos, Inglaterra e outros da União Europeia patrocinaram pesquisas que não conseguiram comprovar os perigos do celular. A OMS continua coordenando um grupo de trabalho, que iniciou os trabalhos em 1996, que acompanha e estimula pesquisas nesse campo, sem novidades alarmantes até o momento.


Luis Fernando Correia Especial para o G1

Artigo por: Raphael Gonçalves Nicésio

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1 comentários:

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